Monday, December 31, 2007

Feliz Ano de 2008


Antologia

Lembrança

Ponho um ramo de flores
na lembrança perfeita dos teus braços;
cheiro depois as flores
e converso contigo
sobre a nuvem que pesa no teu rosto;
dizes sinceramente
que é um desgosto.

Depois,
não sei porquê nem porque não,
essa recordação desfaz-se em fumo;
muito ao de leve foge a tua mão,
e a melodia já mudou de rumo.

Coisa esquisita é esta da lembrança!
Na maior noite
na maior solidão,
vem a tua presença verdadeira,
e eu vejo no teu rosto o teu desgosto,
e um ramo de flores, que não existe, cheira!

Miguel Torga

Ai que saudades!


Alguém me diz que está a passar o ano numa praia, e é quanto basta para perceber a falta que me faz o mar da minha infância! Sinal de que esta está cada vez mais longe...

Monday, December 10, 2007

Oprah Winfrey vende o seu "sabonete"



Oprah Winfrey usa todo o seu peso mediático e a sua enorme influência no apoio a Barack Obama, apoio traduzido em milhões de dólares angariados e dezenas de milhares de participantes arrastados aos comícios, para verem ao vivo a diva do talk show. Fosse oponente outro que não a loira senhora Clinton e, a constituir-se como mais um sucesso para uma das mulheres mais influentes do mundo, os Estados Unidos da América acordariam com um presidente negro, pela primeira vez na sua história. Assim, e muito devido à utilização que o marido resolveu dar à sala oval, Obama terá de ficar para mais tarde, depois da senhora Clinton.

Violência nas escolas*

Como sempre, a ministra desvaloriza os números, amarrota-os na irrelevância da parte face ao todo, rejubila com a fabricada diminuição (?) de incidências, passa à frente. No terreno, fica o dia-a-dia amargurado de milhares de professores sujeitos à humilhação diária da desobediência, do insulto, da ameaça verbal, da agressão física. Para além dos militares e das forças policiais e militarizadas, dos seguranças profissionais e dos mafiosos encartados, que outros profissionais além dos professores enfrentam o dia de trabalho com risco real da própria segurança física? Enquanto não houver uma corajosa resposta a esta pergunta, não me venham com tretas de avaliação dos professores.
* ou de como 300 casos em 2007 são 300 razões para pedir contas ao governo.

Backbiting (6)


David Beckham, lesionado num joelho, factura até a repousar, tornando-se modelo de roupa interior para o Emporio Armani. O rapaz pode já não ter pernas para os relvados, mas ainda tem uma bela carreira pela frente com o resto do corpo!

José Mourinho auto-excluiu-se


É pena, teria sido bonito de ver!

Cimeira UE/África - e depois do adeus

Não vale a pena repetir o que outros, mais talentosos, já escreveram, melhor do que o faríamos.
Sobre a vergonhosa e acéfala cobertura do evento pelos media, basta ler o Abrupto e o Portugal dos Pequeninos, para nos sentirmos acompanhados no asco pelo show que nos foi servido.
A vergonha que sentimos por esses profissionais de vão de escada, essa não a partilhamos, certamente, com todos aqueles que leram jornais e viram televisão a pensarem nas compras de Natal e nas peripécias da Liga, todos muito muito reconfortados pela imagem de Portugal que Sócrates nos vem vendendo, imagem inventada que verá as luzes da ribalta internacional na campanha de promoção, que arranca na esteira do Tratado de Lisboa.
A náusea que constitui ouvir o recorrente auto-elogio de Sócrates, a propósito de tudo e de nada, transforma-se em vómito, quando, transportado nas asas da sua demencial auto-satisfação, o Primeiro-ministro português lança ao tapete, no rescaldo da Cimeira, um “espírito de Lisboa” a que, só por uma réstia de pudor, não se atreveu a dar o próprio nome.
Mais do que os discutíveis resultados da Cimeira, cujo sucesso se decidirá, em grande medida, pelas decisões de Pequim, os portugueses deveriam reter a forte mensagem que o auto-contentamento exacerbado de Sócrates revela: se de génio tem pouco, já de louco…

Saturday, December 08, 2007

Antologia

At the last minute a word is waiting
not heard that way before and not to be
repeated or ever be remembered
one that always had been a household word
used in speaking of the ordinary
everyday recurrences of living
not newly chosen or long considered
or a matter for comment afterward
who would ever have thought it was the one
saying itself from the beginning through
all its uses and circumstances to
utter at last that meaning of its own
for which it had long been the only word
though it seems now that any word would do

W.S. Merwin



E por falar do banquete da Cimeira UE/África...

...até fiquei com pele de galinha com o racismo latente que as várias reportagens televisivas acabaram por denunciar. Nem os patrões, nos tempos áureos da colonização, conseguiam ser mais condescendentes com o folclore das festas dos seus contratados. Elucidativo!

Protocolo de Estado

Mugabe chegou tarde ao banquete oferecido pelo PR, poupando este e Sócrates a recebê-lo à porta do Palácio da Ajuda. Negociação bem conduzida pelo Protocolo de Estado? Parece, ou Mugabe revela uma diplomacia que não confere com a imagem que temos dele!

Entre iguais!

Sócrates sentiu-se assim entre um elevado número de líderes africanos que, pelos nossos padrões, podem ser considerados corruptos e ditadores. Caiu o Carmo e a Trindade entre a portuguesa gente! Francamente, não percebo porquê. Se Sócrates se classifica assim a si próprio, quem sou eu para o contrariar?

Backbiting (5)

Mariza e Cesária Évora a ilustrarem o momento cultural da Cimeira UE/África? Até parece um daqueles banquetes em que, dos aperitivos à sobremesa, tudo o que é servido leva natas. Bem sei que Mariza é a fadista do regime; todos vemos que ela tem o cabelo mais louro do que um viking da idade do gelo (Freud explicaria!), mas não haverá por aí outra fadista para representar a caucasiana Europa? É que para ilustrar os caminhos da cooperação (?) europeia com a negritude, Cesária chega e sobra.

Thursday, December 06, 2007

O jogging em inglês técnico

Quando o nosso Primeiro vai em visitas oficiais, é fatal como o destino, é vê-lo em equipamento Nike a dar à perna por avenidas fechadas, em deferência pelo seu prazer em correr em terra alheia, debaixo das objectivas dos paparazzi de ocasião.
Por cá, no dia-a-dia da santa terrinha, o mais que se lhe vê correr é a língua, quando, no hemiciclo do Parlamento, em cima dos delicados sapatinhos Prada, desanca os papalvos da oposição, que o votito popular lá colocou, como figurantes de luxo. No nosso cinzento quotidiano, bem podemos vasculhar a capital à procura de tão ilustre corredor de fundo, que o homem não põe os pés nas lusas vias, a não ser que evento popular o estimule, a bem dos flashes que piscam o olho ao voto popular, que, com tal proeza, visa conquistar.
Pois aqui fica um pedido - pelo menos que não termine a presidência portuguesa sem que o Primeiro engenheiro (?) dê um ar da sua graça, em calções da nova colecção Nike. Pode aproveitar a Cimeira EU/África para uma suada estafeta entre a tenda de Kadaphy e o Parque das Nações, ou a assinatura do Tratado, para uma meia maratona entre São Bento e os Jerónimos. Vá lá, nós merecemos, se não os tugas todos, pelo menos aqueles que votaram em si e que não devem ser apreciadores de outro esforço que não o de pernas, ou não estaríamos entregues a tão desportiva gente!

Cimeira UE/África

Para tudo ficar na mesma, eleva-se a irrelevância à mesa das negociações e serve-se fria. Darfur? Zimbabwe? Sida? Fome? Corrupção? Direitos Humanos? Bah, não estraguem a foto de família, por favor.
Entre tendas das mil e uma noites, banquetes e reuniões de alto nível nas suites dos hotéis de muitas estrelas, ninguém se atreve a dar o tempo por perdido. E, afinal, o que são dez milhões de euros para os depauperados cofres portugueses? Perdido por cem, perdido por mil, vai daí o governo faz como as famílias endividadas, foge em frente. Tudo acaba como começou, Sócrates respira de orgulho e africanos e europeus partem felizes. Volta tudo ao seu lugar.

Broken Mirrors

«All we have to decide is what to do with the time that is given to us. »
J.R.R. Tolkien

Backbiting (4)

A generosidade de Angelina Jolie não tem limites. Como podemos comprovar pela foto, tem levado muito a sério a preparação para a campanha contra a anorexia, que vai protagonizar. O que se sabe: o Pitt não está a gostar nada de tamanho "profissionalismo" da companheira; o que não se sabe: se a celebridade vai ganhar o seu peso em dólares. Pela amostra junta, ficará a ganhar se lhe pagarem a conta do médico.

Backbiting (3)



Jonathan Rhys Meyers, catapultado para a fama planetária pela sua interpretação de Henrique VIII, foi preso no aeroporto de Dublin por excesso de álcool e má conduta. Nada que nos admire, neste rapaz. Acontece que o actor, com um donativo simbólico para uma associação de caridade, conseguiu que o tribunal deixasse cair as queixas contra si, mandando-o em paz e liberdade. Saído bem desta, espera-se que o irrequieto actor se emende? Nem o espírito natalício nos pode levar a tais extremos de ingenuidade!

Dupond e Dupont

Gostei de ver Ângelo Correia no frente-a-frente com Luís Fazenda. E gostei, porque o representante do BE, engolidos os escrúpulos e a vergonha às colheradas empurradas por Sá Fernandes, deu a mão, o pé, e sabe-se lá mais o quê, a António Costa, para tentar justificar a negociata dos 500 milhões. Mas gostei, sobretudo, por constatar que o veterano político do PSD consegue ser tão contorcionista, palavroso e vazio como o governo Sócrates. Acenda-se, pois, a réstia de esperança que os bonzos do PS clamam faltar à lusa gente, agastados que estão com o rumo que o nosso Primeiro engenheiro (?) anda a dar a esta desgraçada nação, mas sem coragem para dizer que esperança é o melhor eufemismo que conseguem arranjar, quando pensam no que nos falta. E como a prestação televisiva do ajudante de Menezes deixou claro, não foi apenas para tratar dos negócios que se afastou da política, pois ficou evidente que só quando esta atingiu o ponto certo de trampolinice e opacidade é que o insigne empresário, qual valente rabejador, saiu a ajudar à lide de cernelha do autarca de Gaia. Sócrates que se cuide, que já temos politiqueiros para a troca, e ao povo pode apetecer mudar as moscas, sabendo que o resto fica igualzinho.

Jorge Pedreira, o soldadinho de chumbo

Continuando na senda do posicionamento de Portugal nos rankings mais variados, dos quais nós, o povo inculto e maledicente, seleccionamos sempre os que nos são menos favoráveis, olhemos para os resultados do Pisa 2006, que nos colocam abaixo da média nos indicadores de performance dos alunos portugueses - 37.º lugar entre 57 países e um desempenho abaixo da média nas ciências, conhecimento da língua e matemática.
Como reage o governo? Como é habitual, começa por relativizar o desastre relembrando que estamos muito bem acompanhados por alguns “grandes” na tabela inferir à média: Estados Unidos, Rússia, Itália, Noruega, Espanha, Luxemburgo; visto assim, já fazemos parte de um grupo de elite! Mas, desta vez, a equipa governativa da educação, já useira e vezeira em fazer pouco do povinho bruto e ignaro, vai mais longe e, pela voz do autorizado secretário de estado Pedreira, faz o diagnóstico e aponta a terapêutica: a culpa de tão baixo nível reside no exagerado número de retenções, que as escolas portuguesas continuam a praticar. Malandros e ignorantes, os professores, que assim ameaçam o futuro das brilhantes criancinhas e põem em causa o bom nome da pátria inteligência! Há que acabar com a maldição das retenções!
Para nos animarmos, e recobrarmos a esperança nos próximos Pisas, pensemos um pouco – este governo acabou com os chumbos por faltas; entretanto, prepara-se para acabar com os chumbos, de todo; pelo meio, conseguiu associar a avaliação dos docentes aos resultados dos alunos; acompanha estas medidas de secretaria com um discreto, mas contínuo, abaixamento dos níveis de exigência na qualidade e na quantidade dos conteúdos programáticos; coroa tão belas práticas, com uma acautelada “preparação” dos exames, para que os resultados destes contrariem as estatísticas da desgraça, e injectem esperança na alma lusa. Depois de tão concertadas medidas, alguém duvida que, dentro de uns anitos, poucos, estejamos a subir lugares na tabela como o João Garcia sobe aos tectos do mundo? Eu não duvido, antes tenho a certeza! Só que, contrariamente ao João Garcia, coitado, que perdeu o nariz nas gélidas aventuras montanhistas, o nariz do governo crescerá, tanto, tanto, que deixaria mudo de espanto o próprio Gepetto! Finalmente, ficaremos todos felizes! Cada vez menos sábios, mas felizes, a bem da nação!

Wednesday, December 05, 2007

PS e PSD chegaram a acordo na CML*

«Politics is the art of looking for trouble, finding it everywhere, diagnosing it incorrectly, and then applying the wrong remedies
Groucho Marx

* alguém acreditaria que seria diferente?

Antologia

Come back often and take hold of me,
sensation that I love, come back and take hold of me
when the body's memory revives
and an old longing again passes through the blood,
when lips and skin remember
and hands feel as though they touch again.

Come back often, take hold of me in the night
when lips and skin remember...

Constantine P. Cavafy

E por falar no Eurostat...

É certo que se enganou na taxa de desemprego - imperdoável! - mas a correcção do engano não nos colocou em melhor posição do que aquele honroso terceiro lugar a contar do fim da lista dos 27 parceiros europeus! A Eslováquia e a Polónia conseguem vencer-nos na corrida ao fim da lista dos que fazem do desemprego um objectivo a alcançar, mas com mais um esforçozinho e chegamos lá! Ai chegamos, chegamos.

Só pode ser mentira!

O Eurostat não é muito popular aqui pelas lusas praias, e, depois do engano de ontem com o desemprego, nem é muito credível, governo dixit. Apesar disso, o organismo europeu não foi desmentido pelo inquilino de São Bento, quando veio dizer que Portugal ocupa o penúltimo lugar da zona euro no que diz respeito ao acesso à Internet, superando apenas a Grécia. E esta, hem? Tanto blábláblá tecnológico, computadores às pazadas para dentro das escolas, mais o Zorrinho e sus muchachos, o governo que apregoa o choque tecnológico como a redenção de todos os males por que nos faz passar, e, vamos a ver, a pífia realidade é esta. E Sócrates não desmente? Será porque o inglês técnico não lhe chega para tanto?

Backbiting (2)

Fascínio não foi o que senti, quando “zappei” a nova novela da TVI. Com algum espanto, confesso, percebi que a outrora apetitosa Alexandra Lencastre feneceu a velocidade galopante. Seria ainda mais penoso vê-la a representar uma beleza sensual e aventureira, não se desse o caso de estar a fazer par romântico com um avelhado e balbuciante João Perry. Terá sido para disfarçar que os “embrulharam” no esplendor de Goa?

Backbiting (1)


Longe vão os tempos (1991) em que a revista People a elegeu uma das 50 pessoas mais belas do mundo. Aos 49 anos, sem a preciosa ajuda dos milagreiros de imagem, Madonna está um “caco”. De facto, os últimos instantâneos da senhora desfazem, impiedosamente, o mito do glamour, e deixam dúvidas acerca da propalada boa forma física da cantora. Repare-se nos olhos doentios atrás de óculos protectores, no ar abatido e, sobretudo, no enorme envelhecimento que as esqueléticas mãos e os cadavéricos braços denunciam.

Um Rei é um Rei, é um Rei, é um Rei!*

Por falar no ditador da Venezuela, com um (quase) empate técnico, 51% para o não e 49% para o sim, Chávez perdeu o referendo à revisão Constitucional, mas, se perdeu uma batalha, ficou mais próximo de ganhar a guerra. Podem alegrar-se os optimistas com a primeira derrota do dictatore, que eu apenas oiço dobrar os sinos pela morte anunciada do simulacro de democracia que Chávez encena no palco mundial. Que caia o manto da fantasia.
* ou a diferença entre Juan Carlos de Borbón e Mário Soares

Tuesday, December 04, 2007

Camarate forever*

Faz hoje 27 anos que morreu Sá Carneiro, e os saudosistas da personagem insistem em imaginar o que seria Portugal se não tivesse havido Camarate. Podemos repetir o exercício com variadas figuras da nossa história, que ficamos exactamente na mesma, isto é, com Sócrates em São Bento, o povo a gemer e o país a fenecer. Para os muito desesperados com esta triste realidade, aceita-se, a modos de terapêutica, que se dêem ao luxo de imaginar o que teria acontecido se D. Afonso Henriques tivesse morrido no ventre materno. A cura adivinha-se imediata, com a perspectiva de um Rei com coragem suficiente para mandar calar o ditador da Venezuela. E viva España!
* ou de como James Dean estava coberto de razão.

Thursday, November 29, 2007

Chantagem

Quando se candidatou, sabia o que o esperava. Esta atitude, agora, tresanda a chantagem. E a fraqueza. O fado da CML continua, só mudou o fadista.

Broken Mirrors

«N'ayez pas peur de faire de grands rêves»
Nicolas Sarkozy

Colonialismo (II)

A cimeira UE/África, a pretendida cereja no bolo que tem sido a presidência portuguesa, quase se tem limitado, até agora, ao fait divers em torno do vem/não vem de Robert Mugabe, que, de acordo com afirmação do próprio, vem. E, como ele vem, não vem Gordon Brown, e, por solidariedade com este, talvez mais uns quantos líderes europeus fiquem em casa e mandem os seus rapazes de mão. Ora, o que me parece triste, neste pandemónio de sensibilidades políticas, não é a presença de um e a ausência de outro, por muito que os analistas a soldo do regime nos queiram distrair com o foguetório do marketing político, para europeu ver. Mugabe fará a sua parte, o representante do Reino Unido a dele, mas nem será a este duelo que se limitará o sucesso, ou o insucesso do encontro, que, sim, ficará marcado pela capacidade que os dialogantes tiverem de ultrapassar os traumas da colonização, as questiúnculas políticas de circunstância, os conflituais interesses regionais, todos tão ao gosto dos africanos e tão apetecidos pelos europeus, que, digam o que digam, se encontram ainda reticentes a uma real parceria com o continente negro. Sendo indiscutível a utilidade e oportunidade deste diálogo UE/África, constata-se que, contrariamente ao que a propaganda do governo nos quer fazer crer, Sócrates e a sua equipa não eram os anfitriões mais indicados para este encontro, que, para cumprir os seus objectivos, requeria do organizador autoridade moral, credibilidade e peso político, bem servidos por um discurso corajoso para os ambos os lados do conflito Zimbabwe/UK. Ora, o que se vê é que, apesar da influência tutelar de Durão, apesar da confluência de interesses num lado e noutro da mesa, apesar do discurso de circunstância que vai de São Bento a Belém, a presidência portuguesa nesta cimeira está já irremediavelmente fragilizada pelo ridículo dos episódios de convida/desconvida, que Luís Amado aceitou protagonizar, quando ficou evidente que Brown não cederia a Sócrates e não se sentaria à mesma mesa que Mugabe. Sócrates, autoritário e vaidoso como é, mas também subserviente sempre que os seus interesses pessoais e futuro político falam mais alto, convenceu-se que, posto perante a inevitabilidade, Brown cederia. Enganou-se, porque nem Downing Street é São Bento, nem o reino de sua Majestade se verga, como a história está farta de nos demonstrar, e para comprová-lo nem é preciso recorrer a um manual em inglês técnico, porque as traduções em bom português abundam. Nestes meses de preparação, a dias do início da cimeira, de que nos foram dando, e continuam a dar conta os jornais e televisões? Palram sem cessar de Mugabe, que não se sabe se vem; de Khadafi, que ficará numa tenda e trará a guarda feminina; dos hotéis que estão cheios, com as delegações exóticas dos africanos, que acreditam desde o cozinheiro/provador ao cabeleireiro e manicura; do desconforto do governo português, que preferia que Mugabe não viesse; das ruas fechadas ao trânsito; dos carros blindados; de Mugabe, que sempre vem; de Brown, que não vem; de novo de Khadafi e da sua tenda, blablabla, rebobina e exibe de novo. Do que interessa discutir à mesa das conversações, do que se espera deste importante encontro, do futuro das relações bilaterais, de como gerir o que sobra a uns e falta a outros, do que é estratégico e do que não é, do que pode, e DEVE, a Europa fazer por uma África que ainda não encontrou o seu caminho, que a presença europeia poderá ter condicionado por anos, todas estas questões se esfumam atrás do nariz de palhaço de Luís Amado, a lamentar que Mugabe, afinal, tenha aceite o convite que lhe fez. À boa maneira portuguesa, a desculpabilização do desaire já começou, acusando-se Mugabe de ser o causador do ruído que abafa o real interesse deste encontro. Mas sobre este interesse nenhum membro do governo foi capaz de alinhavar duas frases coerentes. Se a crise Mugabe/Brown ofusca a Cimeira, não seria obrigação dos profissionais que pululam nas Necessidades e em São Bento prevenirem, antecipadamente, tal possibilidade? Será que ninguém, no governo, pensou um pouco que fosse nas razões que levaram a que esta cimeira estivesse adiada por tantos anos quantos Jacob serviu? Ou a vaidade cegou-os? Tal como a primeira, efectuada também sob a égide de uma anterior presidência nossa, esta Cimeira UE/África corre o risco de ser mais uma cimeira à portuguesa, isto é, com muita parra e pouca uva.

Wednesday, November 28, 2007

Colonialismo (I)

A leitura desta opinião de Licínio Lima remeteu-me para a memória dos últimos anos antes do 25 de Abril, mais correctamente, talvez, para o crescendo de vozes contra a guerra do ultramar, que se viveu no último ano antes da revolução de Abril. Vivi essa época com a intensidade de sentimentos que só se tem aos vinte anos, mas também com o distanciamento do real que alguns jovens, criados na pacatez de uma vida familiar de que está ausente a tragédia da guerra, conseguem ter. E, no entanto, posso dizer que sofri a guerra de muito perto, se bem que nenhum dos meus familiares fosse, à época, militar. E vivi essa guerra por dentro, porque estava no teatro da guerra, e porque grande parte dos meus amigos se fardou no intervalo dos bailaricos da nossa adolescência e dos cursos que nos deviam preparar a idade adulta. Alguns marcaram encontro com as balas dos que lutavam pelo que julgavam ser a sua liberdade, outros desfardaram-se sem traumas de maior, outros carregam até hoje os fantasmas dessa chamada às armas. Quem viveu esses tempos sabe que a guerra do ultramar se tinha tornado um pesadelo para as famílias dos mancebos, e para alguns destes também. Mais do que o amor à liberdade, mais do que as convicções democráticas, mais do que o respeito pelo direito dos povos colonizados à sua independência (tenham dito o que disseram depois dos cravos), a raiz da contestação destas famílias com filhos para dar à guerra era o medo, o medo avassalador da morte, ou de pior sorte, para os seus jovens. E mais ainda do que nestes, foi nas famílias que fermentou a revolta, que se instalou a resistência, que se clamou pela liberdade, a solidariedade e a democracia, mas tão só para abafar os sons do medo. A este não chamo eu cobardia, como fez o moribundo Franco, verbalizando o que outros povos de nós pensaram, e pensam, até hoje, porque chamar-lhe medo basta, para nos definir enquanto povo que é mais fado do que epopeia. Sempre percebi as famílias e o seu medo, sempre respeitei aqueles que estimam a sua vida acima de decisões que, a eles alheias, lhes querem encarreirar o destino para um fim trágico, que não escolheram. Percebi o indivíduo e as suas circunstâncias, porque a gesta heróica não é um peso que carregue qualquer um, apenas os visionários, ou aqueles para quem a vida só faz sentido na partilha e na pertença de um bem maior, porque de todos. Mas se alguns como eu compreenderam, e perdoaram a mentira que cobriu a soma dos medos individuais, outros houve que preferiram chamar-lhe liberdade, e confundi-la com um novo Portugal. Foi esse Portugal que não fez Abril por convicção democrática, embora esta possa ter estado presente no coração de alguns dos mais cerebrais militares do MFA. Foi esse Portugal que não fez Abril por querer devolver independência e dignidade aos povos que colonizou, pese embora o direito que a estes assistia, direito tão mal servido pelo discurso hipócrita de alguns corrompidos lateiros dos quartéis, que ficaram como heróis para triste memória colectiva. Foi esse Portugal que derrubou o regime envelhecido, que um também envelhecido Caetano carregava nos pouco convictos ombros, mas esse Portugal era apenas a soma dos muitos que tiveram medo, medo da guerra, medo da morte. Mais de trinta anos passados, podemos escrever isto, assim, aceitando e perdoando, porque ter medo é humano, todos o temos, e até Cristo, na cruz, na sua derradeira demonstração de humana divindade, escolheu o medo, perante a morte terrível, para invocar o Pai, e poder afastar de si tão cruel cálice.
Choca-nos a morte de um jovem português, hoje, numa guerra que não é nossa, mas que é de todos. A guerra dos seus avós também o era, embora, à época, todos preferissem esquecê-lo. E tanto era de todos, que o futuro que então se desenhou vive-se hoje na intolerância que cresceu no mundo, e que é a mãe de todas as guerras, todas nossas, estejamos ou não nelas. Pode lamentar-se Licínio Lima pela falta de evolução do mundo que conhecemos, mas, desde que o mundo é mundo, é mesmo assim, e, por muito que nos custe, vai continuar a sê-lo. Aos portugueses faltou compreendê-lo, então. Espero que as crianças que hoje assistem do pátio da escola ao enterro do jovem soldado tenham a oportunidade de aprender que, apesar da dor, apesar do medo, haverá sempre alguns que cairão, na luta de todos pela humanidade. Os seus avós preferiram não o perceber, com as consequências que sabemos. Detectam-se preocupantes sinais de que os seus pais estão a ser, eles também, conduzidos ao mesmo trilho. Insidiosamente, o medo instala-se, de novo. O fado vinga. A epopeia morreu há muito.

Tuesday, November 06, 2007

Broken Mirrors

«I trust that everything happens for a reason, even when we're not wise enough to see it
Oprah Winfrey

Oprah, o sonho desfeito?

Foi com o entusiasmo do sonho de um legado inteligente e generoso que a ultra famosa Oprah financiou, e mantém, uma selecta escola para meninas africanas, a Oprah Winfrey Leadership Academy for Girls, na África do Sul. Mulher de sucesso a nível mundial, Oprah percebeu que investir na educação de futuras líderes africanas pode ser um dos melhores investimentos a fazer pelo futuro de África. É, portanto, compreensível o choque e a revolta com que tomou conhecimento da violência e dos abusos sexuais praticados por uma professora responsável, contra alunas da academia. Oprah, ela própria abusada na infância, tem sido uma lutadora determinada contra os abusadores de crianças, pagando do seu bolso prémios pelo seu encarceramento, o que nos leva a acreditar no extremo sofrimento que estes infelizes acontecimentos lhe trouxeram. Apesar da desilusão que tudo isto não deixará de constituir, importa que não desista, nem do projecto, nem da elevada exigência com que o mesmo nasceu.
Don't give up Oprah. You are working for a better world.

Duelo à sombra

Ao que parece, Sócrates não deixou os seus créditos por mãos alheias e (sabe-se lá se de mão na anca), achou necessário vir lembrar os erros do oponente, no seu triste passado de governante. Do inquilino de São Bento não se esperava mais, lamenta-se é que não perceba que a sua sanha engrandece um adversário que não merece tanto trabalho. Diz o povo, que é sábio, que o desprezo é o pior castigo. O senhor engenheiro, que é um deslumbrado, não acredita. Depois, queixe-se!

Violência na escola

A ministra fala, fala, fala, mas nada do que diz vale nada, e nada do que faz serve de alguma coisa. Infelizmente, casos como o deste aluno, que aos 10 anos agride uma professora a pontapé e à dentada, são mais frequentes do que quer acreditar a maioria das boas almas, que chama malandros aos professores. A ministra sabe-o, mas convém-lhe ignorar o óbvio, porque agir em conformidade não rende votos e sai caro. Por seu lado, o governo fala em investigação prioritária para crimes como este, mas é só discurso para render nos telejornais, porque consequência é coisa que não têm actos como este. Com grande prejuízo dos professores, dos alunos e, sobretudo, dos próprios agressores, a quem a impunidade serve de escola de deliquência.

Jardins

The Butchart Gardens

Monday, November 05, 2007

Broken Mirrors

«Todos os acasos da nossa vida são materiais de que podemos fazer o que quisermos.»
Friedrich Novalis

Antologia

Renoir



Naquele “pic-nic” de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão de bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, indo o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos
E pão de ló molhado em malvasia.

Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!



Cesário Verde

Falta injustificada

A cronologia dos actos do governo quanto ao regime de faltas estabelecido no novo estatuto do aluno é reveladora da sua falta de convicção sobre a matéria, e de como a opção inicial, visivelmente defendida pela ministra, se destinava, simplesmente, a conseguir as estatísticas de um sucesso, que a realidade teima em desmentir.
Digam o que disserem a ministra, os deputados, secretários de estado e afins, houve recuo, porque o governo, cativo da sua incapacidade de inovar e enredado nas teias da sua própria propaganda, não foi capaz de dar o salto para uma mudança de paradigma, que poderia constituir-se como um projecto embrionário da nova Escola que, inevitavelmente, teremos que saber inventar, construir e manter.
Passou-se ao lado, desperdiçando uma rara oportunidade de usar um dos piores defeitos da ministra, que, para o caso, se revelaria uma qualidade inestimável - a sua obstinada surdez a tudo aquilo que não está no seu horizonte de decisão. Talvez porque, com coragem e visão, esta poderia ter sido uma boa decisão, fosse o governo capaz de a reconhecer e tomar.
Sócrates, ao que parece influenciado pela figura presidencial, terá sido o Sansão que cortou os cabelos à sua Dalila. Inverteram-se os papéis, mas, segurando a sua ministra, enfraqueceram ambos.

Jetlag

Para um país a braços com uma situação económica desconfortável, a predisposição deste governo para a passeata à conta do contribuinte é notável, pela falta de vergonha que representa.
Num arrobo de caridade cristã, e procurando deixar de lado a eventual demagogia a que uma leitura simplista nos pode conduzir, logo pensei que o aumento se justificaria porque o MNE teria um pesado follow up da presidência portuguesa, ou porque decidiu resolver as situações que tanto nos têm envergonhado, com a falta de recursos das nossas representações diplomáticas. Pasmei quando percebi que não é nada disso, que o big spender é o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior! Bem gostaria eu de perceber as boas razões para tal, mas, pelo que conheço da casa (e não é muito, registe-se) só consigo perceber tão chorudo fundo turístico pelas péssimas razões. Num ministério em que alguns organismos nem têm dinheiro para coisas tão básicas como comprar papel, toner, canetas, envelopes, mas em que os seus dirigentes passam a quase totalidade do seu tempo em reuniões, congressos e eventos vários no estrangeiro, não é difícil perceber a prioridade (e a irresponsabilidade) do governante. Se ainda se vissem resultados, até poderíamos aceitar as idiossincrasias ministeriais, mas é fácil comprovar que neste ministério nem o pai morre nem a gente almoça!
Estando Portugal tão bem colocado no ranking do e-government, não lembrou a ninguém substituir umas viagens por comunicações à distância? Sempre saía mais barato, e caía bem ao sacrificado contribuinte! Não é só andar a distribuir computadores pelas escolas, senhor Engenheiro Pinto de Sousa, é pôr em prática o que apregoa!

A guerra das estrelas

Santana Lopes, intuitivo como é, concluiu que já não lhe chega comparar-se a Sá Carneiro, porque o ilustre defunto jaz e arrefece há muitos anos, e nada diz ao Portugal votante de hoje. Calculista, PSL resolveu agarrar-se ao estribo de Belém (como se este estivesse vago, ainda mais para ele!) e compara um novo ciclo político, que ele pretende ver abrir-se com o seu «combate» com Sócrates na AR, à chegada ao poder de Cavaco, nos idos de oitenta.
Já sabemos que timidez e modéstia são qualidades que PSL não cultiva, mas até para ele esta associação se torna ridícula, apesar da erosão que o tempo provocou na qualidade da nossa classe política, triste fado ao qual já todos nos conformámos. Parafraseando PSL, está escrito nas estrelas que os portugueses, que até podem não saber para onde vão, sabem, de certeza, que não vão com ele a parte nenhuma.

Tuesday, October 30, 2007

Jardins

Chinese Scholar's Garden

Maria de Lurdes Rodrigues, a malabarista

Acabo de ouvir a senhora, radiante com a curva descendente dos números do insucesso escolar. Não fosse a personagem uma especialista em ajeitar as estatísticas, e veria com satisfação a descida de 7% na taxa média do insucesso escolar no secundário, nos últimos dois anos. Mas, conhecendo-se os hábitos da casa, e porque os dados da gaveta nunca serão divulgados, interrogo-me se estes números serão, pelo menos, a versão institucional, ou se, pior, apenas a versão show off. Mas temo bastante que seja esta última!

Catalina Pestana, a perseguida

On a clear day you can see... Catalina!

As razões que dão (?) razão ao governo!

O estudo coordenado por Roberto Carneiro diz-nos que 300 portugueses na casa dos trinta anos consideram que os serviços públicos funcionam pior do que o sector privado e que pretendem mais eficiência na administração, com menores gastos. O ministro Teixeira dos Santos rejubilou logo com as conclusões do estudo, mas será que olhou bem para a ficha técnica? Ou bastou-lhe o nome famoso do ex-ministro da educação, aliado à coincidência da “opinião popular” com a prioridade dada pelo governo ao corte de funcionários públicos?
E pensar que são estudos como estes que custam 190 milhões de euros aos contribuintes!

A locomotiva do PSD

Visita-se o site de Luís Filipe Menezes e verifica-se que parou no tempo, com uma excepção: o destaque dado à sondagem do DN/TSF/Marktest, que dava um quase empate técnico entre o PSD e o PS nas intenções de voto. Não muito subtilmente, relaciona-se a subida do PSD com a eleição de LFM - « Num estudo realizado após a eleições de Luís Filipe Menezes como líder do PSD, os sociais-democratas subiram oito pontos percentuais, ao passo que o PS que caiu cinco pontos.».
As ilusões são como os chapéus - há muitas! Cada qual escolhe a que quer.

Conselho de Estado - as questões menores

A saga da entrada de Menezes para o Conselho de Estado tem assumido contornos de extremo ridículo. Se, em seu momento, Durão e Sócrates, ficaram de fora, porquê tanta histeria com a ausência de Menezes de tão ilustre órgão de consulta?

Monday, October 29, 2007

Roberto Carneiro liderou o estudo, 300 portugueses responderam a contento do governo, o ministro das finanças rejubilou, e eis que tudo se encontra preparado para a limpeza que se esperava: cortes e mais cortes nos funcionários públicos, afinal a única medida que este governo sabe aplicar para a reforma da AP.

Thursday, October 25, 2007

Estatuto do Aluno

Teria razão o CDS/PP, se o objectivo do governo fosse outro que não o de trabalhar para a sua imagem e para as estatísticas favoráveis, com que quer mascarar a destruição sistemática que está a efectuar a algumas das estruturas essenciais da nossa vida colectiva, nomeadamente a Escola.
Sabendo ao que vem o governo, não tendo dúvidas que o quotidiano das escolas é uma guerra perdida pelo sucesso educativo (o que é isso?), o melhor é enfrentar a realidade com pragmatismo e desistir, não dando a impressão que se abandonou a luta.
Os alunos querem ficar em casa, na rua, no centro comercial? Problema das famílias. A escola informa das faltas e só precisa de saber se o aluno, apesar de não pôr os pés na escola, sabe o mínimo para lá regressar, e passar de ano! Querem melhor? Mas isto é um achado - os professores têm menos alunos na turma, uf, que alívio!; os jovens andam à solta, e, com sorte, aprendem mais na internet do que num trimestre inteirinho na aula; os papás deixam de ter manhãs de combate a tentarem enfiar as lindas criancinhas na escola; e aquelas que se perdem pelos esgotos da vida, serão aqueles que se perderiam de qualquer maneira.
Em nome da paz podre, dos resultados a fingir e das escolas imaginárias do sucesso educativo, aprovo.

Antologia

«When Peter the Great was Czar of Russia, some potentate presented him with a full-blooded Negro of gigantic size. Peter, the most eccentric ruler of modern times, dressed this Negro up in soldier clothes, christened him Hannibal, and made him a special body-guard.
But Hannibal had more than size, he had brain and ability. He not only looked picturesque and imposing in soldier clothes, he showed that he had in him the making of a real soldier. Peter recognized this, and eventually made him a general. He afterwards ennobled him, and Hannibal, later, married one of the ladies of the Russian court. This same Hannibal was great-grandfather of Pushkin, the national poet of Russia, the man who bears the same relation to Russian literature that Shakespeare bears to English literature.»
James Weldon Johnson's 1922 Preface to The Book of American Negro Poetry

Jardins


Garden of the Humble Administrator, Suzhou, China

Brujería

Duas das conclusões da Fourth Community Innovation Survey (CIS 4)*:
- Melhorar a qualidade de bens e serviços é a prioridade das empresas com maior capacidade de inovação, em 17 dos 27 países da UE.
- As consequências da inovação para a redução do impacto ambiental e a melhoria das condições de saúde e segurança, pelo contrário, são aspectos negligenciados, na tabela das suas prioridades, pela maioria das empresas líderes de inovação, nos 27 países.
Em Portugal, ao contrário da tendência europeia, as empresas com maior capacidade de inovação atribuem pouquíssima importância à capacidade de produção e à melhoria de bens e serviços, apesar de pretenderem entrar em novos mercados. As suas maiores preocupações centram-se na redução de mão-de-obra e dos custos de produção, mas o seu principal objectivo é reduzir materiais e energia por unidade produzida. Portugal é ainda um dos países que dá maior importância, na sua escala de prioridades, à redução do impacto ambiental.
*Fonte: Eurostat – Community Innovation Statistics, 2004

Monday, October 22, 2007

Mariano Gago pode ser o ministro da tecnologia...

...mas o seu ministério não dá um bom exemplo de modernidade e de actualização. Meses depois de uma nova lei orgânica ter alterado a estrutura e a designação de alguns dos organismos do MCTES, o sítio do ministério continua imperturbavelmente imutável, enquanto que, em seis meses, alguns dos renovados organismos ainda não tiveram tempo de criar uma página sua! E é o Portugal de Sócrates um craque no e-government...!

Tratado de Lisboa

Só pode ter sido uma descoberta dos americanos, a de que os europeus não devem ser chamados a referendar o Tratado, porque não conseguem perceber os termos do mesmo. A partir de agora, os 27 magníficos podem avançar, calmamente, para os referendos internos - quem é que vai querer ser mais burro do que o vizinho?
Referendem, referendem, que vai ser limpinho - Yesss!

Saturday, October 20, 2007

Mais uma voltinha, mais uma viagem!

Pedro Santana Lopes fez-se eleger líder parlamentar, com o beneplácito de Menezes, que não tinha, convenhamos, muitas alternativas. Esfregam as mãos de contentes os antagonistas de ambos, porque pensam que os dois coelhos se matam entre si, pouco importando se com uma cajadada, se com uma saraivada delas, que as circunstâncias parecem correr a favor do extermínio breve de um deles, ou de ambos. Talvez se enganem os que esperam livrar-se, de vez, destas duas personagens, que parecem querer tornar-se a prova viva do ditado popular, que augura perenidade às ervas ruins. O certo é que ambos já “morreram” politicamente, e ei-los agora, fresquinhos e saltitantes, de novo na ribalta. Aceitemos que os debates na Assembleia se vão animar, embora a vantagem dessa animação para o desgaste do Governo não seja fácil de vislumbrar. Por outro lado, há aqueles que vaticinam que as “comadres” se zangam em menos tempo do que aquele que o Professor Marcelo gastou a prever a derrota de Menezes, mas pode ser que se enganem tanto, quanto o professor sobre o resultado das directas. O certo é que Menezes, aparentemente incauto, dá a PSL o palco de que este precisava para retomar o “seu” PPD/PSD, um retorno de Santana à primeira linha, que poucos julgariam possível, até há bem pouco tempo. Dizem os domadores de feras que a melhor maneira de lidar com estas é segurá-las pela cauda, domadas a pulso. Será? Menezes é suficientemente suicidário para acreditar nisto, e pô-lo em prática. Mas será que poderia ele lidar com o “problema Pedro” de uma outra forma? Barroso foi forçado a “engolir” PSL numa “parceria estratégica” não muito diferente da actual entre Menezes e Santana, Mendes não o fez e viu-se no que deu deixar o Pedro a andar por aí.
Estará o PSD refém do sortilégio de um santanista PPD, o que quer que isso seja?

Le divorce des Sarkozy

O divórcio dos Sarkozy, oportunamente anunciado "em cima" da Conferência de Lisboa, tem vindo a ocupar um lugar de destaque na comunicação social francesa, apesar da relativamente inesperada “facilidade” com que os parceiros europeus chegaram a acordo quanto ao Tratado, apesar da crise laboral e sindical em França, e, sobretudo, apesar da agenda frenética de Nicolas, cada vez mais empenhado em tornar-se o grande líder europeu de que a União precisa, papel que os seus antecessores tinham perdido, sem apelo, para a Inglaterra, com Blair, e para a Alemanha. No Le Monde, esta atenção dos media à separação do casal presidencial é analisada, em entrevista, por Raphaëlle Bacqué, que não hesita em afirmar que « le divorce d'un président n'est pas seulement purement anecdotique. C'est encore une fois un événement inédit qui a sa place dans l'information. Dans quarante-huit heures, cependant, vous verrez que le sujet se sera considérablement dégonflé

Por outro lado, se a personalidade, o magnetismo e a capacidade de liderança de Sarkozy são já reconhecidos, internamente e na Europa (sabe quem esteve na Cimeira que foi, inquestionavelmente, a sua intervenção que “resolveu” o acordo do Tratado, embora a nossa subserviente imprensa prefira enaltecer as virtudes da diplomacia portuguesa), se o divórcio não deverá fragilizar psicologicamente o Presidente francês, poderá, contudo, haver consequências políticas indirectas da ruptura matrimonial do inquilino do Eliseu, como Bacqué admite: «Cette séparation peut avoir cependant des conséquences indirectes. Car Cécilia Sarkozy avait écarté ou promu différentes personnes autour du président. Les bannis d'avant peuvent donc revenir, les promus se retrouver moins favorisés.».

Se a queda dos preferidos de Madame Sarkozy poderá significar futuras dificuldades para a política interna francesa é o que ainda não se sabe, mas, atendendo a que a atraente Cecília não era, de todo, o elemento político preponderante na família, a crise, a haver, não será nada que o determinado Presidente francês não consiga resolver, com sucesso.

Monday, October 08, 2007

Santana Lopes ao velho estilo

Aplaudido por (quase) todos, por ter ousado levantar-se de uma entrevista interrompida para um directo com Mourinho, esquece o povo que o Pedro apenas voltou a exibir as características pelas quais o trucidaram enquanto Primeiro-ministro: incoerência, inconsequência, arrogância, vaidade, toleima, tolice... Não fora a inveja nacional, que se agiganta perante todos aqueles que têm sucesso, por mérito próprio, fora da mediocridade e das capelinhas tugas, e o acto de PSL não passaria daquilo que é - apenas mais uma das suas fanfarronadas.

Sai Mendes, entra Menezes, mas a roda continua

Acompanhar a opereta da transição da liderança no PSD, em férias, lendo, vendo e ouvindo as notícias na dolência morna da piscina e do golf, tem o seu quê de tragicomédia hardcore. Entretanto, seria bom que alguns notáveis, que saltitam de líder para líder, ou que se resguardam para a tal manhã de nevoeiro, percebessem que esse estatuto os obrigaria a saber ler o próprio prazo de validade. Já fedem!

Depressão?

Não por aqui, felizmente.
O 4R - Quarta República vai estar nas livrarias, para grande satisfação de todos os seus fiéis leitores. Lá estaremos, no dia 17 de Outubro, pelas 19 h e 30m, no espaço da Livraria FNAC no Centro Comercial Colombo em Lisboa.

Faz falta, muita falta.

O Bloguítica acabou? Pode lá ser!
Terá sido a depressão que conduziu ao suicídio, ou Paulo Gorjão ficou sujeito à lei das incompatibilidades? Seja qual for a razão, é uma baixa de peso.

Blogosfera portuguesa, a depressão

A Espanha bloga que se farta, e bem, no Brasil bloga-se com juventude e entusiasmo, como se joga futebol, mas por cá definha-se. Quem o escreve é Paulo Querido, anunciando que a depressão também já chegou à blogosfera tuga. Não surpreende, a "maleita", neste país cada vez mais cinzento e mais silenciado, reverente perante o crescentemente desavergonhado equilibrismo propagandístico do governo. O que se poderia esperar? - o deserto, diagnostica bem Paulo Querido, e questiona, assim, a inércia blogosférica: «há quanto tempo não temos um encontro, um congresso, uma exposição, um evento qualquer que ele seja, relacionado com a web de hoje e os desafios para a democracia e para a sociedade?». Responda quem pode, e quer, mas temo que a depressão não seja de todo alheia ao fenómeno que tem minado a credibilidade dos partidos e de organizações várias - as armas de barões corporizados, que nesta triste praia lusitana, suas capelinhas nunca deixam descuidadas, à insignificante mole humana desprezada.

Quando pensamos que nada valeu a pena...

...descobrimos uma paixão comum, ainda que em diferentes versões.

Wednesday, September 12, 2007

Dalai Lama em Portugal


Governo e PSD, iguais na hipocrisia .

Abertura do ano lectivo

Começou hoje, com pompa e circunstância (leia-se ministros e computadores), mais um ano lectivo. Se não importa saber se começou para muitos, ou poucos alunos, porque até segunda-feira todos os estabelecimentos de ensino terão que ter começado as aulas, já não deixa de ter interesse demorarmo-nos, um pouco, na agenda do governo, para a rentrée escolar. E o que se nota, desde logo, é que se trata de uma agenda mediática, com a presença do Primeiro-ministro numa escola de Oeiras (só pode ser um karma do Marquês, pois mudam-se os governos, mas todos eles acabam a prestar vassalagem naquele estabelecimento de ensino), da ministra da tutela em Guimarães, e de vários ministros, em diferentes pontos do país. A abrilhantar cada uma das ilustres presenças, a distribuição de computadores portáteis a professores e alunos, pondo, assim, em marcha os projectos e-Professores e e-Escola, projectos que nos remetem, de imediato, para uma imagem de Escola de excelência, servida pelas mais modernas tecnologias, e propiciadora dos melhores resultados. Não satisfeita com este apetitoso “bolo”, aproveitou a ministra para nele vir hoje colocar a “cereja” de prometida escolaridade obrigatória de 12 anos, a ser uma realidade já em 2009, a tal mézinha que, nas palavras da excelsa senhora, irá «criar condições para que, dentro de dois anos, todos os jovens permaneçam na escola até aos 18 anos».
Postos os factos do dia, apagados os holofotes dos telejornais, e descartado qualquer comentário a propósito da propaganda, de tão habituados que já estamos a ela, vamos ao que interessa. E se o que interessa, mais do que os pontos de partida, são os resultados, estes, apesar do ruído do governo e da maneira habilidosa como este baralha os números, continuam a ser tão maus, que nos restam poucas esperanças de levar a bom porto esta barcaça da educação.
Fosse o ME uma empresa privada, num país a sério, e os resultados que apresenta, face ao investimento que faz, já teriam tido como consequência a demissão da “CEO” em funções. Subservientes, há por aí uns líricos que dizem que Roma e Pavia não se fizeram num dia, que está em curso uma revolução silenciosa (hum? tiraram o som à televisão?), que este governo está a mudar o panorama da educação em Portugal, blablabla… Os que assim pensam, ou são umas santas almas, ou o fado corre-lhes nas veias, ou não resistem a pregar um bom embuste ao povinho. Acham que é má-língua minha? Ora, perguntemo-nos: são computadores às dúzias que, por si sós, resolvem o problema de currículos inapropriados, desajustados e sem coerência horizontal e vertical? ou que conseguem suprir a falta de condições básicas, em recursos humanos e materiais, de muitos estabelecimentos de ensino? ou compensar o excesso de alunos por turma? ou resolver lacunas importantes na formação inicial e contínua de professores? ou acabar com os problemas da violência nas escolas? Não, não é distribuindo computadores às pilhas, gastando dinheiro em quadros interactivos, que quase ninguém sabe utilizar, ou multiplicando as salas TIC, que vão fenecendo por falta de manutenção, que estes problemas se resolvem. Sou, por pensar assim, contra o facto de se equiparem os estabelecimentos de ensino com material tecnologicamente avançado, ou de se facilitarem condições para que alunos e professores se tornem melhores utilizadores das novas tecnologias? De modo nenhum, mas é do senso comum que antes de passar ao baile se alimente o corpo com a boa mesa, e o que se assiste com este desgoverno é que tem sido descurado o mais básico, porque não atrai o primetime televisivo, e, em manobras de novo-rico, se gastam milhões em equipamentos, que em muitos países ricos são considerados um luxo. É inquestionável que as medidas do governo na gestão e organização escolar, na política de contratação de docentes e técnicos, na reorganização da carreira docente e na gestão do parque escolar têm sido poucas, mas podiam ter sido, por isso mesmo, boas. Ora, não são, e, quando analisadas desapaixonadamente, facilmente se lhes descobre o pendor fortemente economicista, cego e com preferência pelo acessório, a falta de visão estratégica, a ausência de inovação e uma orientação global mais condizente com a vontade de aligeirar responsabilidades à administração, do que de criar verdadeiros redutos de autonomia e de excelência no universo escolar.
Iniciámos mais um ano lectivo, neste faz-de-conta morno, que se vai tornando habitual, e que é tão verdadeiro como a afirmação da ministra de que com uma escolaridade obrigatória de 12 anos criamos condições para que «todos os jovens permaneçam na escola até aos 18 anos». Esquece ela, oportunamente, que não é por termos uma escolaridade obrigatória de 9 anos que vem diminuindo o abandono escolar, em jovens do 2º e 3º ciclos, mas nem vale a pena lembrar-lho, que a senhora desmente os números, por mais insuspeitos que sejam os organismos internacionais que os produzem. É preferível fazermos todos de conta que acreditamos na propaganda oficial, e, cantando e rindo, como no tempo do outro senhor, batermos palmas quando a caravana ministerial chega.

Tuesday, September 11, 2007

11 de Setembro




Como morreu Maddie McCann?

Tenho falado muito pouco de Maddie McCann, aqui, mas o que me espantava a 29 de Maio, continua, em minha opinião, a marcar este caso, ainda mais depois das provas e contraprovas forenses virem deixar a quase certeza da morte da infeliz criança. O meu espanto é, decerto, o de milhões de pessoas em todo o mundo, tal foi, nestes quatro meses, a dimensão planetária que este caso assumiu. Se parece hoje muito fácil pensarmos que a tese do rapto, e todo o circo mediático montado ao redor desta possibilidade, apenas serviu a necessidade de criar uma cortina de fumo para encobrir a morte da criança, e para se baralharem e destruírem evidências que conduzissem a investigação, demasiado cedo, a esta pista mais macabra, ganha pertinência interrogarmo-nos sobre o porquê desta necessidade ser partilhada pelos pais e por pessoa, ou pessoas indeterminadas, cuja ajuda não puderam deixar de obter.
Efectivamente, compreende-se que, tendo Maddie morrido no fatídico dia 3 de Maio, os pais, temerosos das consequências que daí lhes poderiam advir, a nível pessoal, profissional e familiar, possam ter agido, rápida e friamente, fazendo sair o corpo da filha do apartamento, e simulando um rapto. Compreende-se que, cultos e informados como são, tenham antecipado que, quanto mais visível e credível fosse a sua convicção num rapto, mais probabilidades haveria de que as investigações se orientassem, preferencialmente, nessa direcção, e para o que acontecera no exterior do apartamento, mas concluir isto é concluir, também, que os pais pretendiam, ou necessitavam, que a passagem do tempo atenuasse os vestígios da morte da filha no apartamento, tornando estes bastante menos conclusivos, e que esta necessidade dos pais terá sido partilhada por quem os ajudou, ou lhes arranjou ajuda. O que continua a não se perceber, apesar da agora conhecida ligação familiar dos McCann a certas “alavancas” no governo britânico, é a capacidade que os pais tiveram: primeiro de, em escassas duas horas, num país estrangeiro, arranjarem a(s) ajuda(s) necessária(s) para transportar, guardar, ou desfazer-se do corpo da criança; depois, de, em pouquíssimos dias, terem tido a possibilidade de falar com governos e reis, de chegarem ao Papa, noVaticano, de porem a foto de Maddie em jornais e televisões de todo o mundo, correndo o risco, calculado, de transformar o rosto da filha no mais mediático, à escala global, depois do da princesa Diana. E o risco de fazerem esta exposição de Maddie era mortal, para ela, se o rapto fosse real, facto que os pais tinham que conhecer, perfeitamente. Também não terá sido a extrema e mórbida avidez dos principais media mundiais por este caso, avidez muito real e não inteiramente compreensível, pelo menos logo no início dos acontecimentos, que, por si só, conseguirá explicar os meios de que os McCann dispuseram, para o seu encontro com as instâncias políticas e policiais mais elevadas, em vários países.
Pode ser que, tal como nos crimes de Agatha Christie, tudo seja muito simples e óbvio, e, de tão simples e óbvio, tenha sido, numa primeira abordagem, negligenciado pela polícia, mas esta tese de negligência policial não parece ter pernas para andar. De facto, não é normal o protocolo da acção policial descartar o que é mais provável, paralelamente a outras linhas de investigação, e as estatísticas policiais apontam, infelizmente, para uma probabilidade elevada de que os crimes contra menores aconteçam no interior das próprias famílias. Não parece, por isso, provável que, mesmo postos perante uma fenomenal acção mediática, como aquela a que se assistiu, e assiste até hoje, os investigadores possam ter negligenciado uma discreta vigilância de eventuais movimentações suspeitas dos pais da criança, logo desde o desaparecimento desta.
Que a polícia portuguesa não teve, de imediato, recursos técnico-científicos para as provas forenses, que providenciou que viessem a ser efectuadas no Reino Unido, é um facto, mas não é imaginável que tenha, desde logo, descartado a possibilidade de os McCann estarem envolvidos no desaparecimento da filha e, a comprová-lo, está o caminho que as investigações foram seguindo, orientadas para a provável morte de Maddie, independentemente de os pais se manterem agarrados, sem desfalecimento, à tese do rapto.
Ora, é por não acreditar que os McCann, nas barbas da polícia e debaixo dos holofotes dos media, tiveram tempo e espaço para poderem mobilizar o corpo da filha, que teria saído do apartamento no dia 3 de Maio, sabe-se lá para onde, para que este pudesse vir a deixar vestígios fisiológicos no tristemente célebre Renault Scénic prateado, alugado por eles 25 dias depois do desaparecimento de Maddie, que o rumo que as investigações estão a tomar me parece vir dificultar, em vez de facilitar, a descoberta da verdade. Se houve tempo e recursos, no dia do desaparecimento, para retirar o corpo da criança para um local que a polícia nunca conseguiu descobrir, para quê guardá-lo para que, quase um mês depois, os pais tivessem que o colocar no Renault, para dele se desfazerem, de forma tão eficaz, que não foi encontrado, até agora, apesar dos cães, dos videntes, dos peritos, e de toda a parafernália de meios luso-britânicos aplicados nas buscas? Se os McCann tiveram que fazer ocultar o corpo da filha, na noite de 3 de Maio, necessitaram, e obtiveram, ajuda para isso, o que não joga com uma desajeitada e arriscadíssima manobra posterior, para se desfazerem eles próprios do cadáver, com recurso à utilização do automóvel que estavam a usar e que, sabiam-no bem, seria objecto de inspecção pericial. A ter-se verificado isto, para além da aparente estupidez dos actos, que não confere com o perfil de frieza e os conhecimentos profissionais de ambos os pais, teria de ter havido uma total desatenção da polícia, dos media, e dos muitos curiosos mórbidos, que não perdiam pitada das movimentações da família.
Parece, no meio de tudo isto, colher a tese segundo a qual, perante a morte acidental da criança, os pais, com elevada dose de “profissionalismo”, conseguiram a atenção dos media para um possível rapto, para darem uma exposição tal à filha, que o eventual achamento posterior do corpo desta, alegadamente morta pelos seus raptores, se poderia vir a justificar pela extrema mediatização do seu rosto e das suas particularidades físicas, que lhe teriam “anulado” qualquer valor no mercado da venda de crianças. Mas, se esta tese pode colher alguma credibilidade, voltamos às velhas questões: Quem esteve por trás do “profissionalismo” mediático dos McCann? Quem os ajudou a montar a gigantesca, e extraordinariamente bem conduzida, busca mundial de Maddie McCann? Quem lucrava com isso? Quem tinha os meios? A resposta a estas questões obtém-se quando se conhecerem as causas da morte da menina, pois, nas causas dessa morte, por acidente ou dolo, estará a chave para se poder deslindar este mistério. Mas será que alguma vez se saberá como morreu Maddie McCann? Pelos contornos do caso, a descoberta da verdade é uma possibilidade que me parece cada vez mais remota.

Thursday, September 06, 2007

Professores titulares, mas pouco

No discurso oficial, e na letra da lei, o ME considera incompatível a categoria de professor titular com qualquer forma de mobilidade, nomeadamente requisição para desempenho de funções nos organismos do ministério da 5 de Outubro, mas... Este pequeno "incómodo", que uma lei pensada para poupar dinheiro e vender uma imagem de rigor, exigência e eficiência não acautelou, em tempo, num ministério carregado de professores requisitados, foi rápida e ladinamente resolvido pela intelligentsia que Maria de Lurdes Rodrigues comanda: em segredo, os professores titulares mantêm-se em funções no ME, já não como requisitados, mas de empréstimo, a tempo parcial. No segredo das alcatifas dos gabinetes ficam as horas que estes professores de topo darão ao ME e à escola, o estatuto que terão, como titulares emprestados e, mais importante, que mais-valia representam eles para as escolas a que foram obrigados a regressar, quais fantasmas paraquedistas. É esta a seriedade do ME e deste governo.

Números...

Uma das armas da governação assente na propaganda é a sua capacidade para “vender” os números como melhor lhe convém. As estatísticas? Bah! as nacionais “trabalham-se”, as internacionais lêem-se com lentes de aumentar, quando interessa, ou desvalorizam-se, por incompetência técnica de quem as produz, quando o sol é tanto que a peneira não o consegue tapar!
Três exemplos, engraçados, que nos caíram em cima, a reboque da actualidade, que parece teimar em querer desmentir os números, ou em sequência de relatórios pouco cómodos, para este acto da opereta que protagonizamos.
Uma vaga de assaltos a bancos, ourivesarias, correios, bombas de gasolina, residências e outros locais de interesse, na perspectiva da gatunagem, tem alarmado cá o burgo, que a governação quer sonâmbulo e domesticado. Vai daí, surgem os números (que, tal como o algodão do mordomo, não mentem!): “A criminalidade violenta participada à PSP e à GNR diminuiu 16,2 por cento no primeiro semestre de 2007 relativamente a igual período do ano anterior, segundo dados que o ministro da Administração Interna leva hoje ao Parlamento.”
Não conhecendo os dados do ministro, e acreditando que a notícia relevou o essencial, não deixo de reparar que o aumento da criminalidade registado em 2007 se situa nos crimes contra o património :" os crimes de extorsão (mais 38, 9 por cento), os roubos a tesourarias e estações dos correios (mais 33, 3 por cento), a motoristas de transportes públicos (mais 5,3 por cento), a coacção sobre funcionários (mais 5,2 por cento) e os assaltos a postos de combustível (mais 3,9 por cento)", pelo que a ligeira descida verificada na globalidade da actividade criminosa não me parece de embandeirar em arco. Em vez de um ministro todo contentinho com estes números, seria melhor saber que o governo faz a leitura crua e dura para que esta criminalidade remete, e actua em conformidade, prevenindo. Não é só cumprir o défice, reduzir despesa à custa de acabar com serviços e lançar pessoas para o desemprego, ignorar os custos sociais das medidas pouco sensatas e nada criteriosas de um governo que só sabe poupar à custa do essencial. Os resultados desta política cega começam a aparecer, e isto é só o princípio.
Outro exemplo, os incêndios. No ataque à devastação das chamas, o governo quer mostrar obra, o que não se leva a mal, embora eu preferisse que tivesse obra feita para mostrar, o que é bem diferente. Em plena época de fogos, terminada que parece estar a fase fria deste Verão do nosso descontentamento, com os fogos a surgirem às primeiras temperaturas de 30º, o governo apressa-se a vir informar-nos que: “Este ano registaram-se 7081 incêndios e fogachos, o que representa 38,6 por cento da média de 18.361 no período 2002-2006.” Hum! À primeira leitura respiramos de alívio, mas, depois, lembramo-nos que este Verão foi o menos quente dos últimos 20 anos e, já com a pulga atrás da orelha, passamos a desconfiar do porquê da comparação dos números deste ano com a média do período de 2002/2006. O relatório, visto a correr, não parece responder a isto, mas… Entretanto, e a parecer dar razão às nossas dúvidas, somos surpreendidos com a “eficiência” da prevenção aos incêndios com a informação de que “O sistema de televigilância do Parque Natural da Arrábida (Ciclope), criado em 2003 para prevenir os incêndios e garantir a manutenção da área protegida, está desactivado desde Maio devido a avarias em nove das dez câmaras de vídeo.” Ups! Lá se vai a propaganda por água abaixo!
Finalmente: a insuspeita OCDE veio dizer que o abandono escolar em Portugal não só não diminuiu, como subiu em 2006/07, situando-se muito perto dos 40%. Vai daí, a senhora ministra, que, convém não esquecer, além de irrascível, é uma especialista em malabarismos com números, apressou-se a vir desmentir o organismo internacional, dizendo que “a taxa de abandono escolar precoce diminuiu três por cento em relação ao ano passado, situando-se em 36,3%” e “manifestando-se confiante que essa percentagem chegue aos 30 por cento ou abaixo até 2010.” De onde tirou ela os números? é uma incógnita, mas acredito que seja uma “fezada” da senhora, tal como aquela que a inspira a apontar para uma redução da taxa até 2010, uma vez que não há, que se saiba, uma avaliação externa e independente, que permita retirar conclusões do aumento da oferta de cursos profissionais e de educação/formação, nomeadamente em termos de atracção de alunos e da sua manutenção no sistema. Se a fé é que nos salva, pois tenhamos fé nas “fezadas” desta ministra, já que números é com ela!

Férias na Jamaica

Provavelmente na expectativa de emoções fortes, que sucessivos furacões talvez ainda consigam arrancar aos adormecidos tugas, a rota das tempestades tropicais parece ter-se tornado um must nas opções dos portugueses, para a nossa silly season. É uma opção silly? É, mas cada um tem o direito de optar como quer, e o Algarve está pela hora da morte, na season, uma season bem à dimensão tuga: nova-rica, a dar-se ares de cosmopolita, mas efectivamente mixuruca e pacóvia.
Ora, se bem que a silly season portuguesa, nos últimos anos, tenha sofrido um upgrade para os restantes meses do ano, e engordado, esgotadas que foram as disponibilidades do calendário, a rentrée, mais do que a silly, ela própria, adquiriu já características de uma season, com direito a marca registada e calendário incontornável, Setembro (mas, registe-se: o seu sucesso é tal, que a rentrée começa a ganhar terreno, surgindo já, esplendorosa, por meados de Agosto!). Seja pela recém-descoberta e tão propalada síndrome pós-férias, seja porque o sol nos torrou a moleirinha, seja porque os furacões nos arrasam as férias caribeñas, seja porque São Pedro descarrega os desequilíbrios da andropausa brindando-nos, ora com incêndios infernais, ora com enxurradas monumentais, a verdade é que entramos Setembro com tal fúria para o disparate, que justificaria, terminado o mês, uma cura prolongada, num spa especializado. Admitamos, é assim pela caduca Europa, mas nós, como em tudo o que é pior, nunca deixamos os nossos créditos por mãos alheias, e exibimos, orgulhosamente, um honroso lugar cimeiro na tabela da patetice.
Ele é um ministro das finanças que, alarvemente, se regozija com taxas de crescimento arrasadoras para as expectativas mais sombrias que ainda conseguíamos ter; ela é uma ministra que passa, orgulhosa e ufana, sobre dezenas de milhar de profissionais sob a sua tutela, lançados para o desemprego porque as políticas para o sector têm sido cegas, desastradas e desconexas; eles são dois inenarráveis políticos profissionais, qual deles o mais inócuo e ineficaz opositor a este regime que nos sufoca, a degladiarem-se, como galarotes de combate, para chefiarem um partido em coma auto-induzido, tal é a força da crença que tem na rotatividade do ciclo político; eles são os fazedores de opinião que, interrompido o filão dos cães descobridores de cadáveres, se apressam a abocanhar o puto que vai às fêmeas de virtude duvidosa, e que depois, em crise absoluta de imaginação, não desdenham enlaçar os poucos centímetros dos bikinis da Diana Chaves nos(as) acompanhantes rotativos(as) da menina, que, à conta do olho para o negócio de alguns "profissionais" da informação, factura a galope entre as areias da Caparica e as piscinas in cá do burgo. Pelo meio de tanta silly desfaçatez pública, os assuntos mais sérios, e “privados” também têm a sua season: a Presidência da UE parou para férias, mas, nem assim, os atrasos nos importantes dossiers nacionais se recuperaram, que ministro também é gente e tem direito a molhar a pata, sem ser na poça em que, habitualmente, chafurda; os partidos da oposição, os sindicatos, os parceiros sociais e afins, não recuperaram da crise de incompetência crónica de que dão mostras, e aprestam-se a demonstrar eficácia “refrescando” os “trapinhos” com que abrilhantaram a passada season, enquanto que entre São Bento e Belém continuam a soprar os ventos de concórdia, que alguns teimam em querer ver estremecida por uns vetos da silly season, quando tudo não passou de um ensaio para o second life.
Terminada a descontracção da silly season, devidamente compreensível durante a mesma, eis-nos, por obra e graça da incontornável rentrée, regressados à season habitual, tão silly como a legítima, mas a exigir-nos ar mais sério e pose compenetrada, como se, de facto, acreditássemos que não estamos mais pobres, que a nossa economia não continua a patinar, que a educação não se mantém atolada no lamaçal que conhecemos, que a saúde já não está moribunda, que o governo não está apenas a propagandear a um ritmo alucinante, para disfarçar, que a oposição não se entretém a dançar o bolero de Ravel, para empatar, e que todos nós fazemos outra coisa que não seja esperar que o tempo vá passando, e que um milagre aconteça, livrando-nos deste triste fado. E assim, como valsinha em baile familiar, o ciclo do tempo cumprir-se-á: os dias correrão ao sabor da mediocridade do costume, inventar-se-ão factóides, mentirá o governo, assobiarão as oposições, nós adormeceremos e acordaremos entre novelas e futeboladas, ao som de inconsequentes apitos de várias cores, enquanto que uns, os que podem, encherão as contas bancárias, e o povinho empobrecerá cada vez mais. Mas, no pasa nada, que o tuga é fixe e acredita no Pai Natal. O milagre chegará um dia, sem dúvida, para cada um de nós, na sua hora, quando o fim da nossa aventura terrena nos livrar de todas as dificuldades e angústias. Até lá, há que sobreviver, se possível com algum humor, que a season está para durar, e mais silly do que nunca.

Thursday, August 16, 2007

Elvis

Princípio



Fim



Deixou-nos há 30 anos, depois de ter morrido há muito!

Wednesday, August 15, 2007

Acompanha bem a chuva de Agosto



Summertime

(Du Bose Heyward / Ira Gershwin)

Summertime and the living is easy
Fish are jumping and the cotton is high
Your dad is rich and your mom’s good looking
So hush little baby baby don’t you cry

One of these mornings you’re gonna rise up singing
Then you’ll spread your wings
And you’ll take to the sky
But till that morning
There ain’t nothing can harm you
With daddy and mommy mommy standing by

One of these mornings you’re gonna rise up singing
Then you’ll spread your wings
And you’ll take to the sky
But till that morning
There ain’t nothing can harm you
With daddy and mommy mommy standing by
So hush little baby baby don’t you cry


Ella Fitzgerald and Louis Armstrong

Tuesday, August 14, 2007

No seu aniversário...




...a recordação sempre viva do meu pai. E é tão bom recordá-lo assim, de novo juntos, sorrindo ao mar e inventando mundos de sonho e aventura!

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

Sophia de Mello Breyner

Tuesday, August 07, 2007

Há dias em que sabemos...

... que os sonhos são feitos da poeira do nosso medo de viver.

Antologia

Quem foi que à tua pele conferiu esse papel
de mais que tua pele ser pele da minha pele.

David Mourão-Ferreira

Wednesday, August 01, 2007

Moon River



Moon River, wider than a mile,
I'm crossing you in style some day.
Oh, dream maker, you heart breaker,
wherever you're going I'm going your way.
Two drifters off to see the world.
There's such a lot of world to see.
We're after the same rainbow's end--
waiting 'round the bend,
my huckleberry friend,
Moon River and me.

Audrey Hepburn (sings)
music by Henry Mancini, lyrics by Johnny Mercer

O elogio da loucura

A ministra da educação foi à AR louvar a actuação da DREN no caso Charrua. Se dúvidas houvesse quanto à utilidade do "exemplo"... Agora, só falta a "justa" recompensa à senhora do cacete, mas ela virá a seu tempo, talvez quando abrandar a canícula!

A credibilidade de Marques Mendes...

...afogou-se no Chão da Lagoa, mas ficará ligada ao ventilador até às directas, esperando-se um completo restabelecimento depois destas. São Bento e Belém fazem votos de pronto restabelecimento, e ofereceram os seus préstimos.

A abandonada casa de Manoel de Oliveira

Considerada a recente voracidade da ceifeira por realizadores entradotes, é bom que Rui Rio se apresse a pôr ordem naquele desperdício de dois milhões e meio de euros.

Na morte de Antonioni...

... recordar a espantosa Monica Vitti.




L'avventura

L'avventura è finita!


Morreu Michelangelo Antonioni, poucas horas depois de Ingmar Bergman. Ao que consta, admiravam-se, enquanto alguns pretendiam encontrar pontos de contacto no cinema que produziam. Mas, a estes dois artesãos do celulóide, separava-os mais do que um deserto vermelho.

Monday, July 30, 2007

I should care



I should care, I should go around weeping
I should care, I should go without sleeping
Strangely enough, I sleep well
Except for a dream or two
But then I count my sheep well
Funny how sheep can lull you to sleep, so

I should care, I should let it upset me
I should care, but it just doesn't get me
Maybe I won't find someone as lovely as you
But I should care, and I do


Jane Monheit

The Annie Leibovitz Covers*

Hollywood Highest
(1995)
Vanity Fair

Férias paradisíacas...

Desmantelar a família

«O primeiro-ministro, modestamente, não reivindicou para si os méritos deste resultado, mas não há dúvida que se deve a uma estratégia longamente meditada e coerentemente aplicada durante décadas por vários governos. Não seria possível atingir valores tão miseráveis de natalidade sem esta intensa e persistente atitude política. Foi este Executivo que fechou maternidades, liberalizou e subsidia o aborto, impôs a educação sexual laxista. Ele é o herdeiro dos que facilitaram o divórcio, promoveram uniões de facto, promiscuidade, homossexualidade. Os portugueses estão em vias de extinção e José Sócrates pode gabar-se disso.O valor agora revelado não é surpresa inesperada, mas vem na sequência natural de uma linha já antiga. Todos sabemos como a cultura progressista, manifestada por intelectuais, leis, telenovelas e programas educativos, se opõe à chamada "família tradicional". No antigo regime obscurantista a fertilidade portuguesa manteve altos valores, à volta de três nascimentos por mulher, até ao início da década de 70. Com a democracia e desenvolvimento começou a tendência moderna de queda da fertilidade.Aqui Portugal não só conseguiu a convergência com a Europa, mas ultrapassou-a largamente. A nossa taxa de fertilidade de 1,36 nascimentos por mulher é bastante inferior à média da União Europeia (1,52), por sua vez muito menor que o nível de reposição das gerações de 2,1. Não se pode dizer que se trata de uma fatalidade sistémica, porque em países próximos os esforços atentos têm conseguido inverter a trajectória. Trata-se mesmo de uma específica estratégia nacional. O Governo português mostra decididamente à Europa o caminho para a decadência populacional
O estilo beato do cronista, que, frequentemente, nos faz desistir de ler os seus escritos, não deve impedir-nos de reconhecer a lucidez e a frieza desapaixonada com que analisa esta questão. Tem toda a razão nas causas que aponta, mas o problema, sendo nosso, atira-nos para "os braços" dos países mais desenvolvidos, em que este problema da baixa natalidade cada vez mais se coloca. Há 10 anos, num taxi de Nova Iorque, mantive uma longa e muito interessante conversa com o motorista afro-americano, sobre a diferença que distingue todos os representantes do melting pot dos born americans. Dizia ele que seria pelo menor investimento na natalidade, que a supremacia dos white americans cairia. Não se enganava. Dez anos depois, veja-se como o fenómeno tem evoluído nas terras do Tio Sam. E não precisaram do Sócrates. Neste domínio, os nossos políticos, com o assertivo Primeiro-ministro incluído, têm sido, apenas, peças de escassa importância.