Wednesday, December 09, 2009

Violência doméstica

As almas caridosas e compadecidas, que tanto se afadigam a noticiar os crimes entre pessoas que vivem no que podemos designar um "modelo tipo casal", fariam melhor serviço à comunidade se averiguassem um pouco mais fundo cada um dos casos antes de, lestamente, os atirarem à cara do incauto cidadão leitor de jornais ou espectador de televisão. Fossem estas câncias almas mais selectivas e analistas, e aposto que as estatísticas se reduziam drasticamente, enquanto que as situações remanescentes, que, efectivamente, se podiam incluir na categoria seriam, com certeza, bem mais exemplares do que as tragicomédias que apenas ilustram a inutilidade do pensamento politicamente correcto sobre o assunto.

Avaliação sem classificação????

Nem é preciso explicar que só poderiam estar a falar da avaliação de professores!
Assim que conseguir refazer-me do impacto de tal proposta, voltarei a esta tão criativa ideia.

Acção Social Escolar paga o computador Magalhães


Parece que o ex-ministro Mário Lino foi buscar 180 milhões à Acção Social Escolar para pagar o computador Magalhães. Surpresa? Porquê? O "artista" era um governante socialista português e, ao que parece, estava suficientemente resguardado em despacho oportuno, que permitiria a inovadora medida de apoio social.
Para quando um categórico JAMÉ popular a esta troupe de saltimbancos políticos?

Novas Oportunidades - o rei, finalmente, vai nu!

Quando o Programa surgiu, devidamente enfeitado pelo carro de propaganda do governo Sócrates da maioria absoluta, "puxado" por um conjunto de "celebridades" de duvidosa isenção e ainda mais duvidoso discernimento na matéria, fui dos que desconfiou da valia e bondade de tão pouco pensada e ainda menos estruturada medida. Tresandava a mesma a efeito fácil e rápido, para cumprir mínimos estatísticos em Bruxelas e "encher o olho" aos pacóvios da terrinha. Mas, como nisto de formação, por aqui se acredita que (quase) toda a que vem é útil, lá se deu o benefício da dúvida, mas, coitado, este meu exercício de tolerância e expectativa foi rapidamente morto pela prática que se instalou no terreno.
Tendo tido contacto muito próximo com o projecto, através de pessoas que a ele deram o seu melhor, pessoas que, profissional e pessoalmente, muito respeito e prezo, depressa pude concluir que, efectivamente, na maioria dos casos as Novas Oportunidades não levantaram voo de práticas de oportunismo voraz, quer por parte das entidades formadoras que se constituiram para o efeito, quer por parte dos beneficiários deste "subsídio de reinserção educativa", distribuído à velocidade dos apetites numéricos dos inquilinos do ME, e embrulhado nas manifestações exteriores do sucesso exigido pelas agências de propaganda do governo. Dada a eficaz capacidade destas agências em tornarem opaca a realidade do Portugal socrático, não surpreendeu que pouco se tenha dito e escrito sobre o desperdício de dinheiros públicos que as Novas Oportunidades representam, quando analisado o real resultado do projecto para a formação de milhares de potenciais trabalhadores portugueses, resultado muito distante da promessa com que se enfeitara o mesmo, e que se pode resumir assim - é este upgrade educativo o passo de mágica para formar cidadãos mais cultos, mais capazes de intervir profissionalmente no tecido social português (e, quiçá, europeu), degrau quase directo para o patamar dos melhores empregos, maiores rendimentos profissionais e, cereja em cima do bolo, a porta de saída segura das malhas do desemprego.
Convém dizer aos mais crédulos que pouco importarão os relatórios de grupos de "peritos" nomeados para a "avaliação" do projecto, os quais serão, decerto, suficientemente suaves para que não tresande a porcaria do fundo deste pântano, ou não fosse cauteloso prevenir futuras estadas na 5 de Outubro, para já não dizer que seria desconfortável acordar memórias de passados pouco produtivos nesses corredores do poder. Queremos saber o que valem as Novas Oportunidades? Fale-se com empregadores, e eles riem-se na nossa cara do saber e do saber-fazer destes diplomados de aviário. Desconte-se a satisfação (legítima, porque terna e caridosa) das Marias e Manéis deste país, finalmente possuidores de "grau" de escolaridade, mas incapazes de soletrarem as notícias de rodapé nos telejornais que lhes contam as maravilhas do governo daquele senhor que tão bem sabe como é importante ter um diplomazinho, e temos uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Finalmente, Medina Carreira vem chamar os nomes à coisa, com o desassombro que lhe conhecemos: "[O programa] Novas Oportunidades é uma trafulhice de A a Z, é uma aldrabice. Eles [os alunos] não sabem nada, nada", (...) "fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano [de escolaridade]. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução". Pois não tem, não, enquanto responsabilidades e decisões de futuro forem repartidas entre conivências e conveniências dos habituais actores desta tragicomédia que é a governação em Portugal de Abril.

Friday, November 13, 2009

Cada cavadela, cada minhoca


O nome de Sócrates aparece ligado a tantas relações perigosas, que, das duas,uma: ou tem uma atracção fatal para as más companhias, ou algum consultor de vão de escada quer disfarçar a árvore no meio da floresta (de enganos?).
Este país é, mesmo, um quintalinho de ervas daninhas, entrelaçadas.

Câncio, a namorada

A senhora jornalista, Dra. Fernanda Câncio, tem por hábito dar à pluma (literária) e ser acérrima defensora de Sócrates. Por vezes faz de conta que ataca as políticas do governo, mas é tudo coisa leve, cenário de mentirinha. Faz o mesmo com o namoro - goza os privilégios de ser a namorada do primeiro-ministro, mas faz umas cenas de "ai minha gente, que eu quero é passar despercebida". Pois, da qualidade do namoro sabem eles, mas a Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas é que não foi na conversa e chamou os nomes à coisa. Se lhe veste a pele e goza as mordomias é namorada, e não há impedimento em escrevê-lo e dizê-lo.
Tem todo o direito a escrever sobre o Governo mas é importante que as pessoas saibam que é namorada do primeiro-ministro”, esclareceu o provedor. Agora, rica, ou acaba com o namoro e volta para debaixo da pedra de invisibilidade em que estava, ou paga o preço da notoriedade conseguida à custa da ilustre companhia!

Portugal gastou em ciência 1,5 por cento do PIB em 2008??? AhAhAh!

Isto é o que diz o governo, e o que noticiam os jornais. Mas será que é mesmo assim? Se houvesse uma entidade reguladora credível, estaria interessada em saber como o organismo oficial "encontra" estes números, como as "contas" são feitas e quem decide as "fórmulas" que se aplicam para apresentar as estatísticas, que depois permitem ao governo fazer todo este estendal de "sucesso". Tenho cá para mim que se uma avaliação externa fosse efectuada ao trabalho estatístico desenvolvido e divulgado pelo ministério de Mariano Gago haveria ENOOOORMES surpresas. Como não há contraditório, vivemos todos muito felizes. E siga a dança, que o cantador está inspirado.
Nota metodológica: não esquecer que o "impulso" às características de "excelência e qualidade" do IPCTN tem a marca de Maria de Lurdes Rodrigues, no seu período pré-ME.

Ir à escola, ou talvez não

A atenta Lucinda Fialho escreveu, em comentário: «Tanto quanto me é dado saber, os professores não têm tempo para preparar aulas apesar de passarem dias inteiros na escola...É este o estado a que se chegou.»Itálico Porque poucos seriam capazes de dizer isto, desta forma simples e eficaz, aqui fica o oportuno e corajoso comentário.
Prezada Lucinda, não sei se por sorte, ou azar, pertenço ao reduzido grupo dos que sabem que os professores estão, efectivamente, assoberbados com trabalho. A minha questão não deriva de qualquer dúvida quanto ao muito trabalho que foi posto em cima dos ombros dos professores, mas antes da real utilidade do mesmo. Tal como hoje vejo «o estado a que se chegou» nas nossas escolas da era Sócrates, mais me convenço que enquanto não quisermos separar a função de "armazenagem" de alunos, que está, crescentemente, a ser atribuída às escolas, da função que a estas está, efectivamente, cometida, não conseguiremos pensar práticas educativas alternativas, com novas estratégias de aprendizagem mais adequadas às necessidades das populações escolares e aos meios à disposição do sistema de ensino. E interrogo-me: até quando vamos enterrar a cabeça na areia para esta questão? a quem convém esta omissão? porque está ausente deste debate a opinião pública, sempre tão sedenta de fazer sangue no que à inércia dos professores diz respeito? Vale a pena pensar no assunto, não lhe parece?

Ingleses arquivaram processo Freeport!

Nas terras de Sua Majestade dá-se o assunto por encerrado, segundo esta notícia do Público, na qual se recorda que um dos obstáculos à obtenção de informações sobre o processo se deve ao facto de «75 por cento dos arquivos de contabilidade do Freeport foram queimados num incêndio». Oportuno, acrescentaria um maldoso.

Sócrates mentiu ao Parlamento? Pode lá ser!?

De acordo com o SOL, «As escutas do processo ‘Face Oculta’ provam que o primeiro-ministro faltou deliberadamente à verdade quando disse no Parlamento que desconhecia o negócio da compra da TVI pela PT». De acordo com as declarações do próprio primeiro-ministro na AR, o seu desconhecimento do assunto era completo a 24 de Julho, mas, na interpretação que o jornal faz da cronologia dos factos que reporta, as conversas com Vara, em Março, provam que Sócrates mentiu.
No desconhecimento do exacto teor da conversa com Vara, que (e)leitor poderá, com estes factos, aceitar que Sócrates mentiu? Mais simples é acreditar que ele lança búzios, lê a palma das mãos, ou interpreta os astros e tem, por isso, capacidades de previsão do futuro! E que, como qualquer mortal, esquece conversas irrelevantes com os amigalhaços, pobre homem. Francamente, jornal SOL, tanto barulho por nada?

Tuesday, November 10, 2009

À atenção da Ministra da Educação - Gripe A nas escolas, Magalhães e Cª

Ao que parece, e tem sido notícia, a gripe A tem obrigado algumas escolas a mandar turmas inteiras para casa, com o objectivo de minimizar o contágio. Nada contra esta medida, antes pelo contrário, já que prevenir riscos maiores é uma decisão inteligente, que não pode ser considerada como pânico desnecessário. A situação, no entanto, tem-me deixado algumas interrogações sobre a utilização dos excepcionais meios de que a maioria das escolas e grande número de alunos dispõe para informação/formação à distância. De facto, quem conhece minimamente as escolas sabe que, na generalidade, estão muito bem apetrechadas de salas de informática, têm centros de recursos bem equipados e contam com uma percentagem de computadores por aluno de fazer inveja a países bem mais ricos. Por outro lado, e a fazer fé na propaganda dos governos Sócrates, desde que foi descoberto o filão Magalhães, mais o e-escolas e cª, que mesmo os alunos mais carenciados se encontram munidos dos meios tecnológicos considerados necessários a uma melhor escolarização. Acontece que mesmo profissionais do meio não são capazes de me enunciar como tem sido a utilização de todo este aparato tecnológico em favor dos alunos retirados das escolas, com excepção de vagas referências a mails e troca de correspondência "administrativa". Não andarei a falar com as pessoas certas, mas ainda não tive notícia de escolas que tenham aproveitado as férias para preparar aulas online sobre conteúdos programáticos das diferentes disciplinas, que agora poderiam estar disponibilizadas às turmas e alunos que não podem estar nas aulas presenciais. Acredito que seja só uma lacuna de informação, e que estejam de facto no terreno experiências interessantes e da maior utilidade para os alunos, pelo que seria de exigir ao governo que fizesse tanta propaganda sobre estas boas práticas, como sobre a "benemérita" distribuição dos computadores. Afinal, de uma ministra da educação espera-se mais do que limitar-se a gerir a discussão da carreira e da avaliação de professores. Sobre isto, os sindicatos dizem nada, parecendo que até têm medo de que essas experiências de ensino à distância possam trazer a debate uma nova abordagem sobre a prática educativa.

O supremo considerou nulas as escutas a Sócrates

O azar continua a perseguir o rapaz. Consideradas nulas, as escutas às conversas com o amigalhaço Vara serão, muito provavelmente, apagadas, se for seguido o procedimento usual. E assim, com esta decisão, fica Sócrates sem a possibilidade de usar tão preciosos instrumentos para provar a tout le monde o quão limpas estão as suas inocentes mãos em todo o sucateiro negócio com que querem salpicar o governo a que preside. O facto de nessas escutas se terem tratado negócios "menores", como o caso Prisa/TVI , por exemplo, já não preocupa ninguém. Afinal, é apenas a aplicação da regra de ouro da comunicação social: a notícia de hoje embrulha o lixo de amanhã. E facto é que o "caso TVI" já deu o que tinha a dar. Basta ver como passaram a ser "tratadas" as notícias.

Saturday, November 07, 2009

O azarado

Como muitos outros, sempre considerei Sócrates um espertalhaço cheio de sorte. Convenhamos que, visto com ligeireza, não é qualquer um nascido nas berças, com um entorno familiar pouco propício e sem possuir particulares aptidões para sobressair, fosse pelo saber ou pela inteligência excepcional, repito, não é um Zé qualquer que faz o percurso político e o enriquecimento acelerado de que Sócrates se pode gabar. O que se pode concluir perante tamanha façanha? Não se pode levar a mal que nos possamos socorrer da "teoria geral" para tentar explicar o fenómeno: se a esperteza saloia e a leveza de escrúpulos são, sabe-se, a melhor "enxada" para os fura-vidas do estatuto atingirem o pódio das suas aspirações, só resta a sorte para alavancar os percursos mais "distintos".
Só que agora, vistas bem as coisas, e já são tantas, percebo finalmente que não é sorte, é azar mesmo, o que persegue o nosso impoluto primeiro-ministro. Ele foi o caso da licenciatura, e poucos se podem gabar de possuir uma que tresande tanto; ele foram as casas manhosas que lhe sairam da ponta do lápis, ao que parece em consequência de embrulhada profissional mal explicada; ele é o Freeport, que só não anda porque, sabe-se lá se por influência de alguma fada bondosa, desanda tudo em que o azar mergulha o arrogante primeiro-ministro; ele são as luxuosas casas, dele e da senhora sua mãe, bons negócios, que de tão bons só mesmo um azarado se mete neles, e se sai bem; ele são uns primos, mais uns familiares que, talvez por falta de imaginação, lhe fazem a cama, pedindo benesses em nome de tão azarado parente; ele são os amigos do peito, que se deixam enlear em azaradas negociatas sucateiras, salpicando o amigo e confidente com a "ferrugem" dos milhares de euros distribuídos à conta de "óleo" para os travões das burocracias. Tantos casos, bem bicudos, e, só pode ser azar, vão todos dar à infeliz vítima destas sucessivas campanhas negras!
Vá lá, numa coisa Sócrates tem tido sorte: por mais que as esconsas vielas destas maldosas cabalas levem a ele, e qual herói dos comics tradicionais, delas sai sempre ileso e impoluto. Caramba, um homem também tem que ter uma estrelinha de sorte, no meio de tanto azar!

Friday, October 30, 2009

E Marcelo vai cair na ratoeira? Hum, não me parece!


Arrumado o menino guerreiro, arquivada MFL na pasta do dever cumprido sem sucesso, "enterrados" os que experimentaram e fracassaram a liderança, a "hierarquia" do PSD prepara-se para se desfazer da ameaça que o Professor representa. Tê-lo solto, com palco e à espreita de Belém é o que menos interessa ao baronato da São Caetano.
Com o tempo que tem pela frente, percebe-se o papel de Rangel no meio de tudo isto, mas será que consegue cavalgar a vaga, ou acabará estatelado? A ver vamos, mas começam a fazer sentido aqueles que juram existir uma agenda oculta de Cavaco!

Armando Vara - só me surpreende a surpresa de alguns "ingénuos"

Correio da Manhã

Thursday, October 29, 2009

Os ajudantes da nova ministra da educação

Para os contentinhos com a saída de Maria de Lurdes Rodrigues do ME (e não se contesta que essa saída era absolutamente inevitável), o balde de água morna que a escolha da autora de livros juvenis para a substituir representou gelou rapidamente com a nomeação dos dois ajudantes que Sócrates lhe arranjou.
João da Mata é o homem de mão de Maria de Lurdes Rodrigues desde os velhinhos tempos do OCES, de onde saltou promovido a gente com a também promovida chefe. Daí a director geral das estatísticas do ME foi um sopro, ou não lhe fossem reconhecidos prestimosos serviços como cão de fila da senhora. Conhecem-se os "dinâmicos" contornos da dedicação aos números da educação que a cinzenta personagem personificou no consulado da agora "defunta" ministra, a ele se devendo a imaginativa engenharia do sucesso das políticas socráticas para o sector, para só se falar no mais público.
Alexandre Ventura, por seu lado, foi o pressuroso responsável pela cobertura institucional das estruturas "independentes" do ME à encenação do sucesso das políticas educativas de Maria de Lurdes Rodrigues, sucesso tão imaginativamente criado e exposto às massas pelo agora colega de equipa.
Tudo bons rapazes, como se comprova, pelo que não é preciso ser bruxo para perceber que, no que à educação diz respeito, vai valer tudo, para ficar tudo cada vez mais na mesma.
E viva o PS, e os seus governos!

Friday, October 23, 2009

Novo Governo - grandes escolhas (III)

Para apanhar os cacos da sua antecessora, só mesmo uma mulher de mão alçada e vestes de cordeiro...arménio! Entra na casa assombrada, sairá da casa em ruínas. No pasa nada.

Novo Governo - grandes escolhas (II)

Quem melhor do que uma pianista para tocar em bemol as notas soltas que o velho escritor desbocado vai cuspindo por aí?

Novo Governo - grandes escolhas (I)


Nada melhor do que um ministro "malhador" para defender a honra tuga das ofensas da diva Maitê! Finalmente, podemos dormir descansados.
(e terminada a campanha do Brasil, sempre se pode entreter a malhar nos submarinos do Portas e a manter os canhões bem direccionados a Belém, pois claro)

Wednesday, September 30, 2009

Isabel Alçada - o teste

Os produtores de Hollywood costumam testar o êxito dos seus filmes estreando-os na província, para aferir as reacções do público. Por cá, o governo testa o nome da futura ministra da educação, deixando "escapar" para a comunicação social o seu nome, com as convenientes informações sobre o seu perfil, que nos querem vender. Compreende-se o estilo, nesta tragicomédia em que se transformou a acção governativa.

Foi bom, mas durou pouco



Pum, pum, dois submarinos ao fundo!

E agora, o que vai sobrar da estratégia de oposição do CDS?

Tudo bons rapazes


O outro bem avisou: "Quem se mete com o PS leva"!
Crescentemente impunes nas mais escuras manobras que caracterizam a sua acção política, nem Belém escapou à sua sede de poder absoluto.
Triste, triste, não é constatar que não se perfila no horizonte o fim deste estilo hardcore de fazer política. É perceber que só se acabará com o mal usando as mesmas armas. É pena.

Monday, September 28, 2009

Rescaldo eleitoral (II)

Apesar do relevante crescimento do BE, apesar da vitória do PS, Paulo Portas é o grande vencedor das legislativas 2009. Para aqueles que apenas encontram justificação para este sucesso do CDS no facto de o estilo "populista" do "Paulinho das feiras" se ajustar, como uma luva, a esta política reality show, é inquestionável que este bom resultado se estrutura mais em torno do excelente trabalho feito na oposição pelo partido contra os desmandos da maioria absoluta asfixiante que Sócrates impôs ao país, do que ao sound bite para as câmaras de televisão. Portas percebeu, cedo e bem, "o que estava a dar", usou as armas que melhor se adequavam, quer à sua queda para a política espectáculo, quer ao contraponto a Sócrates, mas sem nunca descurar um trabalho sério de oposição, apresentando propostas concretas, denunciando os abusos da governação e reclamando-se alternativa à mesma nas políticas que preconizou. Resultou. Agora, há que apurar o estilo, e o método! Na oposição.

Rescaldo eleitoral (I)

Os grandes derrotados foram aqueles que ainda não perceberam que a política é hoje the ultimate reality show on earth - os barões do PSD. Manuela Ferreira Leite corporizou a derrota de ontem. Como por aqui se escrevia há muito tempo, este não é o tempo certo para o estilo da senhora. É pena!

Monday, September 14, 2009

Penitência

Estive hoje numa aula de apresentação de um 6º ano de uma escola da zona de Lisboa. Há um tempo que não tinha o privilégio de assistir a um evento destes, sem que o mesmo estivesse "censurado" pela presença de individualidades governamentais, ou da administração educativa, naquele ritual propagandístico para os meios de comunicação social, a que já estamos habituados na abertura dos anos lectivos. Pode-se considerar que foi esta uma apresentação sem disfarces, natural, apenas com a presença da directora de turma, dos alunos e seus respectivos pais ou encarregados de educação. E tão à-vontade estava a professora, que a sessão resultou muito próxima do que deverão ser as aulas durante o ano lectivo - pela amostra, um autêntico desastre.
As informações e orientações da praxe foram saltitando da docente para os alunos sem qualquer ordem lógica, de forma incompleta e incoerente, incompreensíveis para os adultos presentes, quanto mais para as crianças de 11/12 anos que as deviam apreender, e cumprir. E os avisos, nas palavras da professora "muita" importantes, eram entremeados com os "ó pá" dirigidos aos rapazes da turma, mimoseados com comentários desastrados sobre o seu comportamento no ano anterior. "Miúdos" para cá, "miúdos" para lá, assim a senhora se referia, a torto e a direito, aos alunos, dirigindo-se aos pais destes com críticas ao comportamento anterior dos filhos, deixando explícito que mudanças para melhor nem ela as espera, nem os alunos delas serão capazes. Os sorrisos amarelos dos pais encavacados e a cabeça baixa dos alunos bastavam, mas não conseguiram suster a docente. Nesta, o vestuário, a postura, a falta de correcção linguística e a ausência do mais elementar bom senso deveriam, cada um por si e no seu conjunto, ser impeditivos de a colocar à frente de uma turma de alunos. E, apesar de tudo isto, nenhum de nós, pais e encarregados de educação, disse nada, ou a impediu de fazer a triste figura que fez, menos ainda estará disposto a exigir que os seus filhos e educandos não sejam alunos de tal exemplar. "Comemos" e calamos, mas depois reclamamos da educação que temos.
Ao ficar em silêncio hoje, como me senti conivente com Maria de Lurdes Rodrigues! Quantos pais ou encarregados de educação não estarão agora a sentir o mesmo? E, no entanto, o silêncio fez-se ouvir, continuará a fazer-se ouvir, um ano atrás de outro.
Somos todos culpados.

No rescaldo dos debates

Finda a série de conversas, que de debate de ideias tiveram pouco, a todos aqueles a quem não interessa o foguetório das opiniões de comentadores mais ou menos comprometidos, pouco de substantivo ficou digno de registo. De facto, relembra-se mais o superficial da mensagem dos actores em palco e as imagens que se retêm dos protagonistas desta ocasião, mas, nestes tempos em que o efeito televisivo determina o que existe, ou não existe, talvez seja apenas isso mesmo o que interessa. Tendo, portanto, em conta o "boneco" que a prestação televisiva permitiu a cada um criar, podemos concluir que o maior contributo dos debates para a campanha se ficou por uma maior definição das imagens dos lideres partidários.
Louçã e Jerónimo de Sousa fizeram o seu papel, cada vez mais fanático o primeiro, crescentemente genuíno e confortável nas suas limitações o segundo. Enquanto o BE aspira crescer o suficiente para manter acesa a chama messiânica de Louçã, o PCP luta por não ver cerceada a coerente obediência à sua circunstância. Não parece que possam ser, para já, a alavanca a um PS em queda, mas...
Paulo Portas, apesar de longe das suas melhores prestações televisivas (ou talvez por isso), conseguiu ser o melhor em todos os debates em que participou. Provavelmente não haverá cada vez mais gente a pensar como o CDS, quase de certeza que não irá haver muito mais gente a votar no CDS, mas é inegável que pode agora invocar o mérito de ter apresentado propostas e alternativas em áreas que o tempo demonstrou serem prioridades a que nenhum governo poderá fugir. Conseguiu tornar-se incontornável depois do dia 27?
Manuela Ferreira Leite conseguiu ser melhor do que se esperava, embora se esperasse muito pouco da sua capacidade de "vender" um PSD renovado. Antevia-se mesmo o seu colapso perante a habilidade, a experiência propagandística e a telegenia de Sócrates. Não aconteceu assim. Claro que foi igual a si própria, séria em demasia para estes tempos levezinhos da opção oportunista, assumidamente imperturbável no rumo traçado. No debate com Sócrates foi obrigada a uma atitude que lembra o adulto professor cheio de paciência perante as questões tontas de um aluno medíocre, imagem que não seria decerto a que mais lhe interessava passar, mas convenhamos que, com o seu perfil, não tinha alternativa perante um oponente que, de programa do PSD em punho, ridiculamente teimava em querer saber as razões, não do que nele consta, mas do que dele está ausente. Se a seriedade, a coragem da competência e o desassombro contassem na opção de voto, Ferreira Leite poderia considerar-se vencedora.
José Sócrates perdeu-se de si mesmo, escondido que foi, por inoportuno, o animal feroz e ainda mal adestrado na sua nova persona, misto de herói salvador impoluto, vítima sacrificada a injusto julgamento e simpático vizinho do lado em qualquer bairro suburbano. A verdade é que a sua imagem tresanda já a cadáver político, na boca e no olhar sente-se-lhe a derrota e, como com qualquer animal ferido, sabe-se que o tiro certeiro que o atingiu o matará, já aqui, ou uns tempos mais à frente. A vitória, a sorrir-lhe, será escasso remédio para esta morte anunciada.
Pelo que foram, e, principalmente, pelo que não foram, os debates contarão menos para as opções dos eleitores no dia 27 do que as circunstâncias e as teias de interesses destes. Ficam, sobretudo, para o acervo das televisões e para o currículo das pivots, com nota muito negativa para Judite de Sousa e elevado mérito para Clara de Sousa. C'est la vie!

Friday, August 28, 2009

Antologia

O many gods, so many creeds,
So many paths that wind and wind,
While just the art of being kind
Is all the sad world needs.


Ella Wheeler Wilcox

Rafal Olbinski







Compromisso de verdade do PSD (III) - absens heres non erit

Com a educação, o compromisso de verdade do PSD compromete-se muito, mas talvez onde menos se esperaria, e onde talvez lhe seja mais difícil cumprir o prometido.
Tenho cá para mim que, naquela que foi a área mais desastrada, e contestada, do governo de Sócrates, aqueles que esperavam um sinal de esperança no programa eleitoral do PSD terão uma desilusão inicial. De facto, a primeira leitura promete pouco, mas quando se relê percebe-se que, afinal, o compromisso pode ser imenso, e significar a reviravolta necessária.
Esqueça-se a ladaínha esperada sobre a revisão dos estatutos do aluno e da carreira docente; ignore-se a questão do modelo de avaliação dos professores; são questões "fracturantes" e seria suicídio político o programa eleitoral não prever a sua reformulação/substituição/revisão, o que for. Com uma pitada de inteligência e de bom senso, não será difícil remediar os estragos, aproveitando o efeito de que, perante a catástrofe, qualquer pequena cedência/mudança/melhoria soará a vitória para a castigada e vilependiada classe docente, e "respirará" credibilidade para uma opinião pública cansada de guerras e desejosa de retorno à ordem. Estes não são, portanto, os compromissos que farão a diferença.
No que o PSD pode vir fazer a diferença, e aqui se compromete muito, é na promessa de um "progressivo alargamento da liberdade de escolha entre escolas da rede pública", associado à possibilidade de os agrupamentos poderem complementar um currículo mínimo nacional, ambos num quadro de diferentes formas de participação e de uma maior co-responsabilização dos encarregados de educação (chegando o "estímulo" destes ao condicionamento de certos apoios sociais do Estado). Se, a esta nova filosofia, se conseguir associar um investimento sério na disciplina e na ordem escolar, com o prometido reforço da imagem e do papel do professor, poderemos dizer que se começa a desenhar um novo olhar sobre o que a escola deve ser hoje, mas, sobretudo, o que terá de ser amanhã. A escola do futuro passa por aceitar que terá de haver escolas diferentes, com populações escolares diferenciadas, e que a igualdade de oportunidades não se resolve a pazadas de Magalhães.
Resta o óbvio - tudo dependerá de quem forem o(a) ministro(a) e secretários (as) de estado e da capacidade que estes tenham de efectuar a limpeza necessária nos gabinetes pejados de bonzos do eduquês, em que o ME se tornou. Só que essa questão mereceria um outro compromisso COM a verdade, e esse parece-me que nem MFL estará disposta (poderá?) a fazer.

Compromisso de verdade do PSD (II) - do que se diz ao que se faz

Não gostaria de ter que concordar com Marques Mendes nesta questão, mas qualquer programa eleitoral depende de quem venha a concretizá-lo. O compromisso de verdade do PSD não foge à regra. Mais do que aquilo a que nele se compromete o PSD, importaria saber em quem MFL pensa para serem os ministros das diferentes pastas. Assim, é só conversa. Boa conversa, conversa séria, sem dúvida, bem direccionada para as áreas mais castigadas pela desastrosa governação de Sócrates, mas, apesar das boas intenções enunciadas, fica-se por uma inteligente estratégia de ataque aos pontos fracos da actual governação, não inviabilizando a possibilidade de um eventual "casamento" pós-eleitoral com o PS. As coisas são o que são, e ainda não foi desta que se virou a mesa, ou, dizendo de outra forma, que se apresentou um compromisso COM a verdade.