Saturday, November 07, 2009

O azarado

Como muitos outros, sempre considerei Sócrates um espertalhaço cheio de sorte. Convenhamos que, visto com ligeireza, não é qualquer um nascido nas berças, com um entorno familiar pouco propício e sem possuir particulares aptidões para sobressair, fosse pelo saber ou pela inteligência excepcional, repito, não é um Zé qualquer que faz o percurso político e o enriquecimento acelerado de que Sócrates se pode gabar. O que se pode concluir perante tamanha façanha? Não se pode levar a mal que nos possamos socorrer da "teoria geral" para tentar explicar o fenómeno: se a esperteza saloia e a leveza de escrúpulos são, sabe-se, a melhor "enxada" para os fura-vidas do estatuto atingirem o pódio das suas aspirações, só resta a sorte para alavancar os percursos mais "distintos".
Só que agora, vistas bem as coisas, e já são tantas, percebo finalmente que não é sorte, é azar mesmo, o que persegue o nosso impoluto primeiro-ministro. Ele foi o caso da licenciatura, e poucos se podem gabar de possuir uma que tresande tanto; ele foram as casas manhosas que lhe sairam da ponta do lápis, ao que parece em consequência de embrulhada profissional mal explicada; ele é o Freeport, que só não anda porque, sabe-se lá se por influência de alguma fada bondosa, desanda tudo em que o azar mergulha o arrogante primeiro-ministro; ele são as luxuosas casas, dele e da senhora sua mãe, bons negócios, que de tão bons só mesmo um azarado se mete neles, e se sai bem; ele são uns primos, mais uns familiares que, talvez por falta de imaginação, lhe fazem a cama, pedindo benesses em nome de tão azarado parente; ele são os amigos do peito, que se deixam enlear em azaradas negociatas sucateiras, salpicando o amigo e confidente com a "ferrugem" dos milhares de euros distribuídos à conta de "óleo" para os travões das burocracias. Tantos casos, bem bicudos, e, só pode ser azar, vão todos dar à infeliz vítima destas sucessivas campanhas negras!
Vá lá, numa coisa Sócrates tem tido sorte: por mais que as esconsas vielas destas maldosas cabalas levem a ele, e qual herói dos comics tradicionais, delas sai sempre ileso e impoluto. Caramba, um homem também tem que ter uma estrelinha de sorte, no meio de tanto azar!

Friday, October 30, 2009

E Marcelo vai cair na ratoeira? Hum, não me parece!


Arrumado o menino guerreiro, arquivada MFL na pasta do dever cumprido sem sucesso, "enterrados" os que experimentaram e fracassaram a liderança, a "hierarquia" do PSD prepara-se para se desfazer da ameaça que o Professor representa. Tê-lo solto, com palco e à espreita de Belém é o que menos interessa ao baronato da São Caetano.
Com o tempo que tem pela frente, percebe-se o papel de Rangel no meio de tudo isto, mas será que consegue cavalgar a vaga, ou acabará estatelado? A ver vamos, mas começam a fazer sentido aqueles que juram existir uma agenda oculta de Cavaco!

Armando Vara - só me surpreende a surpresa de alguns "ingénuos"

Correio da Manhã

Thursday, October 29, 2009

Os ajudantes da nova ministra da educação

Para os contentinhos com a saída de Maria de Lurdes Rodrigues do ME (e não se contesta que essa saída era absolutamente inevitável), o balde de água morna que a escolha da autora de livros juvenis para a substituir representou gelou rapidamente com a nomeação dos dois ajudantes que Sócrates lhe arranjou.
João da Mata é o homem de mão de Maria de Lurdes Rodrigues desde os velhinhos tempos do OCES, de onde saltou promovido a gente com a também promovida chefe. Daí a director geral das estatísticas do ME foi um sopro, ou não lhe fossem reconhecidos prestimosos serviços como cão de fila da senhora. Conhecem-se os "dinâmicos" contornos da dedicação aos números da educação que a cinzenta personagem personificou no consulado da agora "defunta" ministra, a ele se devendo a imaginativa engenharia do sucesso das políticas socráticas para o sector, para só se falar no mais público.
Alexandre Ventura, por seu lado, foi o pressuroso responsável pela cobertura institucional das estruturas "independentes" do ME à encenação do sucesso das políticas educativas de Maria de Lurdes Rodrigues, sucesso tão imaginativamente criado e exposto às massas pelo agora colega de equipa.
Tudo bons rapazes, como se comprova, pelo que não é preciso ser bruxo para perceber que, no que à educação diz respeito, vai valer tudo, para ficar tudo cada vez mais na mesma.
E viva o PS, e os seus governos!

Friday, October 23, 2009

Novo Governo - grandes escolhas (III)

Para apanhar os cacos da sua antecessora, só mesmo uma mulher de mão alçada e vestes de cordeiro...arménio! Entra na casa assombrada, sairá da casa em ruínas. No pasa nada.

Novo Governo - grandes escolhas (II)

Quem melhor do que uma pianista para tocar em bemol as notas soltas que o velho escritor desbocado vai cuspindo por aí?

Novo Governo - grandes escolhas (I)


Nada melhor do que um ministro "malhador" para defender a honra tuga das ofensas da diva Maitê! Finalmente, podemos dormir descansados.
(e terminada a campanha do Brasil, sempre se pode entreter a malhar nos submarinos do Portas e a manter os canhões bem direccionados a Belém, pois claro)

Wednesday, September 30, 2009

Isabel Alçada - o teste

Os produtores de Hollywood costumam testar o êxito dos seus filmes estreando-os na província, para aferir as reacções do público. Por cá, o governo testa o nome da futura ministra da educação, deixando "escapar" para a comunicação social o seu nome, com as convenientes informações sobre o seu perfil, que nos querem vender. Compreende-se o estilo, nesta tragicomédia em que se transformou a acção governativa.

Foi bom, mas durou pouco



Pum, pum, dois submarinos ao fundo!

E agora, o que vai sobrar da estratégia de oposição do CDS?

Tudo bons rapazes


O outro bem avisou: "Quem se mete com o PS leva"!
Crescentemente impunes nas mais escuras manobras que caracterizam a sua acção política, nem Belém escapou à sua sede de poder absoluto.
Triste, triste, não é constatar que não se perfila no horizonte o fim deste estilo hardcore de fazer política. É perceber que só se acabará com o mal usando as mesmas armas. É pena.

Monday, September 28, 2009

Rescaldo eleitoral (II)

Apesar do relevante crescimento do BE, apesar da vitória do PS, Paulo Portas é o grande vencedor das legislativas 2009. Para aqueles que apenas encontram justificação para este sucesso do CDS no facto de o estilo "populista" do "Paulinho das feiras" se ajustar, como uma luva, a esta política reality show, é inquestionável que este bom resultado se estrutura mais em torno do excelente trabalho feito na oposição pelo partido contra os desmandos da maioria absoluta asfixiante que Sócrates impôs ao país, do que ao sound bite para as câmaras de televisão. Portas percebeu, cedo e bem, "o que estava a dar", usou as armas que melhor se adequavam, quer à sua queda para a política espectáculo, quer ao contraponto a Sócrates, mas sem nunca descurar um trabalho sério de oposição, apresentando propostas concretas, denunciando os abusos da governação e reclamando-se alternativa à mesma nas políticas que preconizou. Resultou. Agora, há que apurar o estilo, e o método! Na oposição.

Rescaldo eleitoral (I)

Os grandes derrotados foram aqueles que ainda não perceberam que a política é hoje the ultimate reality show on earth - os barões do PSD. Manuela Ferreira Leite corporizou a derrota de ontem. Como por aqui se escrevia há muito tempo, este não é o tempo certo para o estilo da senhora. É pena!

Monday, September 14, 2009

Penitência

Estive hoje numa aula de apresentação de um 6º ano de uma escola da zona de Lisboa. Há um tempo que não tinha o privilégio de assistir a um evento destes, sem que o mesmo estivesse "censurado" pela presença de individualidades governamentais, ou da administração educativa, naquele ritual propagandístico para os meios de comunicação social, a que já estamos habituados na abertura dos anos lectivos. Pode-se considerar que foi esta uma apresentação sem disfarces, natural, apenas com a presença da directora de turma, dos alunos e seus respectivos pais ou encarregados de educação. E tão à-vontade estava a professora, que a sessão resultou muito próxima do que deverão ser as aulas durante o ano lectivo - pela amostra, um autêntico desastre.
As informações e orientações da praxe foram saltitando da docente para os alunos sem qualquer ordem lógica, de forma incompleta e incoerente, incompreensíveis para os adultos presentes, quanto mais para as crianças de 11/12 anos que as deviam apreender, e cumprir. E os avisos, nas palavras da professora "muita" importantes, eram entremeados com os "ó pá" dirigidos aos rapazes da turma, mimoseados com comentários desastrados sobre o seu comportamento no ano anterior. "Miúdos" para cá, "miúdos" para lá, assim a senhora se referia, a torto e a direito, aos alunos, dirigindo-se aos pais destes com críticas ao comportamento anterior dos filhos, deixando explícito que mudanças para melhor nem ela as espera, nem os alunos delas serão capazes. Os sorrisos amarelos dos pais encavacados e a cabeça baixa dos alunos bastavam, mas não conseguiram suster a docente. Nesta, o vestuário, a postura, a falta de correcção linguística e a ausência do mais elementar bom senso deveriam, cada um por si e no seu conjunto, ser impeditivos de a colocar à frente de uma turma de alunos. E, apesar de tudo isto, nenhum de nós, pais e encarregados de educação, disse nada, ou a impediu de fazer a triste figura que fez, menos ainda estará disposto a exigir que os seus filhos e educandos não sejam alunos de tal exemplar. "Comemos" e calamos, mas depois reclamamos da educação que temos.
Ao ficar em silêncio hoje, como me senti conivente com Maria de Lurdes Rodrigues! Quantos pais ou encarregados de educação não estarão agora a sentir o mesmo? E, no entanto, o silêncio fez-se ouvir, continuará a fazer-se ouvir, um ano atrás de outro.
Somos todos culpados.

No rescaldo dos debates

Finda a série de conversas, que de debate de ideias tiveram pouco, a todos aqueles a quem não interessa o foguetório das opiniões de comentadores mais ou menos comprometidos, pouco de substantivo ficou digno de registo. De facto, relembra-se mais o superficial da mensagem dos actores em palco e as imagens que se retêm dos protagonistas desta ocasião, mas, nestes tempos em que o efeito televisivo determina o que existe, ou não existe, talvez seja apenas isso mesmo o que interessa. Tendo, portanto, em conta o "boneco" que a prestação televisiva permitiu a cada um criar, podemos concluir que o maior contributo dos debates para a campanha se ficou por uma maior definição das imagens dos lideres partidários.
Louçã e Jerónimo de Sousa fizeram o seu papel, cada vez mais fanático o primeiro, crescentemente genuíno e confortável nas suas limitações o segundo. Enquanto o BE aspira crescer o suficiente para manter acesa a chama messiânica de Louçã, o PCP luta por não ver cerceada a coerente obediência à sua circunstância. Não parece que possam ser, para já, a alavanca a um PS em queda, mas...
Paulo Portas, apesar de longe das suas melhores prestações televisivas (ou talvez por isso), conseguiu ser o melhor em todos os debates em que participou. Provavelmente não haverá cada vez mais gente a pensar como o CDS, quase de certeza que não irá haver muito mais gente a votar no CDS, mas é inegável que pode agora invocar o mérito de ter apresentado propostas e alternativas em áreas que o tempo demonstrou serem prioridades a que nenhum governo poderá fugir. Conseguiu tornar-se incontornável depois do dia 27?
Manuela Ferreira Leite conseguiu ser melhor do que se esperava, embora se esperasse muito pouco da sua capacidade de "vender" um PSD renovado. Antevia-se mesmo o seu colapso perante a habilidade, a experiência propagandística e a telegenia de Sócrates. Não aconteceu assim. Claro que foi igual a si própria, séria em demasia para estes tempos levezinhos da opção oportunista, assumidamente imperturbável no rumo traçado. No debate com Sócrates foi obrigada a uma atitude que lembra o adulto professor cheio de paciência perante as questões tontas de um aluno medíocre, imagem que não seria decerto a que mais lhe interessava passar, mas convenhamos que, com o seu perfil, não tinha alternativa perante um oponente que, de programa do PSD em punho, ridiculamente teimava em querer saber as razões, não do que nele consta, mas do que dele está ausente. Se a seriedade, a coragem da competência e o desassombro contassem na opção de voto, Ferreira Leite poderia considerar-se vencedora.
José Sócrates perdeu-se de si mesmo, escondido que foi, por inoportuno, o animal feroz e ainda mal adestrado na sua nova persona, misto de herói salvador impoluto, vítima sacrificada a injusto julgamento e simpático vizinho do lado em qualquer bairro suburbano. A verdade é que a sua imagem tresanda já a cadáver político, na boca e no olhar sente-se-lhe a derrota e, como com qualquer animal ferido, sabe-se que o tiro certeiro que o atingiu o matará, já aqui, ou uns tempos mais à frente. A vitória, a sorrir-lhe, será escasso remédio para esta morte anunciada.
Pelo que foram, e, principalmente, pelo que não foram, os debates contarão menos para as opções dos eleitores no dia 27 do que as circunstâncias e as teias de interesses destes. Ficam, sobretudo, para o acervo das televisões e para o currículo das pivots, com nota muito negativa para Judite de Sousa e elevado mérito para Clara de Sousa. C'est la vie!

Friday, August 28, 2009

Antologia

O many gods, so many creeds,
So many paths that wind and wind,
While just the art of being kind
Is all the sad world needs.


Ella Wheeler Wilcox

Rafal Olbinski







Compromisso de verdade do PSD (III) - absens heres non erit

Com a educação, o compromisso de verdade do PSD compromete-se muito, mas talvez onde menos se esperaria, e onde talvez lhe seja mais difícil cumprir o prometido.
Tenho cá para mim que, naquela que foi a área mais desastrada, e contestada, do governo de Sócrates, aqueles que esperavam um sinal de esperança no programa eleitoral do PSD terão uma desilusão inicial. De facto, a primeira leitura promete pouco, mas quando se relê percebe-se que, afinal, o compromisso pode ser imenso, e significar a reviravolta necessária.
Esqueça-se a ladaínha esperada sobre a revisão dos estatutos do aluno e da carreira docente; ignore-se a questão do modelo de avaliação dos professores; são questões "fracturantes" e seria suicídio político o programa eleitoral não prever a sua reformulação/substituição/revisão, o que for. Com uma pitada de inteligência e de bom senso, não será difícil remediar os estragos, aproveitando o efeito de que, perante a catástrofe, qualquer pequena cedência/mudança/melhoria soará a vitória para a castigada e vilependiada classe docente, e "respirará" credibilidade para uma opinião pública cansada de guerras e desejosa de retorno à ordem. Estes não são, portanto, os compromissos que farão a diferença.
No que o PSD pode vir fazer a diferença, e aqui se compromete muito, é na promessa de um "progressivo alargamento da liberdade de escolha entre escolas da rede pública", associado à possibilidade de os agrupamentos poderem complementar um currículo mínimo nacional, ambos num quadro de diferentes formas de participação e de uma maior co-responsabilização dos encarregados de educação (chegando o "estímulo" destes ao condicionamento de certos apoios sociais do Estado). Se, a esta nova filosofia, se conseguir associar um investimento sério na disciplina e na ordem escolar, com o prometido reforço da imagem e do papel do professor, poderemos dizer que se começa a desenhar um novo olhar sobre o que a escola deve ser hoje, mas, sobretudo, o que terá de ser amanhã. A escola do futuro passa por aceitar que terá de haver escolas diferentes, com populações escolares diferenciadas, e que a igualdade de oportunidades não se resolve a pazadas de Magalhães.
Resta o óbvio - tudo dependerá de quem forem o(a) ministro(a) e secretários (as) de estado e da capacidade que estes tenham de efectuar a limpeza necessária nos gabinetes pejados de bonzos do eduquês, em que o ME se tornou. Só que essa questão mereceria um outro compromisso COM a verdade, e esse parece-me que nem MFL estará disposta (poderá?) a fazer.

Compromisso de verdade do PSD (II) - do que se diz ao que se faz

Não gostaria de ter que concordar com Marques Mendes nesta questão, mas qualquer programa eleitoral depende de quem venha a concretizá-lo. O compromisso de verdade do PSD não foge à regra. Mais do que aquilo a que nele se compromete o PSD, importaria saber em quem MFL pensa para serem os ministros das diferentes pastas. Assim, é só conversa. Boa conversa, conversa séria, sem dúvida, bem direccionada para as áreas mais castigadas pela desastrosa governação de Sócrates, mas, apesar das boas intenções enunciadas, fica-se por uma inteligente estratégia de ataque aos pontos fracos da actual governação, não inviabilizando a possibilidade de um eventual "casamento" pós-eleitoral com o PS. As coisas são o que são, e ainda não foi desta que se virou a mesa, ou, dizendo de outra forma, que se apresentou um compromisso COM a verdade.

Compromisso de verdade do PSD (I) - e fez-se luz


Manuela Ferreira Leite já marcou pontos, ao pôr o PS a promover a apresentação do compromisso de verdade do PSD. E não é pouca coisa, conseguir ter a bem oleada máquina de propaganda do partido socialista a manter o país suspenso do programa do PSD. O que parecia um erro fatal da senhora, acabou, afinal, por resultar em pleno. MFL sai do despique inteiramente vitoriosa - não cedeu um milímetro no seu timing, teve uma extraordinária atenção dos media e ainda conseguiu demonstrar que, com ela, a pirotecnia do verbo e os efeitos especiais da tecnologia acabaram onde acabam as cascas das laranjas, no lixo. Dada a adequada extensão do programa, e a forma exemplarmente simples como o mesmo foi apresentado, podemos mesmo concluir que, com MFL, podemos sempre esperar o que é relevante, o sumo. Se este será doce ou amargo, isso já é outra coisa.

Sunday, August 16, 2009

A utilidade da Parque Escolar, empresa pública

Que a recuperação das grandes escolas secundárias se impunha, sabe-se. Que, além das secundárias, muitas outras necessitavam, com urgência, de intervenções, ainda o sabem melhor os milhares de alunos e as centenas de professores que, ao longo de anos, sofreram a estudar e a trabalhar nesses locais inimagináveis. (E quantas destas continuam na mesma? Informem-se, que é significativo.)
Pelo estado em que se encontrava uma parte significativa do parque escolar, a criação da empresa pública e consequente retirada às DRE's de competência de obras no parque escolar tutelado pelo ME parecia, pois, justificar-se, e merecer os elogios que, a propósito, foram feitos à ministra.
Por aqui, compreendendo-se a necessidade que poderia justificar a medida, surpreendeu-nos o aparecimento dos milhões afectos à tarefa atribuída à Parque Escolar, quando até aí as DRE's se debatiam com sérios problemas para remendar uma simples caldeira numa escola, ou tinham que esmolar e regatear entre si PIDDAC para poderem acudir a necessidades prementes de edifícios antigos, ou para a construção de edifícios novos, mesmo quando as rupturas da rede escolar mais do que justificavam a construção destes. Como algumas DRE's tinham nos seus serviços arquitectos e engenheiros bastantes para os projectos e obras a realizar, também se compreendia que, com o aparecimento da Parque Escolar, se tivessem integrado alguns deles na empresa. Fomos esperando para ver, dando-se o benefício da dúvida, mas, entretanto, começaram a soar bocas de negociatas que o espartilho das DRE's não permitia fazer. Começava a encontrar-se explicação para a razão de ser e para o "sucesso" da Parque Escolar. Finalmente, que isto de eleições tem este efeito, os segredos começam a transpirar. Claro que vai dar em nada, como sempre. Ao menos, ficaram algumas escolas arranjadas, e uns quantos senhores mais ricos. É a vida, como dizia o outro (era engenheiro, claro!).

Friday, August 14, 2009

Suri Cruise


Enquanto os papás se defendem do inverno australiano com os convenientes agasalhos, a pequenina Suri Cruise passeia de ligeiro vestido branco sem mangas. Basta-lhe o calor do colo materno?

Afinal, Sócrates tem sentido de humor...



... de vez em quando até faz de palhaço, sem se rir, só para divertir o povinho!

Se Sócrates tivesse um átomo do "panache" de Obama...


... estaria agora a beber umas cervejolas com o Rodrigo Moita de Deus nos jardins refrescantes da residência oficial, rindo-se da escalada da bandeira. Mas como de Obama, Sócrates tem nada, Deus presta contas na Judiciária. É o Estado de direito a funcionar. Aplauda-se a aplicação da lei, e registe-se como na CML manda gente séria.
Daqui por 7 anos a gente vê-se, Rodrigo.

Wednesday, August 05, 2009

E assim nasceu uma estrela!

Marilyn Monroe
01/06/1926 - 05/08/1962

Sócrates venceu Moniz

A primeira vitória eleitoral de Sócrates - tirou José Eduardo Moniz da TVI.

Monday, August 03, 2009

E num tom professoral...

... os cartazes do PSD dão conselhos à governação. Ao PS? Ao PSD, sem Manuela Ferreira Leite? Se não é este o objectivo, é o que parece, e em política o que parece é. Mas que especialistas de marketing político foram esses que se esqueceram que uma primeira imagem é o que conta? Na organização dos cartazes, a frase: ouvimos os portugueses mal se lê a média distância, pelo que o que primeiro se retém é a mensagem das "gordas", dirigida pela líder do partido a terceiros. Nestes cartazes do PSD, a leitura imediata é a de uma professoral Manuela Ferreira Leite a dar sugestões de governação a outros. O PS decerto que agradece a subliminar mensagem.

Slow motion

Entretanto, ao que transparece das reuniões "secretas" que correm nos bastidores, no PSD a escolha dos eventuais futuros responsáveis para a educação passa pelo crivo habitual - os "coronéis" do aparelho. Para já, a liderança da corrida está determinadamente assumida pela tralha que Santana Lopes instalou na 5 de Outubro. Viu-se a "obra" que deixaram... A sorte foi terem tido tão pouco tempo, mas soube-lhes a pouco e preparam-se para voltar ao local do crime. Justificam-se os responsáveis pela falta de rigor e de vergonha - é à míngua de melhor, que Belém não abrirá mão dos seus recursos. É pena!

Uma aventura

Em período de eleições afinam-se as estratégias da caça ao voto, e Sócrates, o rei dos burlões, apressa-se a apresentar sangue novo para a educação. Fala-se em Isabel Alçada, para suceder a Maria de Lurdes Rodrigues. De aventuras tem ela experiência, da carreira docente do ensino não superior também. Serão "ferramentas" suficientes? Se a elas somar a arte e o engenho, já chegará para começo de conversa. Mas que o desafio é enorme, isso é.

Que maçada, ter razão antes do tempo!


Quando esta criatura aterrou no ME pouca foi a esperança que tive que trouxesse à educação mais do que ideias feitas sobre rancores antigos e velhos complexos de classe, bem amassados com a sua muito pessoal capacidade para desprezar a opinião alheia e a sua recorrente sobranceria e falta de "berço". A fúria contra a classe docente com que "arrancou" em funções trouxeram-lhe as loas dos que nisso viram a resposta ao que lhes era mais confortável aceitar como justificação para o instalado descalabro da educação - a incompetência, o laxismo e a má-vontade dos professores eram a "mãe" de todas as falhas e insucessos. Da esquerda à direita ergueram-se vozes a incensar a fera da 5 de Outubro, enquanto boa parte do país pensante e não pensante banhou as mãos na água de Pilatos, que o problema estava finalmente entregue, e, a ferro a fogo, a senhora resolveria o assunto. Cinco anos passados, a maior manifestação de que há memória, milhões distribuídos em Magalhães e afins, vemos no que deu - as escolas não estão melhor, os alunos continuam a ser péssimos, os professores nem estão vencidos, quanto mais convencidos, por baixo do véu de propaganda que enfeita cada medida tomada pela senhora tresanda a porcaria que a mesma é. É certo que se encheram uns quantos bolsos, criaram-se e reforçaram-se pequenos poderes, a teia de interesses mudou de dono, mas engordou, tudo pareceu mudar, e mudou, mas para pior. Finalmente, até Sócrates já passou a outra senhora, deixando cair, sem um assomo de apreço, tão medíocre criatura.
Por aqui, que já em 2005 lhe reconhecíamos a nulidade (e a malignidade balofa), cansámo-nos cedo de lhe apontar o ferro. Para quê, se o tempo nunca deixa de repor a verdade? Este erro de casting, que nunca deveria ter-se sentado na 5 de Outubro, nem para uma visita de estudo, sairá carregando mais quatro anos perdidos para a educação deste país. Essa é a verdade, como irão ver em breve os ingénuos, que ainda acham que algumas das coisas que esta pessoa fez na 5 de Outubro são aproveitáveis. Não são, e será bom que quem lhe suceda o perceba, mesmo antes de lhe herdar a cadeira.

Friday, June 26, 2009

Farrah Fawcett


Those were the days ...
RIP