Friday, December 16, 2005

Simplesmente vergonhosa

É a posição da Associação de Professores de Português sobre a decisão do ME em manter exames desta disciplina nos cursos gerais do 12º ano.
«Nós concordávamos com o fim do exame obrigatório no 12º ano porque entendemos que não é o exame que resolve os problemas ao nível do desempenho dos alunos", disse Paulo Feytor Pinto, presidente da associação
Com argumentos destes, como pode a classe docente opôr-se às arbitrariedades e incompetências do ME?
Uma vergonha.

5 comments:

Miguel Pinto said...

Já entrei várias vezes com vontade de comentar e resisti. Não queria regressar a um assunto fastidiosamente controverso. Mas,… tive uma recaída… e aqui vai.
Encontro nos discursos pró-exame dois argumentos: 1º selecção de alunos [funil de acesso ao ES]; 2º Instrumento de avaliação [socialmente] credível.
Se há um problema na selecção por que razão não se escolhem outros mecanismos, porventura mais elitistas, mas menos hipócritas? Refiro-me a um acesso exclusivo para os alunos com poder económico e que beneficiaram de uma educação privilegiada.
Quanto ao 2º argumento noto-lhe uma enorme incongruência: se a sociedade crê que estamos perante um instrumento fiável é difícil perceber os motivos pelos quais não se generaliza a todas as disciplinas do plano de estudos e não se valoriza todo o espectro disciplinar. Exames a todas as disciplinas já!

Pinho Cardão said...

Caro Crack:
Uma vergonha,mesmo!...

Caro Miguel Pinto:
Exames a todas as disciplinas, por que não?
Assim é que devia ser.
A vida não é um exame permanente?
Por que não treinar antes?
Causa traumatismos psicológicos?

crack said...

Caro Miguel Pinto
Apraz-me que tenha comentado, porque, ao fazê-lo, enriquece este despretensioso blog.
Quanto ao que escreve, discordo do que me parece ser a sua resistência aos exames, pelos dois argumentos que avança.
1º argumento, a selecção - parece-me que assume que os exames do secundário têm apenas por finalidade o acesso ao ensino superior; eu considero-os importantes como um dos elementos de avaliação final de um ciclo de estudos, admitindo até que se desligasse o acesso à universidade do processo de conclusão do secundário; os privilégios e acessos exclusivos são questões a resolver a montante dos exames, com uma escola verdadeiramente inclusiva, em que a igualdade de oportunidades não seja apenas uma alavanca do discurso dos especialistas em "eduquês".
2º argumento, instrumento de avaliação - não partilho da opinião de que os exames são menos fiáveis do que um processo de avaliação contínua, pelo que entendo que os exames devem ser mais um dos elementos de avaliação a usar pelo professor, com um peso relativo na classificação final do aluno; no resto, subscrevo o Pinho Cardão.
Caro Miguel Pinto
Lamento a atitude dos representantes dos professores de Português, porque esta em nada os dignifica - se, também para eles, a importância desta disciplina é inquestionável, a existência do exame nunca poderia ser criticada, a não ser que os professores tenham medo do que os resultados dos exames evidenciam sobre o seu próprio trabalho.

crack said...

Caro Pinho Cardão
Diz muito bem, a vida é um exame permanente. Uma escola de facilitismo e proteccionismo excessivo em nada beneficia, porque não prepara para a vida. Se os exames forem um elemento da avaliação final dos alunos, com um peso relativo, não vejo em que prejudiquem qualquer aluno.

Miguel Pinto said...

Caro crack
É sempre com prazer que comento e escuto os que tem a dizer. Aproveitei esta troca de pontos de vista para criar uma nova entrada sobre o assunto.