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Thursday, October 29, 2009

Os ajudantes da nova ministra da educação

Para os contentinhos com a saída de Maria de Lurdes Rodrigues do ME (e não se contesta que essa saída era absolutamente inevitável), o balde de água morna que a escolha da autora de livros juvenis para a substituir representou gelou rapidamente com a nomeação dos dois ajudantes que Sócrates lhe arranjou.
João da Mata é o homem de mão de Maria de Lurdes Rodrigues desde os velhinhos tempos do OCES, de onde saltou promovido a gente com a também promovida chefe. Daí a director geral das estatísticas do ME foi um sopro, ou não lhe fossem reconhecidos prestimosos serviços como cão de fila da senhora. Conhecem-se os "dinâmicos" contornos da dedicação aos números da educação que a cinzenta personagem personificou no consulado da agora "defunta" ministra, a ele se devendo a imaginativa engenharia do sucesso das políticas socráticas para o sector, para só se falar no mais público.
Alexandre Ventura, por seu lado, foi o pressuroso responsável pela cobertura institucional das estruturas "independentes" do ME à encenação do sucesso das políticas educativas de Maria de Lurdes Rodrigues, sucesso tão imaginativamente criado e exposto às massas pelo agora colega de equipa.
Tudo bons rapazes, como se comprova, pelo que não é preciso ser bruxo para perceber que, no que à educação diz respeito, vai valer tudo, para ficar tudo cada vez mais na mesma.
E viva o PS, e os seus governos!

Monday, August 03, 2009

Slow motion

Entretanto, ao que transparece das reuniões "secretas" que correm nos bastidores, no PSD a escolha dos eventuais futuros responsáveis para a educação passa pelo crivo habitual - os "coronéis" do aparelho. Para já, a liderança da corrida está determinadamente assumida pela tralha que Santana Lopes instalou na 5 de Outubro. Viu-se a "obra" que deixaram... A sorte foi terem tido tão pouco tempo, mas soube-lhes a pouco e preparam-se para voltar ao local do crime. Justificam-se os responsáveis pela falta de rigor e de vergonha - é à míngua de melhor, que Belém não abrirá mão dos seus recursos. É pena!

Thursday, March 27, 2008

Sopas de leite e paninhos quentes

Só hoje? A reboque do escândalo público? Quase aposto que preferia poder evitá-lo.
Entretanto, a escola propôs, e a DREN aplicou, o estatuído para a prevaricação grave praticada por alunos - a transferência de escola. Este caso permite tornar público que o "castigo" maior a poder ser aplicado se resume a uma mudança de cenário.
Percebem todos, agora, como isto chegou ao caos a que chegou?

Wednesday, March 26, 2008

A nossa mulher em Maputo*

Maria de Lurdes Rodrigues descansa a imagem e a cabeça, acompanhando a comitiva do Senhor Presidente a Moçambique. Para além do efeito útil de a retirar das garras da contestação que enfrenta, o Senhor Presidente, ignorando a sensibilidade dos que lhe levam a mal tal demonstração de apoio e simpatia pela sinistra personagem, aproveitará a proximidade para umas explicações particulares sobre o complexo processo de avaliação dos professores? Entretanto, o ajudante da ministra mete os pés pelas mãos na questão da violência escolar, mas até nisso a ministra ficou a ganhar com a ausência - pelo menos, estas bacoradas não foi ela que as disse.
* a actual ministra e antiga cooperante terá aproveitado para explorar futuras oportunidades de trabalho no território?

O silêncio é de ouro*

«O PSD considerou hoje que o anúncio do ministério da Educação de que as escolas podem contratar técnicos para resolver problemas graves de indisciplina é mais um "sinal de absoluta desorientação do Governo", que surge fora da altura ideal

Vem o PSD clamar que o ME demonstra desorientação ao acenar com a contratação de técnicos para resolver os casos de escolas com indisciplina generalizada (só nestas? e o que se entende por generalizada?). Tem alguma razão o PSD, embora a nuance do politiquês na crítica ao governo acabe por deixar no balde do lixo da politiquice caseira o mais importante. Efectivamente, não é porque esta resposta do governo surge a reboque do caso do vídeo que está fora de tempo - é porque os parcos recursos que existiam no terreno foram desmantelados por esta equipa governativa, e nada foi criado em alternativa. Para quem tenha dúvidas de que o que este governo tem feito é desmantelar estruturas que existiam, ou reduzi-las ao ridículo de fachada inoperante, recordo o exemplo gritante da educação especial, e estamos conversados. Também não é por ter o governo rejeitado uma proposta semelhante do PSD, que perde agora razão na decisão - é porque não preveniu, a tempo, a possibilidade desta opção, agora caída do nada que é o imaginário governamental, e basta uma olhadela ao orçamento para concluirmos da impossibilidade daquilo que o senhor Valter Lemos afirma. É, sim, porque, uma vez mais, a ligeireza com que o governo admite efectuar esta contratação de técnicos demonstra duas coisas: primeiro, que não conhece a situação real no terreno, porque se conhecesse a extensão da mesma saberia que não tem meios para fazer face à dimensão do encargo que isto representa, para ser uma medida séria e eficaz; depois, que a contratação de técnicos supõe estarmos a falar de equipas multidisciplinares, uma por agrupamento escolar, com elementos suficientes, em número e em formação diversificada, e não a contratação avulsa de "técnicos", tarde e a más horas, em número espartilhado pelas restrições orçamentais, que o ME entende deverem condicionar estes recursos. Ora, só pode ser destas medidas avulsas e de remedeio que o senhor Valter Lemos está a falar, a não ser que queira que lhe chame mentiroso. Será néscio, se julga que pode fazer frente a um cancro em fase terminal com uma aspirina - não cura e pouco alivia - mas, infelizmente, os néscios não estão impedidos de serem nomeados para cargos governamentais.
Que os estabelecimentos de educação e de ensino tenham equipas técnicas multidisciplinares para enfrentarem os graves problemas que existem será, de facto, o melhor enquadramento para os conflitos relacionais que se vivem actualmente nas nossas escolas, e constituirão uma parte muito importante de uma nova arquitectura do sistema educativo que, quando estiver totalmente operacional, propiciará a existência de uma nova Escola, espaço privilegiado para a troca de saberes e de experiências, a partir de novas abordagens educativas, novas competências profissionais dos docentes, novas ferramentas de enquadramento social e cultural e, sobretudo, maior responsabilização de todos e de cada um. Só então teremos uma resposta adequada às emergentes e mutantes necessidades do novo tipo de aluno que as novas sociedades, abertas e informadas, criaram, aluno cada vez mais desconhecedor e distante do paradigma da relação familiar e social que conhecíamos.
Mas chegar a este patamar é aquilo em que o senhor Valter Lemos não pensa, não quer e não pode pensar. Porquê? Primeiro, porque de Escola sabe pouco, e de Educação sabe nada; depois, porque não está secretário de Estado para outra finalidade que, para além do proveito próprio, não seja melhorar os indicadores estatísticos da educação portuguesa com reengenharia laboratorial assistida, de caminho canalizar o orçamento do ME para as «melhorias» imediatamente visíveis, de preferência as que dão contrapartidas eleitorais, e outras, e, finalmente, embrulhar a acção do ME no celofane da propaganda governamental. Ao que o senhor Valter Lemos diz eu não chamaria desorientação, como faz o PSD, mas admito que a cortesia da oposição parlamentar imponha a este partido alguma contenção verbal. Até porque tem telhados de vidro...

* Valter Lemos deveria sabê-lo

Thursday, June 14, 2007

Voltando aos tiques autoritários do ME

Não são apenas os casos mais recentes e mediáticos da DREN e da APM, que nos demonstram que existe no ME uma "cultura" propícia ao acobertamento de comportamentos autoritários, por parte de dirigentes daquele ministério. Direi, até, que será essa "cultura" que os instiga, através do mau exemplo dos membros do governo que os tutelam e que têm, eles próprios, uma atitude e um estilo de sobranceiro autoritarismo. Esta atitude e este estilo estão, sobejamente, evidenciados nas relações da ministra e secretários de estado com professores, com escolas, com sindicatos, com deputados da oposição, e com jornalistas que não pertençam às agências que fazem a propaganda governamental. Se é certo que as Margaridas Moreiras e os Capuchas de que o ME se serve, instigando-os e acobertando-os, não encontram, por isso, desculpa para as suas prepotências, a verdade é que não podemos ignorar a responsabilidade de quem lhes cria a expectativa de impunidade em que actuam, como se lhes "armassem a mão".
Os atropelos aos direitos dos trabalhadores docentes das escolas, de que o concurso para professor titular é, apenas, mais um triste exemplo, não podem deixar de ser vistos à luz deste quadro de autoritarismo galopante. A passividade com que esses atropelos acabam por ser aceites pela classe, e pelos representantes desta, só tem sido criticada por alguns, quando deveria assustar todos. Porque cada uma destas vitórias das Margaridas Moreiras, dos Capuchas, dos Pedreiras, dos Lemos e das Marias de Lurdes são degraus que se descem do patamar das liberdades, direitos e garantias, pelos quais alguns de nós combateram uma vida inteira.

Tuesday, June 12, 2007

Professora agredida por pai de aluna recebe tratamento hospitalar

E agora, senhora ministra? Crime público? O agressor já está a contas com a justiça? Ou é mais um caso a esquecer, como centenas de outros casos semelhantes?

Thursday, June 07, 2007

A coveira

A imagem é do We have Kaos in The Garden, e não poderia ser mais simbólica, como ilustração do triste caso da Profª Manuela Estanqueiro, mas, sobretudo, porque este caso é, ele próprio, e infelizmente, o retrato da passagem de Maria de Lurdes Rodrigues pelo Ministério da Educação - a morte, a golpes de machado, de um sistema educativo gravemente doente, com a permissão de um governo de costas voltadas para tudo o que não seja a defesa de obscuros interesses pessoais e partidários!

Wednesday, May 30, 2007

Confiança política requisitada

Ainda a propósito do processo movido a Fernando Charrua pela zelosa Directora Regional do Norte, o socialista João Bernardo disse na Comissão Parlamentar de Educação que os professores requisitados para os serviços do Ministério da Educação devem "desenvolver uma política educativa de determinado Governo, neste caso do PS". Bom, pelo menos, a este fugiu-lhe a boca para a verdade. Neste entendimento, esperar-se-ia uma renovação acentuada dos professores que prestam serviço, em regime de requisição, nos vários organismos do ME, não se desse o caso de a maioria deles estarem nessas funções há largos anos, sendo figuras de proa do partido da rosa. Percebe-se, agora, por que razão os ministros da educação que não são do PS têm tido tão dificultada a vida? E, também, porque é que, na 5 de Outubro, só mudam as moscas?

Tuesday, May 29, 2007

Aferição e erros de ortografia

Os erros de português, nas provas de aferição, não contam. E depois, qual é a admiração? Trata-se, apenas, de uma exemplar prova do tão apregoado rigor do Ministério da Educação, sob a batuta de Maria de Lurdes Rodrigues!
Entretanto, a coberto dos discursos fanfarrões, fecham-se milhares de escolas do 1º ciclo, sem que se tenha notícia de melhoria nas escolas de acolhimento dos alunos desalojados, ou exista qualquer prova de que este processo de fecho coercivo, e cego, esteja a ser avaliado pelo ME, e que as consequências para os percursos escolares dos alunos atingidos estejam a ser monitorizadas, ou a merecerem mais do que os protestos egoístas e oportunistas dos caciques locais.
No sucesso das incoerentes acções do ME, nestes dois anos de governo socialista, só acredita quem quer, mas é, sempre, uma questão de fé, porque as provas estão aí, a desmentirem a propaganda oficial.

Tuesday, May 22, 2007

«20% dos alunos são vítimas de 'bullying' »

Será difícil inverter esta situação em escolas a braços com uma crescente diminuição de pessoal de apoio e com a redução drástica de equipas multidisciplinares. A verdade é que estes problemas estão, em grande parte, atirados para a responsabilidade, quase exclusiva, dos professores e órgãos de gestão. Enquanto os governos quiserem resultados sem darem os meios, e as associações de pais se sentirem mais vocacionadas para se constituirem como fiscalizadores dos professores, do que para cooperarem com as escolas na resolução destes problemas, as boas intenções apenas alimentarão o crescimento do número de vítimas.
E para quando o reconhecimento do direito das famílias, que assim o desejem, poderem optar por um ensino doméstico apoiado pelo sistema regular de ensino?

Ainda o tenebroso caso DREN

O silêncio, de quem já deveria ter dito alguma coisa, é ensurdecedor! E, não, não me refiro ao Presidente Cavaco Silva, para quem só se vira quem quer assobiar para o lado, refiro-me, sim, ao governo e à ministra da tutela.
A acção da Directora Regional do Norte embaraçou fortemente Sócrates e o governo, competindo a este, através da ministra da educação, actuar adequadamente, e com a rapidez que a gravidade deste episódio exigiria. Ao não o fazer, todo o governo se torna cúmplice, e a ministra da educação assume o rosto dessa conivência. Está a ser absolutamente desastrosa, a gestão deste lamentável episódio, que só amplia, com novos recortes, a saga da licenciatura do primeiro-ministro.

A carroça antes dos bois

Dizem-me que no site da DGRHE estão já os suportes necessários ao registo dos professores candidatos a titulares, para acesso à plataforma informática de suporte e obtenção de password.
Como, tanto quanto sei, o decreto-lei que regulará esta matéria ainda não foi publicado, ou a DGRHE está a trabalhar muito bem, ou alguma coisa estará muito mal. Se estamos perante testes levados a efeito pela DGRHE, para afinação dos suportes a utilizar futuramente, há que registar, com apreço, o mérito da cautela de um ensaio. Se estamos perante uma forma encapotada de acelerar o processo, iniciando-o ainda antes de existir o respectivo quadro legal, então algo continua a estar muito mal, no reino da senhora das estatísticas. Convém aos interessados ficarem muito atentos.