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Tuesday, April 29, 2008

Skammen (3)

Apontamentos de uma conversa de alguns alunos com uma jornalista, por Fernanda Câncio, no Cinco Dias:
«De repente, a conversa está nos professores: o que fez um deles chorar e sair da sala porque lhe disse que ele tinha ciúmes do melhor amigo, outro que “falava de sexo nas aulas” – “e não era tipo educação sexual”, atalha logo um –, “dizia que as mulheres não lhe resistiam” e um dia “meteu as mãos nas pernas de uma aluna”. Fizeram queixa à directora de turma, que levou o caso ao conselho executivo. “Disseram que ele ia levar um processo disciplinar”. “Mas não levou”, concluem. “Felizmente já não nos dá aulas, não gostávamos nada dele”.
Encorajados com a perplexidade da interlocutora, avançam para a “sotôra de português”. A “sotôra de português que está sempre a falar da ministra”. Como, a falar da ministra? Riem. “Ah, a dizer que ela devia deixar de ser ministra, que se devia ir embora, porque trata mal os professores…” E vocês, que dizem? “Não dizemos nada, ficamos ali a ouvir aquela seca. Às vezes interrompemos, ‘ó sotôra…’ [com ar de enfado]. Mas ela quando começa nunca mais se cala. Que tem nos avaliar a nós e depois ainda tem de avaliar os colegas, que é muito trabalho…” Rebolam os olhos. “Os professores sentem-se maltratados… E ela vem desabafar connosco, coitada”.
Não, nunca contaram isto aos pais. Sabem perfeitamente que está errado uma professora ocupar tempo de aulas a ventilar as suas objecções à política da educação, mas desculpam-na. “Os professores estavam habituados a ter regalias e agora acabaram-se…”, comenta a ruiva sardenta de olhos verdes, a mais alta do grupo. O moreno de óculos, cabelo escadeado e rosto angelical que o professor fez chorar acrescenta, rápido: “A minha mãe farta-se de trabalhar e está sempre a ser avaliada, porque é que os professores não hão-de ser?” Os outros concordam. A questão nasceu decerto das conversas lá em casa, mas nunca chegou à aula de português. Afinal, é a professora que os avalia, e não ao contrário – talvez eles não a queiram contrariar por isso, ou apenas porque, com 15 anos, têm maturidade suficiente para perceber que quem lhes devia dar o exemplo nem sempre está à altura. E porque são bons miúdos. Também há, aliás, há sobretudo disso, bons miúdos. Como estes, que mal ouvem, lá longe, tocar a campainha da escola se despedem, não sem antes acrescentar: “Mas não fique a pensar mal dos professores, temos professores muito bons”. E outros que não. Qual é a novidade
?
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Thursday, March 27, 2008

Sopas de leite e paninhos quentes

Só hoje? A reboque do escândalo público? Quase aposto que preferia poder evitá-lo.
Entretanto, a escola propôs, e a DREN aplicou, o estatuído para a prevaricação grave praticada por alunos - a transferência de escola. Este caso permite tornar público que o "castigo" maior a poder ser aplicado se resume a uma mudança de cenário.
Percebem todos, agora, como isto chegou ao caos a que chegou?

Saturday, January 26, 2008

Professores ao poder!

"Os professores são os profissionais em quem os portugueses mais confiam e também aqueles a quem confiariam mais poder no país, segundo uma sondagem mundial efectuada pela Gallup para o Fórum Económico Mundial (WEF).Os professores merecem a confiança de 42 por cento dos portugueses, muito acima dos 24 por cento que confiam nos líderes militares e da polícia, dos 20 por cento que dão a sua confiança aos jornalistas e dos 18 por cento que acreditam nos líderes religiosos."

Quando a li pela primeira vez, a conclusão desta sondagem surpreendeu-me. Depois de quase três anos de permanente desgaste da imagem dos professores, tenaz e habilmente conduzida pelo governo, através da sua mulher de mão na 5 de Outubro; depois do descrédito a que o ensino superior tem estado sujeito, tristemente evidenciado em demasiados casos mediáticos, dos quais o abafado caso da licenciatura do Primeiro-ministro será o exemplo mais vergonhoso; depois de variados episódios tristes relacionados com a avaliação dos nossos alunos, bem como dos inúmeros relatórios internacionais que põem em causa o saber dos portugueses que saem das escolas e universidades nacionais, os portugueses dão a sua maior confiança aos professores? Como é possível? Ocorreu-me, então, talvez por não conseguir encontrar para esta escolha outra razão, uma má razão - e se são as medidas que o governo tem aplicado para agrilhoar a classe docente, submeter escolas e domar universidades, que funcionaram como garante de que não têm os professores outro remédio, que não seja andarem na linha, e, daí, a confiança dos portugueses para lhes darem mais poder, sabendo que este estará, por sua vez, tutelado pela mão que empunha o chicote? É uma razão enviesada, bem sei, mas não esqueçamos que aos portugueses uma boa dose de limitação dos direitos, liberdades e garantias cai-lhes bem. Veja-se o Portugal socrático, em que o timoneiro autoritário que faz o que quer e ainda se ri de nós, continua sem cair nas intenções de voto! Triste fado!

Tuesday, June 12, 2007

Professora agredida por pai de aluna recebe tratamento hospitalar

E agora, senhora ministra? Crime público? O agressor já está a contas com a justiça? Ou é mais um caso a esquecer, como centenas de outros casos semelhantes?

Monday, June 04, 2007

Professores incapacitados correm risco de ficar sem vencimento

No Jornal de Notícias: «Milhares de professores considerados incapacitados para a actividade lectiva estão desesperados com a perspectiva de serem colocados em situação de licença sem vencimento de longa duração.» Este é apenas o primeiro parágrafo de um artigo que nos dá conta de que aquela situação que há uns meses atrás mereceu as maiores parangonas por parte do governo - os professores incapacitados para o serviço lectivo foram encaminhados, para serem reaproveitados em museus, e outros organismos da AP - não passou de mais um balão de ar, como todos os outros com que o governo chuta para fora os problemas de que enferma o sistema educativo. Com os cortes que se antecipam em todos os serviços e organismos, a situação que foi criada a estes professores não surpreende, mas preocupa, e revolta, porque nas escolas faltam os apoios de toda a ordem e muitos destes docentes ainda poderiam, e deveriam, ser aproveitados em actividades em que continuariam a ser úteis aos alunos e às escolas.