Monday, July 30, 2007

I should care



I should care, I should go around weeping
I should care, I should go without sleeping
Strangely enough, I sleep well
Except for a dream or two
But then I count my sheep well
Funny how sheep can lull you to sleep, so

I should care, I should let it upset me
I should care, but it just doesn't get me
Maybe I won't find someone as lovely as you
But I should care, and I do


Jane Monheit

The Annie Leibovitz Covers*

Hollywood Highest
(1995)
Vanity Fair

Férias paradisíacas...

Desmantelar a família

«O primeiro-ministro, modestamente, não reivindicou para si os méritos deste resultado, mas não há dúvida que se deve a uma estratégia longamente meditada e coerentemente aplicada durante décadas por vários governos. Não seria possível atingir valores tão miseráveis de natalidade sem esta intensa e persistente atitude política. Foi este Executivo que fechou maternidades, liberalizou e subsidia o aborto, impôs a educação sexual laxista. Ele é o herdeiro dos que facilitaram o divórcio, promoveram uniões de facto, promiscuidade, homossexualidade. Os portugueses estão em vias de extinção e José Sócrates pode gabar-se disso.O valor agora revelado não é surpresa inesperada, mas vem na sequência natural de uma linha já antiga. Todos sabemos como a cultura progressista, manifestada por intelectuais, leis, telenovelas e programas educativos, se opõe à chamada "família tradicional". No antigo regime obscurantista a fertilidade portuguesa manteve altos valores, à volta de três nascimentos por mulher, até ao início da década de 70. Com a democracia e desenvolvimento começou a tendência moderna de queda da fertilidade.Aqui Portugal não só conseguiu a convergência com a Europa, mas ultrapassou-a largamente. A nossa taxa de fertilidade de 1,36 nascimentos por mulher é bastante inferior à média da União Europeia (1,52), por sua vez muito menor que o nível de reposição das gerações de 2,1. Não se pode dizer que se trata de uma fatalidade sistémica, porque em países próximos os esforços atentos têm conseguido inverter a trajectória. Trata-se mesmo de uma específica estratégia nacional. O Governo português mostra decididamente à Europa o caminho para a decadência populacional
O estilo beato do cronista, que, frequentemente, nos faz desistir de ler os seus escritos, não deve impedir-nos de reconhecer a lucidez e a frieza desapaixonada com que analisa esta questão. Tem toda a razão nas causas que aponta, mas o problema, sendo nosso, atira-nos para "os braços" dos países mais desenvolvidos, em que este problema da baixa natalidade cada vez mais se coloca. Há 10 anos, num taxi de Nova Iorque, mantive uma longa e muito interessante conversa com o motorista afro-americano, sobre a diferença que distingue todos os representantes do melting pot dos born americans. Dizia ele que seria pelo menor investimento na natalidade, que a supremacia dos white americans cairia. Não se enganava. Dez anos depois, veja-se como o fenómeno tem evoluído nas terras do Tio Sam. E não precisaram do Sócrates. Neste domínio, os nossos políticos, com o assertivo Primeiro-ministro incluído, têm sido, apenas, peças de escassa importância.

The magic lantern

Ingmar Bergman era mentalmente doente, por uma debilidade da sua natureza, ou, segundo alguns, por força da educação fortemente repressiva que recebeu. O seu contributo para o cinema emana, em grande parte, desse caótico e deprimente universo pessoal, que alguma crítica ajudou a guindar a génio, classificando o seu caos interior, que ele estilhaçava em imagens, como expoente de intelectualidade. Enquanto que uma crítica snob e comprometida procurava, no desamparo cinematográfico da sua obra, o contraponto qualitativo, com marca de autor, à cinematografia clássica saída do star system, Bergman reconhecia que não conseguia ver nenhum dos seus filmes, sem ficar num estado de profundo desespero e depressão. É essa lúcida e cerebral abordagem à sua filmografia, que lamento ver perder-se com a sua morte. Com esta, voltarão as análises da intelectualidade reinante, as teses dos cinéfilos que não amam o cinema, e os aprofundamentos psicanalíticos da indústria, para quem a cinematografia bergmaniana apenas representa uma fatia de mercado, que convém alimentar na sua singularidade. Cinematografia bergmaniana que o próprio não identificava, sequer, e que para ele não passava de um espaço em que libertava os gritos de uma mente torturada e doente, que, expondo-se assim, buscava, obsessivamente, a autoregeneração. Que nunca encontrou no cinema, mas apenas no teatro. Bergman morreu, tão doentiamente demente como sempre foi, enfrentando, finalmente, o cavaleiro da morte, que tanto o obsessionou.

Wednesday, July 25, 2007

Manuel Alegre, pela liberdade...

Ítaca
Não vale a pena suportar tanto castigo.
Procuras Ítaca. Mas só há esse procurar.
Onde quer que te encontres está contigo
dentro de ti em casa na distância
onde quer que procures há outro mar
Ítaca é a tua própria errância.
Manuel Alegre

O caso Charrua

A senhora ME fez, tarde, o que se impunha - arquivou o processo, sem sanção para o professor e ex-deputado Fernando Charrua. Margarida Moreira continua colocada como Directora da DREN. Insurgem-se as boas almas com isto, mas porquê?
Vejamos: o objectivo deste kafkiano processo foi plenamente atingido - o governo, com a preciosa ajuda de uma zelosa comissária política, fez o aviso à navegação - ou calam-se, ou levam! Bastou este caso, mais uns safanões na saúde, e umas acusações a manifestantes, tudo suculentamente abocanhado pelos media, e aprendemos todos o caminho de regresso aos processos pidescos de antigamente. O silêncio impera nos corredores da AP, e todos sabemos que a rolha voltou, e com ela os "bons" hábitos da bufaria, que a revolução de Abril tinha vindo quebrar. Margarida Moreira deveria ser demitida? Sem dúvida, não fosse dar-se o caso de ter ela sido o instrumento do cacete do governo, a quem só fica bem pagar-lhe o favor, mantendo-a em funções.
Nota: Obviamente que Charrua não volta à DREN, porque, estando requisitado, este vínculo foi quebrado pela entidade requisitante, no caso, invocando falta de confiança...política. Está na escola, seu lugar de origem.

Sócrates, el trolero

A cena do Primeiro-ministro, acolitado pela "eficiente" ministra da educação, a distribuir computadores, perante crianças contratadas como figurantes para aquela charada, deixou o país estarrecido. Francamente, não sei porquê, se toda a acção governativa não passa disso mesmo, de uma encenação permanente, e só não o vê quem não quer. Será porque está em causa o trabalho infantil? Ora, não sejamos cínicos, nem ingénuos. Desde quanto as crianças contam, neste governo, com esta ministra? Servem os interesses pontuais dos governantes, são usadas e depois dispensadas, cada vez mais espoliadas de verdadeiras estruturas de apoio. A cena que tanto escandaliza toda a gente acaba por ser mais honesta, porque, ao menos, estes jovens sabiam ao que vinham e venderam a sua participação. O que geralmente acontece é que os jovens, em nome de quem a senhora ME tem vindo a desmantelar o que restava do pobre edifício educativo, são apenas comparsas de todo o tipo de embustes, a custo zero.