Monday, September 14, 2009

No rescaldo dos debates

Finda a série de conversas, que de debate de ideias tiveram pouco, a todos aqueles a quem não interessa o foguetório das opiniões de comentadores mais ou menos comprometidos, pouco de substantivo ficou digno de registo. De facto, relembra-se mais o superficial da mensagem dos actores em palco e as imagens que se retêm dos protagonistas desta ocasião, mas, nestes tempos em que o efeito televisivo determina o que existe, ou não existe, talvez seja apenas isso mesmo o que interessa. Tendo, portanto, em conta o "boneco" que a prestação televisiva permitiu a cada um criar, podemos concluir que o maior contributo dos debates para a campanha se ficou por uma maior definição das imagens dos lideres partidários.
Louçã e Jerónimo de Sousa fizeram o seu papel, cada vez mais fanático o primeiro, crescentemente genuíno e confortável nas suas limitações o segundo. Enquanto o BE aspira crescer o suficiente para manter acesa a chama messiânica de Louçã, o PCP luta por não ver cerceada a coerente obediência à sua circunstância. Não parece que possam ser, para já, a alavanca a um PS em queda, mas...
Paulo Portas, apesar de longe das suas melhores prestações televisivas (ou talvez por isso), conseguiu ser o melhor em todos os debates em que participou. Provavelmente não haverá cada vez mais gente a pensar como o CDS, quase de certeza que não irá haver muito mais gente a votar no CDS, mas é inegável que pode agora invocar o mérito de ter apresentado propostas e alternativas em áreas que o tempo demonstrou serem prioridades a que nenhum governo poderá fugir. Conseguiu tornar-se incontornável depois do dia 27?
Manuela Ferreira Leite conseguiu ser melhor do que se esperava, embora se esperasse muito pouco da sua capacidade de "vender" um PSD renovado. Antevia-se mesmo o seu colapso perante a habilidade, a experiência propagandística e a telegenia de Sócrates. Não aconteceu assim. Claro que foi igual a si própria, séria em demasia para estes tempos levezinhos da opção oportunista, assumidamente imperturbável no rumo traçado. No debate com Sócrates foi obrigada a uma atitude que lembra o adulto professor cheio de paciência perante as questões tontas de um aluno medíocre, imagem que não seria decerto a que mais lhe interessava passar, mas convenhamos que, com o seu perfil, não tinha alternativa perante um oponente que, de programa do PSD em punho, ridiculamente teimava em querer saber as razões, não do que nele consta, mas do que dele está ausente. Se a seriedade, a coragem da competência e o desassombro contassem na opção de voto, Ferreira Leite poderia considerar-se vencedora.
José Sócrates perdeu-se de si mesmo, escondido que foi, por inoportuno, o animal feroz e ainda mal adestrado na sua nova persona, misto de herói salvador impoluto, vítima sacrificada a injusto julgamento e simpático vizinho do lado em qualquer bairro suburbano. A verdade é que a sua imagem tresanda já a cadáver político, na boca e no olhar sente-se-lhe a derrota e, como com qualquer animal ferido, sabe-se que o tiro certeiro que o atingiu o matará, já aqui, ou uns tempos mais à frente. A vitória, a sorrir-lhe, será escasso remédio para esta morte anunciada.
Pelo que foram, e, principalmente, pelo que não foram, os debates contarão menos para as opções dos eleitores no dia 27 do que as circunstâncias e as teias de interesses destes. Ficam, sobretudo, para o acervo das televisões e para o currículo das pivots, com nota muito negativa para Judite de Sousa e elevado mérito para Clara de Sousa. C'est la vie!

Friday, August 28, 2009

Antologia

O many gods, so many creeds,
So many paths that wind and wind,
While just the art of being kind
Is all the sad world needs.


Ella Wheeler Wilcox

Rafal Olbinski







Compromisso de verdade do PSD (III) - absens heres non erit

Com a educação, o compromisso de verdade do PSD compromete-se muito, mas talvez onde menos se esperaria, e onde talvez lhe seja mais difícil cumprir o prometido.
Tenho cá para mim que, naquela que foi a área mais desastrada, e contestada, do governo de Sócrates, aqueles que esperavam um sinal de esperança no programa eleitoral do PSD terão uma desilusão inicial. De facto, a primeira leitura promete pouco, mas quando se relê percebe-se que, afinal, o compromisso pode ser imenso, e significar a reviravolta necessária.
Esqueça-se a ladaínha esperada sobre a revisão dos estatutos do aluno e da carreira docente; ignore-se a questão do modelo de avaliação dos professores; são questões "fracturantes" e seria suicídio político o programa eleitoral não prever a sua reformulação/substituição/revisão, o que for. Com uma pitada de inteligência e de bom senso, não será difícil remediar os estragos, aproveitando o efeito de que, perante a catástrofe, qualquer pequena cedência/mudança/melhoria soará a vitória para a castigada e vilependiada classe docente, e "respirará" credibilidade para uma opinião pública cansada de guerras e desejosa de retorno à ordem. Estes não são, portanto, os compromissos que farão a diferença.
No que o PSD pode vir fazer a diferença, e aqui se compromete muito, é na promessa de um "progressivo alargamento da liberdade de escolha entre escolas da rede pública", associado à possibilidade de os agrupamentos poderem complementar um currículo mínimo nacional, ambos num quadro de diferentes formas de participação e de uma maior co-responsabilização dos encarregados de educação (chegando o "estímulo" destes ao condicionamento de certos apoios sociais do Estado). Se, a esta nova filosofia, se conseguir associar um investimento sério na disciplina e na ordem escolar, com o prometido reforço da imagem e do papel do professor, poderemos dizer que se começa a desenhar um novo olhar sobre o que a escola deve ser hoje, mas, sobretudo, o que terá de ser amanhã. A escola do futuro passa por aceitar que terá de haver escolas diferentes, com populações escolares diferenciadas, e que a igualdade de oportunidades não se resolve a pazadas de Magalhães.
Resta o óbvio - tudo dependerá de quem forem o(a) ministro(a) e secretários (as) de estado e da capacidade que estes tenham de efectuar a limpeza necessária nos gabinetes pejados de bonzos do eduquês, em que o ME se tornou. Só que essa questão mereceria um outro compromisso COM a verdade, e esse parece-me que nem MFL estará disposta (poderá?) a fazer.

Compromisso de verdade do PSD (II) - do que se diz ao que se faz

Não gostaria de ter que concordar com Marques Mendes nesta questão, mas qualquer programa eleitoral depende de quem venha a concretizá-lo. O compromisso de verdade do PSD não foge à regra. Mais do que aquilo a que nele se compromete o PSD, importaria saber em quem MFL pensa para serem os ministros das diferentes pastas. Assim, é só conversa. Boa conversa, conversa séria, sem dúvida, bem direccionada para as áreas mais castigadas pela desastrosa governação de Sócrates, mas, apesar das boas intenções enunciadas, fica-se por uma inteligente estratégia de ataque aos pontos fracos da actual governação, não inviabilizando a possibilidade de um eventual "casamento" pós-eleitoral com o PS. As coisas são o que são, e ainda não foi desta que se virou a mesa, ou, dizendo de outra forma, que se apresentou um compromisso COM a verdade.

Compromisso de verdade do PSD (I) - e fez-se luz


Manuela Ferreira Leite já marcou pontos, ao pôr o PS a promover a apresentação do compromisso de verdade do PSD. E não é pouca coisa, conseguir ter a bem oleada máquina de propaganda do partido socialista a manter o país suspenso do programa do PSD. O que parecia um erro fatal da senhora, acabou, afinal, por resultar em pleno. MFL sai do despique inteiramente vitoriosa - não cedeu um milímetro no seu timing, teve uma extraordinária atenção dos media e ainda conseguiu demonstrar que, com ela, a pirotecnia do verbo e os efeitos especiais da tecnologia acabaram onde acabam as cascas das laranjas, no lixo. Dada a adequada extensão do programa, e a forma exemplarmente simples como o mesmo foi apresentado, podemos mesmo concluir que, com MFL, podemos sempre esperar o que é relevante, o sumo. Se este será doce ou amargo, isso já é outra coisa.

Sunday, August 16, 2009

A utilidade da Parque Escolar, empresa pública

Que a recuperação das grandes escolas secundárias se impunha, sabe-se. Que, além das secundárias, muitas outras necessitavam, com urgência, de intervenções, ainda o sabem melhor os milhares de alunos e as centenas de professores que, ao longo de anos, sofreram a estudar e a trabalhar nesses locais inimagináveis. (E quantas destas continuam na mesma? Informem-se, que é significativo.)
Pelo estado em que se encontrava uma parte significativa do parque escolar, a criação da empresa pública e consequente retirada às DRE's de competência de obras no parque escolar tutelado pelo ME parecia, pois, justificar-se, e merecer os elogios que, a propósito, foram feitos à ministra.
Por aqui, compreendendo-se a necessidade que poderia justificar a medida, surpreendeu-nos o aparecimento dos milhões afectos à tarefa atribuída à Parque Escolar, quando até aí as DRE's se debatiam com sérios problemas para remendar uma simples caldeira numa escola, ou tinham que esmolar e regatear entre si PIDDAC para poderem acudir a necessidades prementes de edifícios antigos, ou para a construção de edifícios novos, mesmo quando as rupturas da rede escolar mais do que justificavam a construção destes. Como algumas DRE's tinham nos seus serviços arquitectos e engenheiros bastantes para os projectos e obras a realizar, também se compreendia que, com o aparecimento da Parque Escolar, se tivessem integrado alguns deles na empresa. Fomos esperando para ver, dando-se o benefício da dúvida, mas, entretanto, começaram a soar bocas de negociatas que o espartilho das DRE's não permitia fazer. Começava a encontrar-se explicação para a razão de ser e para o "sucesso" da Parque Escolar. Finalmente, que isto de eleições tem este efeito, os segredos começam a transpirar. Claro que vai dar em nada, como sempre. Ao menos, ficaram algumas escolas arranjadas, e uns quantos senhores mais ricos. É a vida, como dizia o outro (era engenheiro, claro!).

Friday, August 14, 2009

Suri Cruise


Enquanto os papás se defendem do inverno australiano com os convenientes agasalhos, a pequenina Suri Cruise passeia de ligeiro vestido branco sem mangas. Basta-lhe o calor do colo materno?