«Por meio da morte ou da doença, da pobreza ou da voz do dever, cada um de nós é forçado a aprender que o mundo não foi feito para nós e que, não importa quão belas as coisas que almejamos, o destino pode, não obstante, proibi-las.» Bertrand Russell
Tuesday, October 24, 2006
Outubro Negro
Decididamente, este não está a ser um mês fácil para o governo. Não tivesse Sócrates o perfil autoritário que tem; não estivesse a comunicação social ainda subjugada à voz do dono, e já a opinião publicada se adjectivava de trapalhadas ministeriais, se proclamavam como tiros no pé os constantes disparates de muitos governantes, se encostava o primeiro-ministro às tábuas da incapacidade de coordenar e segurar os seus ajudantes. Mas a tormenta vai tão grande, que nem as regiamente pagas agências de comunicação, que o governo tem ao seu serviço, conseguem estancar a inundação de notícias que nos dão conta do desgoverno que, efectivamente, tem sido, e continua a ser, o executivo de Sócrates.
Deixe-se de lado, por náusea, a trapalhice de Correia de Campos; ignore-se, por patusco, o ministro da economia; não percamos muito tempo com a prussiana ministra da educação, cuja decisão sobre a repetição do exame de química os tribunais acabam de chumbar; centremo-nos na jóia da coroa, o incorruptível, determinado e muito louvado ministro das finanças, responsável por essa "pérola" que é o OE para 2007: pelo que analisam alguns especialistas, o dito documento, que, alegadamente, é um decidido passo para nos salvar das garras da ineficiência e da ineficácia financeira, tem mais buracos do que um queijo, para não dizer que enferma de alguns erros de principiante. Eu, que não sou de intrigas, e muito menos pesco nada de finanças, fico-me pelo que, a medo, vai transpirando na comunicação social. Desde a possível inconstitucionalidade, a buracos como este, que o próprio João Cravinho assinala, vale tudo, no que está expresso, e no que está camuflado.
Neste Outubro, em que a devastação socialista começa a tornar-se evidente, surpreendemo-nos (ainda?!) com o perdão à banca e com a notícia (esperada) de que Portugal teve o pior desempenho orçamental da UE em 2005, com a quebra das promessas eleitorais sobre as Scuts, ao mesmo tempo que se tornam públicos os "donativos injustificados" rebebidos pelo PS após a maioria absoluta. Se a tudo isto somarmos o conflito com as autarquias, o crescimento do desemprego, o assumido atraso da reforma da administração pública, a conflitualidade social, poderíamos dizer que só faltava bater no ceguinho, mas até isso o governo de Sócrates já fez.
Monday, October 23, 2006
"CHINA'S BOOMING ENERGY RELATIONS WITH AFRICA "*
Cresce o investimento da China em Angola. Um casamento de interesses, a acompanhar, atentamente.
* A ler, de Wenran Jiang
Santana está de volta
Agora, atacando directamente o governo, ao considerar que Correia de Campos não tem condições para continuar. Esta investida de Santana Lopes é do melhor que podia acontecer a Sócrates e a um executivo, que começa a acusar fragilidades. Enquanto o povo se distrai com o Pedro, a contestação ao governo adquire uma tonalidade de fait-divers.
Trambolhão tecnológico
«Portugal caiu, entre Junho de 2006 e Junho de 2005, para a 21ª posição de 20º no ranking da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para a banda larga», apesar de ter crescido de 9.9 para 12.9 subscritores por 100 habitantes, no mesmo período. Tenhamos esperança, que devagar se vai ao longe...
Sunday, October 22, 2006
Ele anda por aí...
Santana Lopes sentiu chegada a sua hora para cobrar de Marques Mendes uma liderança frágil e auto-defensiva, traduzida numa oposição errática e nada marcante, por deixar sem réplica os erros, omissões e inverdades do governo. A saída do velho leão das discotecas e bares de moda não será alheia a este Outubro, que vai negro para o governo, porque o faro (ou as estrelas) de Santana não falham na leitura da conjuntura política, sempre que esta lhe parece a mais favorável ao seu estilo e ambição. Infelizmente para este país, em que este governo, autista e autoritário, não tem oposição à altura da sua demagogia e propaganda, a memória das trapalhadas santanistas ainda está tão fresca, que, apesar de Mendes, até podemos ser levados a uma atitude compreensiva para com as trapalhadas deste governo. Arranjem-lhe umas loiras, inaugurem uns locais nocturnos, mas calem o homem!
Friday, October 20, 2006
Meter água
O ministro Correia de Campos corta verbas e, em vez de lavar as mãos, como Pilatos, manda-as lavar aos médicos e pessoal de saúde, como forma de evitar a propagação das infecções hospitalares. Tão folclórica decisão não nos surpreende, vinda de onde vem, mas será possível prolongar-se, por muito mais tempo, esta governação de incompetência técnica, como acontece na saúde, na educação e na economia?
Thursday, October 19, 2006
«cada um deve permanecer no caminho que encetou e não se deixar submeter, limitar ou seduzir pela autoridade»*
Depois da extremamente participada manifestação de professores, e a seguir a dois dias de greve, cuja aderência o ministério se esforçou por minimizar, o ME não poderia gerir a negociação com os sindicatos de professores na base da ameaça de interrupção negocial, caso a contestação da classe se mantenha. Para além de anti-democrático, é pouco inteligente.
* Johann von Goethe
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