Saturday, January 05, 2008

Backbiting (7)

Só se ouve falar em remodelação governamental, mas já poucos dos ministros dados como remodeláveis restam a Sócrates: a Pires de Lima está segura pelas centenas de assinaturas a pedirem a sua demissão; Lurdes Rodrigues recebeu do PR uma intimação para continuar o bom trabalho; Sousa Campos recebeu um cartão amarelo na mensagem presidencial de Ano Novo; os ministros da Economia e da Justiça também não escaparam à admoestação de Belém... Para o lifting ao governo, sem parecer ceder a pressões da plebe e a puxões de orelhas do "Chefe", a Sócrates restam o super-elogiado MNE, o intencionalmente ignorado MAI, ou uma daquelas figurinhas secundárias que gravitam na aura do nosso impante Primeiro-ministro.

Ainda as novas oportunidades

Por um lado, o governo apresenta-se como o cruzado no combate ao abandono escolar, por outro, dá certificados de "formação" como quem distribui cromos da farinha Amparo. É preciso que os alunos sejam muito, mas mesmo muito motivados para queimarem os seus tenros aninhos a estudar, se depois de crescidinhos é só ir até um CNO e já está - sai um 9º ano para o menino de azul!

Novas oportunidades

Para quando uma sindicância externa e independente a um "sistema de formação" que custa milhões? Sindicância que procure efectivos resultados de formação e não apenas os resultados medidos pelo que têm metido ao bolso os CNO's! Talvez o Senhor Presidente da República precise desses dados antes de se voltar a pronunciar agradado com esta iniciativa do governo!

El Rey Juan Carlos cumple setenta anos


Uma vida ao serviço da democracia e da afirmação da Espanha no mundo.

A vida é feita de nadas...*

Os inícios de ano são fatais para os revivalismos, sobretudo quando estamos naquela fase doce da vida, em que se torna mais fácil recordar o que passou há anos do que o que comemos ao jantar.
A minha filha ofereceu-me um mp3 no Natal e, com esse gesto de ternura, deu-me muito mais do que a oportunidade de amenizar as tarefas fastidiosas do quotidiano. Foi sem querer, mas ao seleccionar algumas das minhas melodias preferidas para carregar o “bichinho”, fiz a passagem para alguns momentos muito interessantes da minha vida, e, agora, ao ouvi-las no conforto e na intimidade dos auscultadores, vou recapitulando episódios, lugares, pessoas, cheiros, sentimentos, apontamentos de vida que regressam, no intervalo das leis e dos decretos, das estatísticas e dos indicadores, dos telefonemas e da correria de uma agenda implacável… E que interessante se torna podermos sorrir, sem com isso nos comprometermos com a curiosidade de terceiros, da piada muito privada para que nos transporta um swing do old blue eyes, ou da irreverência (que já perdemos!) que o som dos rapazes de Liverpool nos recorda termos praticado ( e quase nos faz desejar ser capaz de reencontrar)!
Hoje dei comigo a ouvir Percy Sledge no seu incrível When a Man Loves a Woman, há muito arredado do top das preferências pessoais. Com este tema, para além de saborosas (e muito privadas) recordações sentimentais, relembrei uma experiência única na minha vida, irrepetível, decerto. Conheci o cantor em Luanda, estava ele no auge da sua carreira, e aquele tema musical alimentava a paixão dos jovens nas areias quentes do Mussulo, nas pistas de dança da Barracuda e nos salões escurecidos das vivendas do Bairro de Alvalade. Percy Sledge, alojado no mesmo hotel em que eu estava em lua-de-mel prolongada, engraçou com o casalinho apaixonado, com quem podia falar horas a fio sobre a poeira daqueles dias, beberricando café no jardim interior e aprendendo, em testemunho directo, o que era nascer, crescer e viver naquelas terras africanas, branquinhos de leite por fora, mas profundamente imbuídos do ser e do estar africanos. Demos-lhe algumas horas de amena cavaqueira, e ele proporcionou-nos o entusiasmo do tu cá tu lá com uma celebridade, além de uma experiência inesquecível, ao integrar-nos como convidados na sua comitiva, quando se deslocou para o local de um dos concertos. Na ocasião, o veículo em que seguíamos, um Jeep grande e fechado, foi literalmente assaltado e amassado pelos fãs, às centenas, que rodearam e pararam o carro, subiram para o tejadilho, e se esborracharam contra os vidros, como só tínhamos visto nos cartoons da Disney. Quando já esperávamos que o Jeep se desfizesse com tantos encontrões, só com a intervenção de polícia e militares é que conseguimos sair do carro e caminhar por entre um cordão de segurança para o edifício. Percy esteve sempre impávido e gratificado com as histéricas manifestações, até para ele algo inesperadas, em tão remotas paragens. Nós dois, gloriosos desconhecidos apaixonados, só não distribuimos autógrafos à passagem por entre livrinhos estendidos para nós, porque o descaramento não fazia parte do nosso equipamento de série, mas há-de haver por aí algures uma respeitável senhora de meia idade que guardará, como grata lembrança do cantor, o botãozinho dourado, quase igual ao do fato de cabedal que o Percy vestia, mas que pertencia, apenas, à lapela do meu casaco!
Como diz o poeta, a vida é feita de nadas, esses pequenos grandes retalhos em que cada um encontra os seus momentos de felicidade, seja no fugaz instante em que topa com um velho botão dourado no fundo de uma caixa velha, seja a reviver as circunstâncias em que o mesmo se perdeu.
* do poema de Miguel Torga

Iowa

Para Obama foi saborosa a primeira etapa da corrida presidencial. Sobretudo por ter batido a Senhora de Clinton por uma margem razoável. Mas a caminhada ainda agora começou, e não vejo a América preparada para pôr um negro na Casa Branca. Entre este e uma mulher, a América profunda escolherá a mulher, rica, loira, carismática, bem, até porque, para lhe minimizar o defeito de pertencer ao sexo fraco, tem um marido lá em casa para lhe dar as dicas necessárias. No fim da corrida veremos se não será assim. Até lá, Obama tem toda a legitimidade para gozar o seu momento de vitória, que não é pequeno feito! Afinal, já passaram muitos mais anos desde que as sufragistas queimaram os corpetes, do que aqueles que decorreram desde que uma negra se sentou num autocarro de brancos no Alabama!

Wednesday, January 02, 2008

Appetitus Rationi Pareat
Cícero

Mensagem presidencial

De elogio e de ambiguidade.
Aos portugueses resta a coragem. A luta é cada vez mais solitária.