Saturday, October 02, 2010

O prazer de olhar


High Beeches Gardens

Outros números da crise. E que crise!



Oportuna, a sondagem.

Manuela Ferreira Leite, lembram-se?


Lembram-se dos insultos que o governo lhe fez sempre que alertou para a seriedade da situação económica e financeira? Lembram-se de como no PSD se serviram das suas palavras para a substituirem por alguém mais telegénico? Pois, agora é tarde.

Monday, September 27, 2010

Paulo Rangel - paciência e perspicácia política



Com a subtileza que o caracteriza, Rangel não fecha a porta a um acordo com o governo quanto ao aumento de impostos, não deixando de "exigir" a contrapartida mais compreensível no corte da despesa. Com esta simplicidade oportuna, não só consegue demonstrar o quanto se afasta da forma desastrada como o PSD está a gerir a questão, como vai capitalizando o natural desgaste de Passos, enredado que se encontra este na incompetente assessoria que tem e na impaciente pressão dos ministeriáveis de que se rodeou.

O prazer de olhar


Aqui.

Mau passo


Quando o líder da oposição, e possível próximo primeiro-ministro, diz: "Não haverá outra ocasião no futuro em que o líder do PSD volte a conversar com o primeiro-ministro sem que existam outras pessoas que possam testemunhar a conversa.", o nível do diálogo institucional já bateu no fundo. Por muita razão que tenha para afirmar isto, e não duvido que a tenha, Passos Coelho não poderia tê-lo feito publicamente, sem sofrer a sua quota parte das consequências de tamanha inconveniência. Falta de sentido do cargo a que aspira, será o mais suave comentário a que poderá ter direito.

Saturday, September 25, 2010

Enivrez-vous

"Il faut être toujours ivre.
Tout est là:
c'est l'unique question.
Pour ne pas sentir
l'horrible fardeau du Temps
qui brise vos épaules
et vous penche vers la terre,
il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi?
De vin, de poésie, ou de vertu, à votre guise.
Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois,
sur les marches d'un palais,
sur l'herbe verte d'un fossé,
dans la solitude morne de votre chambre,
vous vous réveillez,
l'ivresse déjà diminuée ou disparue,
demandez au vent,
à la vague,
à l'étoile,
à l'oiseau,
à l'horloge,
à tout ce qui fuit,
à tout ce qui gémit,
à tout ce qui roule,
à tout ce qui chante,
à tout ce qui parle,
demandez quelle heure il est;
et le vent,
la vague,
l'étoile,
l'oiseau,
l'horloge,
vous répondront:
"Il est l'heure de s'enivrer!
Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps,
enivrez-vous;
enivrez-vous sans cesse!
De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."

Baudelaire

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Wednesday, December 09, 2009

Violência doméstica

As almas caridosas e compadecidas, que tanto se afadigam a noticiar os crimes entre pessoas que vivem no que podemos designar um "modelo tipo casal", fariam melhor serviço à comunidade se averiguassem um pouco mais fundo cada um dos casos antes de, lestamente, os atirarem à cara do incauto cidadão leitor de jornais ou espectador de televisão. Fossem estas câncias almas mais selectivas e analistas, e aposto que as estatísticas se reduziam drasticamente, enquanto que as situações remanescentes, que, efectivamente, se podiam incluir na categoria seriam, com certeza, bem mais exemplares do que as tragicomédias que apenas ilustram a inutilidade do pensamento politicamente correcto sobre o assunto.

Avaliação sem classificação????

Nem é preciso explicar que só poderiam estar a falar da avaliação de professores!
Assim que conseguir refazer-me do impacto de tal proposta, voltarei a esta tão criativa ideia.

Acção Social Escolar paga o computador Magalhães


Parece que o ex-ministro Mário Lino foi buscar 180 milhões à Acção Social Escolar para pagar o computador Magalhães. Surpresa? Porquê? O "artista" era um governante socialista português e, ao que parece, estava suficientemente resguardado em despacho oportuno, que permitiria a inovadora medida de apoio social.
Para quando um categórico JAMÉ popular a esta troupe de saltimbancos políticos?

Novas Oportunidades - o rei, finalmente, vai nu!

Quando o Programa surgiu, devidamente enfeitado pelo carro de propaganda do governo Sócrates da maioria absoluta, "puxado" por um conjunto de "celebridades" de duvidosa isenção e ainda mais duvidoso discernimento na matéria, fui dos que desconfiou da valia e bondade de tão pouco pensada e ainda menos estruturada medida. Tresandava a mesma a efeito fácil e rápido, para cumprir mínimos estatísticos em Bruxelas e "encher o olho" aos pacóvios da terrinha. Mas, como nisto de formação, por aqui se acredita que (quase) toda a que vem é útil, lá se deu o benefício da dúvida, mas, coitado, este meu exercício de tolerância e expectativa foi rapidamente morto pela prática que se instalou no terreno.
Tendo tido contacto muito próximo com o projecto, através de pessoas que a ele deram o seu melhor, pessoas que, profissional e pessoalmente, muito respeito e prezo, depressa pude concluir que, efectivamente, na maioria dos casos as Novas Oportunidades não levantaram voo de práticas de oportunismo voraz, quer por parte das entidades formadoras que se constituiram para o efeito, quer por parte dos beneficiários deste "subsídio de reinserção educativa", distribuído à velocidade dos apetites numéricos dos inquilinos do ME, e embrulhado nas manifestações exteriores do sucesso exigido pelas agências de propaganda do governo. Dada a eficaz capacidade destas agências em tornarem opaca a realidade do Portugal socrático, não surpreendeu que pouco se tenha dito e escrito sobre o desperdício de dinheiros públicos que as Novas Oportunidades representam, quando analisado o real resultado do projecto para a formação de milhares de potenciais trabalhadores portugueses, resultado muito distante da promessa com que se enfeitara o mesmo, e que se pode resumir assim - é este upgrade educativo o passo de mágica para formar cidadãos mais cultos, mais capazes de intervir profissionalmente no tecido social português (e, quiçá, europeu), degrau quase directo para o patamar dos melhores empregos, maiores rendimentos profissionais e, cereja em cima do bolo, a porta de saída segura das malhas do desemprego.
Convém dizer aos mais crédulos que pouco importarão os relatórios de grupos de "peritos" nomeados para a "avaliação" do projecto, os quais serão, decerto, suficientemente suaves para que não tresande a porcaria do fundo deste pântano, ou não fosse cauteloso prevenir futuras estadas na 5 de Outubro, para já não dizer que seria desconfortável acordar memórias de passados pouco produtivos nesses corredores do poder. Queremos saber o que valem as Novas Oportunidades? Fale-se com empregadores, e eles riem-se na nossa cara do saber e do saber-fazer destes diplomados de aviário. Desconte-se a satisfação (legítima, porque terna e caridosa) das Marias e Manéis deste país, finalmente possuidores de "grau" de escolaridade, mas incapazes de soletrarem as notícias de rodapé nos telejornais que lhes contam as maravilhas do governo daquele senhor que tão bem sabe como é importante ter um diplomazinho, e temos uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Finalmente, Medina Carreira vem chamar os nomes à coisa, com o desassombro que lhe conhecemos: "[O programa] Novas Oportunidades é uma trafulhice de A a Z, é uma aldrabice. Eles [os alunos] não sabem nada, nada", (...) "fazem um papel, entregam ao professor e vão-se embora. E ao fim do ano, entregam-lhe um papel a dizer que têm o nono ano [de escolaridade]. Isto é tudo uma mentira, enquanto formos governados por mentirosos e incompetentes este país não tem solução". Pois não tem, não, enquanto responsabilidades e decisões de futuro forem repartidas entre conivências e conveniências dos habituais actores desta tragicomédia que é a governação em Portugal de Abril.

Friday, November 13, 2009

Cada cavadela, cada minhoca


O nome de Sócrates aparece ligado a tantas relações perigosas, que, das duas,uma: ou tem uma atracção fatal para as más companhias, ou algum consultor de vão de escada quer disfarçar a árvore no meio da floresta (de enganos?).
Este país é, mesmo, um quintalinho de ervas daninhas, entrelaçadas.

Câncio, a namorada

A senhora jornalista, Dra. Fernanda Câncio, tem por hábito dar à pluma (literária) e ser acérrima defensora de Sócrates. Por vezes faz de conta que ataca as políticas do governo, mas é tudo coisa leve, cenário de mentirinha. Faz o mesmo com o namoro - goza os privilégios de ser a namorada do primeiro-ministro, mas faz umas cenas de "ai minha gente, que eu quero é passar despercebida". Pois, da qualidade do namoro sabem eles, mas a Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas é que não foi na conversa e chamou os nomes à coisa. Se lhe veste a pele e goza as mordomias é namorada, e não há impedimento em escrevê-lo e dizê-lo.
Tem todo o direito a escrever sobre o Governo mas é importante que as pessoas saibam que é namorada do primeiro-ministro”, esclareceu o provedor. Agora, rica, ou acaba com o namoro e volta para debaixo da pedra de invisibilidade em que estava, ou paga o preço da notoriedade conseguida à custa da ilustre companhia!

Portugal gastou em ciência 1,5 por cento do PIB em 2008??? AhAhAh!

Isto é o que diz o governo, e o que noticiam os jornais. Mas será que é mesmo assim? Se houvesse uma entidade reguladora credível, estaria interessada em saber como o organismo oficial "encontra" estes números, como as "contas" são feitas e quem decide as "fórmulas" que se aplicam para apresentar as estatísticas, que depois permitem ao governo fazer todo este estendal de "sucesso". Tenho cá para mim que se uma avaliação externa fosse efectuada ao trabalho estatístico desenvolvido e divulgado pelo ministério de Mariano Gago haveria ENOOOORMES surpresas. Como não há contraditório, vivemos todos muito felizes. E siga a dança, que o cantador está inspirado.
Nota metodológica: não esquecer que o "impulso" às características de "excelência e qualidade" do IPCTN tem a marca de Maria de Lurdes Rodrigues, no seu período pré-ME.

Ir à escola, ou talvez não

A atenta Lucinda Fialho escreveu, em comentário: «Tanto quanto me é dado saber, os professores não têm tempo para preparar aulas apesar de passarem dias inteiros na escola...É este o estado a que se chegou.»Itálico Porque poucos seriam capazes de dizer isto, desta forma simples e eficaz, aqui fica o oportuno e corajoso comentário.
Prezada Lucinda, não sei se por sorte, ou azar, pertenço ao reduzido grupo dos que sabem que os professores estão, efectivamente, assoberbados com trabalho. A minha questão não deriva de qualquer dúvida quanto ao muito trabalho que foi posto em cima dos ombros dos professores, mas antes da real utilidade do mesmo. Tal como hoje vejo «o estado a que se chegou» nas nossas escolas da era Sócrates, mais me convenço que enquanto não quisermos separar a função de "armazenagem" de alunos, que está, crescentemente, a ser atribuída às escolas, da função que a estas está, efectivamente, cometida, não conseguiremos pensar práticas educativas alternativas, com novas estratégias de aprendizagem mais adequadas às necessidades das populações escolares e aos meios à disposição do sistema de ensino. E interrogo-me: até quando vamos enterrar a cabeça na areia para esta questão? a quem convém esta omissão? porque está ausente deste debate a opinião pública, sempre tão sedenta de fazer sangue no que à inércia dos professores diz respeito? Vale a pena pensar no assunto, não lhe parece?

Ingleses arquivaram processo Freeport!

Nas terras de Sua Majestade dá-se o assunto por encerrado, segundo esta notícia do Público, na qual se recorda que um dos obstáculos à obtenção de informações sobre o processo se deve ao facto de «75 por cento dos arquivos de contabilidade do Freeport foram queimados num incêndio». Oportuno, acrescentaria um maldoso.

Sócrates mentiu ao Parlamento? Pode lá ser!?

De acordo com o SOL, «As escutas do processo ‘Face Oculta’ provam que o primeiro-ministro faltou deliberadamente à verdade quando disse no Parlamento que desconhecia o negócio da compra da TVI pela PT». De acordo com as declarações do próprio primeiro-ministro na AR, o seu desconhecimento do assunto era completo a 24 de Julho, mas, na interpretação que o jornal faz da cronologia dos factos que reporta, as conversas com Vara, em Março, provam que Sócrates mentiu.
No desconhecimento do exacto teor da conversa com Vara, que (e)leitor poderá, com estes factos, aceitar que Sócrates mentiu? Mais simples é acreditar que ele lança búzios, lê a palma das mãos, ou interpreta os astros e tem, por isso, capacidades de previsão do futuro! E que, como qualquer mortal, esquece conversas irrelevantes com os amigalhaços, pobre homem. Francamente, jornal SOL, tanto barulho por nada?

Tuesday, November 10, 2009

À atenção da Ministra da Educação - Gripe A nas escolas, Magalhães e Cª

Ao que parece, e tem sido notícia, a gripe A tem obrigado algumas escolas a mandar turmas inteiras para casa, com o objectivo de minimizar o contágio. Nada contra esta medida, antes pelo contrário, já que prevenir riscos maiores é uma decisão inteligente, que não pode ser considerada como pânico desnecessário. A situação, no entanto, tem-me deixado algumas interrogações sobre a utilização dos excepcionais meios de que a maioria das escolas e grande número de alunos dispõe para informação/formação à distância. De facto, quem conhece minimamente as escolas sabe que, na generalidade, estão muito bem apetrechadas de salas de informática, têm centros de recursos bem equipados e contam com uma percentagem de computadores por aluno de fazer inveja a países bem mais ricos. Por outro lado, e a fazer fé na propaganda dos governos Sócrates, desde que foi descoberto o filão Magalhães, mais o e-escolas e cª, que mesmo os alunos mais carenciados se encontram munidos dos meios tecnológicos considerados necessários a uma melhor escolarização. Acontece que mesmo profissionais do meio não são capazes de me enunciar como tem sido a utilização de todo este aparato tecnológico em favor dos alunos retirados das escolas, com excepção de vagas referências a mails e troca de correspondência "administrativa". Não andarei a falar com as pessoas certas, mas ainda não tive notícia de escolas que tenham aproveitado as férias para preparar aulas online sobre conteúdos programáticos das diferentes disciplinas, que agora poderiam estar disponibilizadas às turmas e alunos que não podem estar nas aulas presenciais. Acredito que seja só uma lacuna de informação, e que estejam de facto no terreno experiências interessantes e da maior utilidade para os alunos, pelo que seria de exigir ao governo que fizesse tanta propaganda sobre estas boas práticas, como sobre a "benemérita" distribuição dos computadores. Afinal, de uma ministra da educação espera-se mais do que limitar-se a gerir a discussão da carreira e da avaliação de professores. Sobre isto, os sindicatos dizem nada, parecendo que até têm medo de que essas experiências de ensino à distância possam trazer a debate uma nova abordagem sobre a prática educativa.

O supremo considerou nulas as escutas a Sócrates

O azar continua a perseguir o rapaz. Consideradas nulas, as escutas às conversas com o amigalhaço Vara serão, muito provavelmente, apagadas, se for seguido o procedimento usual. E assim, com esta decisão, fica Sócrates sem a possibilidade de usar tão preciosos instrumentos para provar a tout le monde o quão limpas estão as suas inocentes mãos em todo o sucateiro negócio com que querem salpicar o governo a que preside. O facto de nessas escutas se terem tratado negócios "menores", como o caso Prisa/TVI , por exemplo, já não preocupa ninguém. Afinal, é apenas a aplicação da regra de ouro da comunicação social: a notícia de hoje embrulha o lixo de amanhã. E facto é que o "caso TVI" já deu o que tinha a dar. Basta ver como passaram a ser "tratadas" as notícias.