
High Beeches Gardens
«Por meio da morte ou da doença, da pobreza ou da voz do dever, cada um de nós é forçado a aprender que o mundo não foi feito para nós e que, não importa quão belas as coisas que almejamos, o destino pode, não obstante, proibi-las.» Bertrand Russell





Porque poucos seriam capazes de dizer isto, desta forma simples e eficaz, aqui fica o oportuno e corajoso comentário.
De acordo com o SOL, «As escutas do processo ‘Face Oculta’ provam que o primeiro-ministro faltou deliberadamente à verdade quando disse no Parlamento que desconhecia o negócio da compra da TVI pela PT». De acordo com as declarações do próprio primeiro-ministro na AR, o seu desconhecimento do assunto era completo a 24 de Julho, mas, na interpretação que o jornal faz da cronologia dos factos que reporta, as conversas com Vara, em Março, provam que Sócrates mentiu.
Ao que parece, e tem sido notícia, a gripe A tem obrigado algumas escolas a mandar turmas inteiras para casa, com o objectivo de minimizar o contágio. Nada contra esta medida, antes pelo contrário, já que prevenir riscos maiores é uma decisão inteligente, que não pode ser considerada como pânico desnecessário. A situação, no entanto, tem-me deixado algumas interrogações sobre a utilização dos excepcionais meios de que a maioria das escolas e grande número de alunos dispõe para informação/formação à distância. De facto, quem conhece minimamente as escolas sabe que, na generalidade, estão muito bem apetrechadas de salas de informática, têm centros de recursos bem equipados e contam com uma percentagem de computadores por aluno de fazer inveja a países bem mais ricos. Por outro lado, e a fazer fé na propaganda dos governos Sócrates, desde que foi descoberto o filão Magalhães, mais o e-escolas e cª, que mesmo os alunos mais carenciados se encontram munidos dos meios tecnológicos considerados necessários a uma melhor escolarização. Acontece que mesmo profissionais do meio não são capazes de me enunciar como tem sido a utilização de todo este aparato tecnológico em favor dos alunos retirados das escolas, com excepção de vagas referências a mails e troca de correspondência "administrativa". Não andarei a falar com as pessoas certas, mas ainda não tive notícia de escolas que tenham aproveitado as férias para preparar aulas online sobre conteúdos programáticos das diferentes disciplinas, que agora poderiam estar disponibilizadas às turmas e alunos que não podem estar nas aulas presenciais. Acredito que seja só uma lacuna de informação, e que estejam de facto no terreno experiências interessantes e da maior utilidade para os alunos, pelo que seria de exigir ao governo que fizesse tanta propaganda sobre estas boas práticas, como sobre a "benemérita" distribuição dos computadores. Afinal, de uma ministra da educação espera-se mais do que limitar-se a gerir a discussão da carreira e da avaliação de professores. Sobre isto, os sindicatos dizem nada, parecendo que até têm medo de que essas experiências de ensino à distância possam trazer a debate uma nova abordagem sobre a prática educativa.
O azar continua a perseguir o rapaz. Consideradas nulas, as escutas às conversas com o amigalhaço Vara serão, muito provavelmente, apagadas, se for seguido o procedimento usual. E assim, com esta decisão, fica Sócrates sem a possibilidade de usar tão preciosos instrumentos para provar a tout le monde o quão limpas estão as suas inocentes mãos em todo o sucateiro negócio com que querem salpicar o governo a que preside. O facto de nessas escutas se terem tratado negócios "menores", como o caso Prisa/TVI , por exemplo, já não preocupa ninguém. Afinal, é apenas a aplicação da regra de ouro da comunicação social: a notícia de hoje embrulha o lixo de amanhã. E facto é que o "caso TVI" já deu o que tinha a dar. Basta ver como passaram a ser "tratadas" as notícias.