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Friday, November 13, 2009

Câncio, a namorada

A senhora jornalista, Dra. Fernanda Câncio, tem por hábito dar à pluma (literária) e ser acérrima defensora de Sócrates. Por vezes faz de conta que ataca as políticas do governo, mas é tudo coisa leve, cenário de mentirinha. Faz o mesmo com o namoro - goza os privilégios de ser a namorada do primeiro-ministro, mas faz umas cenas de "ai minha gente, que eu quero é passar despercebida". Pois, da qualidade do namoro sabem eles, mas a Comissão da Carteira Profissional dos Jornalistas é que não foi na conversa e chamou os nomes à coisa. Se lhe veste a pele e goza as mordomias é namorada, e não há impedimento em escrevê-lo e dizê-lo.
Tem todo o direito a escrever sobre o Governo mas é importante que as pessoas saibam que é namorada do primeiro-ministro”, esclareceu o provedor. Agora, rica, ou acaba com o namoro e volta para debaixo da pedra de invisibilidade em que estava, ou paga o preço da notoriedade conseguida à custa da ilustre companhia!

Friday, September 05, 2008

Com a devida vénia, dar a mão à palmatória

O lado para que a Dra. Fernanda Câncio dorme melhor serão as críticas que por aqui se têm feito à sua inquebrantável defesa da actuação do governo, nomeadamente em questões como o aumento da criminalidade em Portugal. Apesar de a sua mais recente prosa sobre este tema insistir no papel deformante que a imprensa tem nas percepções de insegurança dos cidadãos (e tem-na, de facto), a Dra. Fernanda Câncio termina a sua crónica no DN com esta conclusão, que me parece notável (porque inesperada, nela):
«(...) se a informação sobre criminalidade não estivesse fechada a sete chaves em Portugal (e é assim há muitos governos) e se qualquer cidadão pudesse ter facilmente acesso aos dados a ela referentes através dos sítios na Net dos ministérios e das polícias, como sucede em França, no Reino Unido e em Espanha (para citar apenas três países em que a procurei e encontrei), de preferência com a contextualização necessária (evolução temporal, números internacionais) a capacidade dos media de criar percepções distorcidas da realidade seria muito diminuída (...) Bastava fazer o mínimo, ou seja, o que é suposto a administração pública de um Estado democrático e simplex fazer: simplificar o acesso à informação fidedigna e abortar, assim, as manipulações e distorções. Porque se informação é poder, quem a tem e não a liberta confere a outros o poder de deformar
Continua a não interessar nada à autora, mas eu não poderia estar mais de acordo, pelo que não só subscrevo, como aplaudo (de pé) e, para mim, depois de ver isto escrito e publicado nunca mais poderei pôr em causa a sua isenção nesta matéria. Mesmo sabendo eu que a Dra. Fernanda Câncio sabe que eu sei que ela sabe que eu sei que a informação "oficial" disponibilizada pelos governos, e por este governo em particular, é sempre muito "trabalhada" em função da imagem que se quer passar e dos objectivos que se pretendem atingir. Mas isso são outras guerras, que não empalidecem o mérito deste texto da Dra. Fernanda Câncio.