Monday, October 02, 2006

The fool on the hill - 1

Situação: 20 pessoas, entre os 42 e os 61 anos, gestores de topo e chefias intermédias. Constatação: a utilização intensiva e permanente do computador tem tido consequências na escrita manual, com notória evidência nas alterações, mais ou menos graves, da caligrafia.
Preocupação: se este cenário se verifica em pessoas que só muito tardiamente deixaram de escrever, regularmente, à mão, como será no futuro, sabendo-se como os jovens já iniciam a introdução à escrita com recurso paralelo (quando não prévio), e sistemático, ao computador?

Agência de informação electrónica

Mais de um ano e meio depois de ter limitado o acesso apenas a assinantes, o Público reabre o acesso gratuito à edição impressa, com vários serviços novos e outros melhorados. Com a imprensa papel a perder, velozmente, para conteúdos online, a opção pela internet não é uma escolha, é uma questão de sobrevivência.

Crimen Sollicitationis

Não sei o que mais surpreende - se o espanto quanto à oportunidade da revelação do "segredo", se a "novidade" que o mesmo parece constituir para tantos.

Friday, September 29, 2006

Provocação

Já passou do discurso dos gurus da boa gestão para a realidade das empresas o recurso ao teletrabalho, seja este interno, ou externo, às fronteiras nacionais. É esta uma realidade imparável, e inquestionada, surgindo este alargamento do mercado de emprego à escala global como uma imperdível oportunidade de desenvolvimento e crescimento das economias e dos tecidos empresariais.
Aceite esta realidade, porque teremos tanta dificuldade em perceber que não está longe o dia em que teremos os pais a exigir poder escolarizar os filhos sem o recurso permanente à escola material? Sabendo-se como são hoje as escolas espaços de violência e de ameaça à segurança física e à saúde psicológica dos que a frequentam, só não se percebe como é que a questão não está, já, em cima da mesa negocial.

Thursday, September 28, 2006

strana et illicita

Ainda há dias, a comentar um excelente post do meu amigo Anthrax, dizia eu que as declarações do Papa, que tanta celeuma levantaram no mundo islâmico, não seriam um acto isolado, que não tivesse um muito elaborado objectivo, para propiciar a Bento XVI a oportunidade de enviar ao mundo não islâmico um sinal oculto sobre o caminho de coragem, porque de sofrimento também, que o futuro nos reserva. Parecia-me, então, que o "erro" do Papa mais não seria do que uma sua determinada opção de procedimento, cujas consequências demonstrariam ao mundo que está unilateralmente declarada, e iniciada, a guerra religiosa, que determinará o regresso dos cristãos às catacumbas.
O episódio do cancelamento da ópera Idomeneo, infelizmente, parece dar-me razão. Se já nos sentimos obrigados a condicionarmos as nossas manifestações artísticas e culturais ao temor de ferir as susceptibilidades do Islão, não estaremos muito longe da clandestinidade, como a que os primeiros seguidores de Cristo viveram. Pelo que conhecemos da história, e porque faz parte da natureza do fenómeno religioso uma dimensão de fanatismo e de intolerância, que os contextos adversos e as ameaças externas justificam e legitimam, este recuo dos cristãos ao medo e ao papel de vítimas da perseguição e do terror, poderá não ser o fim, mas a melhor das oportunidades para um novo fulgor da religiosidade cristã. Ninguém poderá acreditar que Bento XVI não tenha percebido que, sendo esta uma guerra desigual, nunca a poderemos ganhar, "desarmados" como estamos por uma religiosidade amorfa e uma esquizofrénica, e cínica, cultura da paz. Como líder do mundo cristão, Bento XVI fez o que lhe compete:escolheu a melhor estratégia para o combate que lhe é imposto.

Wednesday, September 27, 2006

«O Estado, afinal, é um falso problema.»

Remata-se, assim, o artigo de Helena Garrido no DN que nos dá conta que «o relatório sobre competitividade do Fórum Económico Mundial é uma vergonha para os gestores e empresários portugueses e um elogio às instituições públicas. Portugal desceu do 31.º lugar para o 34.º entre 125 países fundamentalmente por causa do mau funcionamento das instituições privadas. Afinal, a fraca imagem do País deve-se em grande parte ao sector privado.»
Quase dá vontade de pôr alguns governantes, muitos gestores e quase todos os empresários portugueses a estagiar nos organismos do Estado.

Tuesday, September 26, 2006

«Be not ashamed of mistakes and thus make them crimes.»*

O INFARMED e a DECO divergem nos estudos que efectuaram sobre o comportamento do preço dos medicamentos vendidos fora das farmácias, vindo a defesa do consumidor alegar ter esse preço sofrido um agravamento após a liberalização. Acredite-se no estudo que parecer mais fiável, mas a divulgação destes dados da DECO tem um efeito útil, aliás como recomendado no referido estudo - ou os consumidores têm uma atitude mais vigilante e procuram os estabelecimentos que praticam os preços mais baratos, ou ninguém virá acautelar o cumprimento dos alegados objectivos do governo com a liberalização. Mais uma vez, gato por lebre...
*Confucius

Significado

Leio, aqui, que o "Ministério das Finanças anunciou ao início da noite que a Comissão de Revisão do Sistema de Carreiras e Remunerações (CRSCR) dos funcionários da administração pública cessou funções". Se a notícia não me surpreendeu, em contrapartida há um quebra-cabeças (só quebrará a minha, por certo...) que me vem ocupando, nas últimas semanas - por que estranhíssima razão estão os serviços da Administração Pública a providenciar caríssimas formações aos seus funcionários, num momento em que a incógnita sobre a reestruturação orgânica se mantém, em que cresce o ruído sobre o contingente de excedentários que se irá constituir e em que a quase generalidade dos organismos vê os seus orçamentos emagrecer de tal forma que, se fossem modelos, não poderiam desfilar em Madrid.
Admito, andava aqui com uma pulga atrás da orelha, o que me levou a investigar as possíveis causas para a súbita fúria formadora que varre a AP, e, como quem procura encontra, julgo ter descoberto uma razão pertinente. Pode não estar "cientificamente" comprovada, mas que tem pernas para andar, isso tem. Vejamos o que se encontrou: 1º - as acções de formação abrangem um "catálogo" tão exaustivo, que não haverá funcionário que não encontre pelo menos uma acção que não se adapte às funções que exerce; 2º - os diferentes organismos estarão a candidatar praticamente TODOS os seus funcionários a duas acções de formação; 3º - as secretarias-gerais dos diferentes ministérios estão a seleccionar um número anormalmente elevado de funcionários propostos pelos organismos para acções de formação, independentemente de serem estes oriundos de serviços extintos, de acordo com o PRACE; 4º - a formação não está a ser efectuada com recurso à prata da casa, antes é levada a efeito por empresas privadas de formação e consultoria; 5º - no conteúdo das formações não é difícil encontrar um "alinhamento" muito nítido com o discurso governamental sobre os males que este identifica no funcionalismo, a que se soma uma indisfarçável colagem às soluções preconizadas pelo executivo para o saneamento e modernização do sector. Constou-me, até, que algumas dessas sessões de formação têm sido tão "animadas", que começa a transpirar o mal-estar de alguns que a elas assistem.
Portanto, tenho cá para mim que haveria por aí uns amigalhaços que estavam a precisar de ganhar uma pipa de massa, que deveria haver uns sacos azuis perdidos por umas gavetas dos ministérios, que se resolveu juntar o útil ao agradável e, já que estavam com a mão na massa, decidiram aproveitar para amestrar os funcionários, repetindo-lhes, à exaustão, a teoria de que aqueles que não estão com a "reforma" estão contra ela, e que, a bem da nação, há que praticar uma excisão profilática, para que se possa garantir a "pureza" da espécie... (o outro senhor começou assim e acabou a queimar o que sabemos)
A conclusão será abusiva? Talvez, talvez...