Sunday, March 06, 2005

Follow up

Sócrates gere bem os seus silêncios. Nele, não é tanto uma estratégia, mas um traço de personalidade, e o problema reside, apenas, na forma como os quebra.
Só o termos vivido os últimos anos, sobretudo os últimos meses, com a comunicação social a transformar os executivos em fauna de aquário pode explicar a generalizada aprovação da atitude de distanciamento, secura, impaciência e menosprezo pelos que lhe são externos, que o indigitado Primeiro-Ministro (orgulhosamente) exibe.
O sentido de Estado, não governar para a comunicação social, criar a suficiente reserva que o exercício do poder exige, ou pelo menos recomenda, não exigem atitudes destas. Veremos como se porta Sócrates daqui para a frente.

Friday, March 04, 2005

A candidatura presidencial do PS está decidida?

Contrariamente ao que parece ser a opinião generalizada, a presença de Freitas no Governo não constitui surpresa para mim.
ON

E a ausência de Vitorino também não.

OFF

Enquanto a capoeira se agita...

PSD sem terceira via

«...a inveja igualitária goza e o mundo continua na mesma.»

VPV, a não perder.

«A razão de ser de qualquer fé é trazer-nos uma certeza »*

«Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada.Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e a mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua própria casa.» - Evangelho segundo São Mateus

Por achar o exercício completamente inútil, não escrevi sobre o anúncio do padre franciscano, que apenas referi ontem, pelo menos não mais do que pequenas picardias em comentários de alguns blogues. Acontece que essas picardias estimularam acesas discussões verbais no innercircle juvenil, e também muitos desafios, pelo que aqui vai a «minha profissão de fé» contada às «crianças», para encerrar, definitivamente, uma conversa que me parece esgotada.
Entendo que houve um erro estratégico do padre franciscano, que tanto pode ter resultado de uma «ingenuidade» genuína, mal servida por um temperamento colérico e por uma atitude impulsiva, como pode ter tido por objectivo o sobressalto e a agitação na Igreja portuguesa, num momento delicado, mas que alguns consideram ser a altura para endurecer posições e reforçar a ortodoxia, numa estratégia de antecipação para os combates que antevêem.
Com o seu anúncio, o padre conseguiu o que qualquer ser medianamente lúcido poderia prever: a hierarquia da Igreja veio demarcar-se, fragilizando-se; a discussão subiu de tom entre os católicos pró e contra, deixando exposto à evidência que a sua unidade anda, há muito, pelas ruas da amargura; «plantaram-se» algumas armas de arremesso, que vão ser muito incómodas nos tais combates que se adivinham.
Resultado prático? Nenhum, que não seja mau para «qualquer dos catolicismos». Porque, como sempre, ficará tudo como dantes, na substância e na hipocrisia. Pelo menos, durante um tempo, que se podemos ter esperança na mudança, não podemos esperar que esta ocorra a não ser no longo prazo.
Quanto às apaixonadas discussões que por aí vão, na blogosfera, é apenas a falta de outro assunto, e a religião sempre cativou «audiências». Não aprofundando o argumentário utilizado, podemos dar alguma razão àqueles que dizem que o padre nada mais fez do que agir no âmbito dos preceitos que qualquer católico conhece, e a que está obrigado. Sabemos, no entanto, como há, na comunidade católica, vivências religiosas mais progressistas, e nem por isso menos respeitáveis, sendo certo que todos os que, abraçando a religião católica, contestam algumas das suas práticas e imposições, por desadequadas aos tempos e aos modos de vida, lamentam ter que pagar essa contestação com o sobressalto da sua consciência religiosa. Para a maioria, é esse um assunto do seu foro íntimo; para um número crescente de católicos é, também, o combate de uma vida, em convicta espiritualidade e fé.
Aqueles que defendem que o catolicismo, ao permanecer imutável, surdo e cego às necessidades emergentes dos novos tempos, está a manter-se fiel à sua matriz e é para ser cumprido como uma pena, ou de todo renegado, estão, na aparência, a defender a essência da fé católica, mas o que fazem, realmente, é esvaziá-la de sentido.
Por o saber, é sempre tão cautelosa em tomadas de posição a hierarquia eclesiástica. Como se viu, também neste caso.

*André Maurois

Thursday, March 03, 2005

«The Future of Europe:A Giant Free Trade Area or a Political Counterweight to America? »

«A new doctrine is arising in educated opinion, which holds that it is not geography that qualifies a state for EU membership, but "shared values". On the strength of this doctrine, Europe is in for limitless expansion across North Africa, Central Asia and the Middle East, because if Turks share European values, who does not share them? An ever-expanding Europe straddling three continents would be politically impotent and probably quite harmless. Economically, it would be a good thing, for the larger a free trade area is, the more good it can do by trade creation and the less harm by trade diversion. »
Anthony de Jasay