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Tuesday, April 15, 2008

Wednesday, April 02, 2008

Venda nos olhos

Albino Almeida, o sinistro "pagem" da ministra, ou não fosse esta quem lhe paga as mordomias, vem, como é seu hábito, fazer o trabalho sujo ao ME - neste caso, lançar para a opinião pública casos de maus-tratos de professores sobre alunos, como manobra-travão das denúncias de violência sobre professores, que irromperam pela comunicação social a reboque do vídeo do telemóvel.
É absolutamente inadmissível qualquer situação de violência nas escolas, seja de professores sobre alunos, seja destes sobre professores (infelizmente bem mais frequentes, nos tempos que correm), mas estas movimentações de Albino Almeida tresandam a rasteiro manobrismo político do governo, useiro e vezeiro neste tipo de gestão da informação. Albino Almeida não surpreende, o governo também não. No eixo Belém-São Bento, a pressão sobre Pinto Monteiro parece mais do que simples invenção dos desiludidos com o papel tutelar do PR.

Tuesday, March 25, 2008

Broken Windows

Porque o meu amigo Anthrax, com o seu imenso e irrequieto talento, consegue dizer a brincar o que deve ser levado muito a sério, aqui fica o que deixou na caixa de comentários:

«Ok, por breves momentos, já pensaram que a professora podia - simplesmente - ter mandado a aluna ir ouvir música para outro sítio? Bom, mas independentemente disso, aquele vídeo é uma vergonha e a sociedade está a criar trombadinhas aos molhos (e os que não são trombadinhas, são um bandinho de putos mimados cujo objectivo na vida é serem sustentados eternamente pelos pais). Por isso, não se pense que estou a defender a atitude daquela criaturinha dependente de telemóveis.Pessoalmente, não tenho nada contra os trombadinhas aos molhos, afinal todos precisamos de ter alguém que nos sirva quando vamos ao MacDonalds comer um hamburger. É - digamos assim - uma nova oportunidade :)Relativamente à questão deste assunto ser resolvido dentro da escola, a D. Milú esqueceu-se de um detalhe, quando um assunto ultrapassa as fronteiras de uma escola e se transforma numa questão de domínio público todos têm o direito de saber como é que vai ser resolvido, não é varrer a porcaria para debaixo do tapete (que aliás no caso desta Ministra, já nem há tapete, só há porcaria) e esperar que o deixa-andar resolva as coisas.Isto é "broken windows", ou se age e se consertam as pequenas "janelas" que estão partidas, ou no longo prazo temos um quarteirão inteiro a parecer-se com Bagdad em dia de bombardeamento.»

Meu amigo, tem toda a razão, a começar pela sugestão de se ter deixado a aluna com o telemóvel, mas, acrescento eu, não sem ter mandado os dois para outro espaço, que não o espaço-aula. Mas, para que isso pudesse ter acontecido assim, seriam necessários, pelo menos, dois requisitos: um, que a professora tivesse autoridade suficiente para mandar a aluna e o seu instrumento de prazer para fora do seu espaço de trabalho e dos restantes alunos; o outro, que a aluna possuísse um código de conduta capaz de reconhecer a infracção cometida e aceitar a inevitável consequência da mesma. Ao que parece, em ambas as intervenientes falhava o essencial: a autoridade na professora; regras de conduta na aluna. Podemos agora pensar o que quisermos sobre as razões por que uma e outra estavam no ponto sem retorno que conduziu à cena que protagonizaram, mas o que acontece é que andamos há 33 anos, pelo menos, a brincar com o papel da Escola, misturando e confundido conceitos como liberdade, responsabilidade, autoridade, abdicando diariamente do exercício de deveres e de direitos, perdendo princípios e valores ao ritmo da berraria daqueles que não possuem nem uns, nem outros. O estado a que isto já chegou, há muito, mas que só agora começa a ter direitos de primeira página, merecia ter tido o tratamento adequado pelas estruturas responsáveis – o ME, na definição do quadro de princípios; a administração educativa, no acompanhamento e controlo da implementação e aplicação do mesmo; as escolas e os representantes dos pais e dos professores, numa responsável exigência quanto à gestão do quotidiano escolar. A verdade é que todos se demitiram, esperando, sabe-se lá por que milagre, que tudo se encobrisse e se acalmasse. As "bolhas" deste tipo rebentam sempre, e por mais vozes isoladas que pregassem no deserto dos corredores da 5 de Outubro, a verdade é que ninguém quis fazer nada. Como era inevitável, a "bolha"
rebentou, e os “trombadinhas” (generoso, este Anthrax) passaram a ser as vítimas ou os carrascos, conforme a opinião publicada os apresenta às desvairadas gentes, e estas estão de um lado, ou do outro da barricada, para os catalogar. Apesar de não me surpreenderem, vejo, com mágoa, as notícias que vão "caindo" a propósito deste triste episódio, com sindicatos de professores, responsáveis da administração escolar e secretários de Estado a defenderem que a violência escolar, a existir (mereciam ir em comissão de serviço para uma escola problemática, já!), é assunto a resolver no âmbito de cada escola, pois cada uma delas está dotada dos meios necessários para responder, adequadamente, aos problemas. Mentira descarada e culposa, a deles, pois sabem bem que as escolas não têm os meios adequados para lidar com o problema, ao nível a que ele já chegou, engordado à força pelo eduquês de pacotilha que o ME tão carinhosamente tem acalentado. A autoridade dos professores e das escolas está irremediavelmente esgotada, e os estabelecimentos de ensino precisam de apoio externo para resolverem os graves problemas de disciplina que consomem os dias de quem cruza as portas dos espaços escolares com o objectivo de ensinar ou de aprender. Meu amigo, o ME precisava de meia dúzia de Anthraxes em postos-chave, para pôr ordem no caos que por lá reina. Como isso não se prevê que aconteça, valha-nos o PGR e outros que, como ele, não estejam dispostos a deixar a ministra e seus acólitos varrerem a porcaria para debaixo do tapete de Arraiolos em que a seráfica senhora descansa os ministeriáveis pés. Se também esta solução falhar, resta-nos rendermo-nos à evidência que regista João Pinto e Castro - a adolescência e as suas naturais pulsões tudo justificam, sobretudo em confronto com uma escola que nem de longe corresponde aos legítimos e naturais interesses dos jovens rebentos. Despida da subtil ironia, a sua mensagem não podia ser mais clara – quem, entre a não procriação e o eduquês, não escolherá este último, resignando-se à silenciosa "compreensão" que o mesmo tão vivamente recomenda e pratica? Viva a irreverência da juventude, inventem-se novos pais e novas escolas, "compreenda-se". Quem sabe, talvez seja Pinto e Castro que tem razão! Daqui por mais trinta anos voltaremos a conversar, sobre o mesmo.



Thursday, March 20, 2008

Ministra, mentiras e vídeo

Na AR, a ministra da educação gozou com os eleitos pelo povo, fechando-se em copas sobre as mais polémicas questões da avaliação de professores. Dado que o povo deu a maioria ao PS, presume-se que a maioria do povo se tenha sentido respeitado e confortável com o seu olímpico silêncio.
Sendo pragmáticos, para quê gastar tempo, e dinheiro dos contribuintes, chamando a senhora à AR? O que ela diz, ou já não corresponde à verdade, ou passará a não ser verdadeiro à primeira oportunidade, logo, pode evitar-se o ruído que tais declarações representam.
Entretanto, chocam-se os ingénuos com o vídeo da professora a ser fisicamente pressionada por uma aluna telemoveldependente. Pois bem, situações destas são mais do que frequentes nas escolas, não transpiram é para o exterior, por vergonha dos docentes, e porque o eduquês recomenda que se mantenha o assunto entre as paredes da "alcova" escolar. O que acontecerá quando testemunhos destes passarem a ser elementos a ter em conta na avaliação de alunos e de professores?

Thursday, March 13, 2008

Avaliação dos professores

Fica? Morre? Flexibiliza-se?
Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão!
Na 5 de Outubro há tudo, menos uma equipa governativa.

Monday, March 10, 2008

Manifestação dos professores

Como se calculava, em termos de resultados a montanha pariu um rato. Os cem mil professores que se indignaram pelas ruas da capital valem zero para Sócrates. Talvez tenha razão, porque a indignação não deve chegar às urnas, que lhe ditarão de novo o aconchego das alcatifas de São Bento, em 2009.
Para as escolas a semana começa com uma certeza - a ministra fica ministra, e reforçada pelo volume da hostilidade da rua. Maria de Lurdes Rodrigues está hoje feliz. Para os professores nada ficou igual - ficou pior.

Wednesday, March 05, 2008

Avaliar as medidas de Maria de Lurdes Rodrigues

Quando a avaliação (não só a dos professores) está na ordem do dia (e muito bem!), será que ninguém, externo ao ME e ao governo, se propõe avaliar, de forma séria e descomprometida, todas e cada uma das medidas postas no terreno por Maria de Lurdes Rodrigues? É que já não se podem ouvir nem os críticos, nem os defensores, uns e outros sem argumentos válidos para o ataque, ou para o apoio incondicional.
Sempre modesto, Matias Alves refere, entre outra experiência relevante que possui, a sua passagem pelos corredores da 5 de Outubro, ou o ter sido Director Geral do Ensino Secundário. O que não refere é que, nesses cargos e funções, teve parte muito activa em época de grande contestação às políticas educativas de governos PSD, pelas quais deu a cara. Experiência que, decerto, lhe possibilitará ter hoje uma visão experiente e desapaixonada da actual contestação a esta ministra. Será impressão minha, ou no seu blogue "defende-se" muito de pôr essa experiência ao serviço de uma avaliação rigorosa do estado a que este governo tem conduzido a educação?

A revolta dos professores

Entusiasmados com o que aconteceu ao dispensado ministro da saúde, os professores endureceram a luta e enchem ruas e ruas, em manifestações cada vez mais entusiastas. Coitados, estão a malhar em ferro frio. Ferro que contra eles se volta, em grande parte porque não é usado com inteligência e frieza. Frieza que, por sua vez, a ministra usa, e da qual abusa, com o apoio de Sócrates e uma ajudinha de Belém. De tanta agitação aproveita-se a brecha que a tolice de Valter Lemos abriu nas hostes do eduquês socialista, mas é prémio de pouca monta, para tamanha mobilização.

Wednesday, February 27, 2008

O preço de Maria de Lurdes Rodrigues...

...é demasiado alto, para o que os portugueses podem dar-se ao "luxo" de pagar. As verbas que o ME vai ter de desembolsar pelas horas de substituição são, apenas, dinheiro, mas o que conta, mesmo, é o preço "oculto" das desastradas políticas que Maria de Lurdes Rodrigues e os dois ajudantes, com o beneplácito do governo e a passividade real de todos os agentes políticos, têm imposto a este país. Não haverá quem, indíviduo ou organização, seja capaz de efectuar a inventariação das medidas anunciadas, prometidas, postas no terreno, abandonadas e reformuladas, com a chancela desta ministra, e consiga avaliar o resultado efectivo de cada uma delas? Parece que não. Falar, falamos todos muito, mas trabalhinho sério e minucioso, não, ninguém o faz, e a loucura que passa pela 5 de Outubro soma e segue. O tempo, esse grande regulador, se encarregará de mostrar, dentro de uma década, a face sinistra deste consulado de Maria de Lurdes Rodrigues/Sócrates, mas, então, será demasiado tarde. Entretanto, iludem-se as boas almas, reconfortadas pela enganadora tese de que, finalmente, se está a "moralizar" o sistema. Pois que descansem em paz, felizes por esquecerem que, dos erros dos últimos trinta anos, estamos agora a pagar a factura. De facto, os portugueses não aprendem nada com o passado.

Thursday, December 06, 2007

Jorge Pedreira, o soldadinho de chumbo

Continuando na senda do posicionamento de Portugal nos rankings mais variados, dos quais nós, o povo inculto e maledicente, seleccionamos sempre os que nos são menos favoráveis, olhemos para os resultados do Pisa 2006, que nos colocam abaixo da média nos indicadores de performance dos alunos portugueses - 37.º lugar entre 57 países e um desempenho abaixo da média nas ciências, conhecimento da língua e matemática.
Como reage o governo? Como é habitual, começa por relativizar o desastre relembrando que estamos muito bem acompanhados por alguns “grandes” na tabela inferir à média: Estados Unidos, Rússia, Itália, Noruega, Espanha, Luxemburgo; visto assim, já fazemos parte de um grupo de elite! Mas, desta vez, a equipa governativa da educação, já useira e vezeira em fazer pouco do povinho bruto e ignaro, vai mais longe e, pela voz do autorizado secretário de estado Pedreira, faz o diagnóstico e aponta a terapêutica: a culpa de tão baixo nível reside no exagerado número de retenções, que as escolas portuguesas continuam a praticar. Malandros e ignorantes, os professores, que assim ameaçam o futuro das brilhantes criancinhas e põem em causa o bom nome da pátria inteligência! Há que acabar com a maldição das retenções!
Para nos animarmos, e recobrarmos a esperança nos próximos Pisas, pensemos um pouco – este governo acabou com os chumbos por faltas; entretanto, prepara-se para acabar com os chumbos, de todo; pelo meio, conseguiu associar a avaliação dos docentes aos resultados dos alunos; acompanha estas medidas de secretaria com um discreto, mas contínuo, abaixamento dos níveis de exigência na qualidade e na quantidade dos conteúdos programáticos; coroa tão belas práticas, com uma acautelada “preparação” dos exames, para que os resultados destes contrariem as estatísticas da desgraça, e injectem esperança na alma lusa. Depois de tão concertadas medidas, alguém duvida que, dentro de uns anitos, poucos, estejamos a subir lugares na tabela como o João Garcia sobe aos tectos do mundo? Eu não duvido, antes tenho a certeza! Só que, contrariamente ao João Garcia, coitado, que perdeu o nariz nas gélidas aventuras montanhistas, o nariz do governo crescerá, tanto, tanto, que deixaria mudo de espanto o próprio Gepetto! Finalmente, ficaremos todos felizes! Cada vez menos sábios, mas felizes, a bem da nação!

Tuesday, November 06, 2007

Violência na escola

A ministra fala, fala, fala, mas nada do que diz vale nada, e nada do que faz serve de alguma coisa. Infelizmente, casos como o deste aluno, que aos 10 anos agride uma professora a pontapé e à dentada, são mais frequentes do que quer acreditar a maioria das boas almas, que chama malandros aos professores. A ministra sabe-o, mas convém-lhe ignorar o óbvio, porque agir em conformidade não rende votos e sai caro. Por seu lado, o governo fala em investigação prioritária para crimes como este, mas é só discurso para render nos telejornais, porque consequência é coisa que não têm actos como este. Com grande prejuízo dos professores, dos alunos e, sobretudo, dos próprios agressores, a quem a impunidade serve de escola de deliquência.

Monday, November 05, 2007

Falta injustificada

A cronologia dos actos do governo quanto ao regime de faltas estabelecido no novo estatuto do aluno é reveladora da sua falta de convicção sobre a matéria, e de como a opção inicial, visivelmente defendida pela ministra, se destinava, simplesmente, a conseguir as estatísticas de um sucesso, que a realidade teima em desmentir.
Digam o que disserem a ministra, os deputados, secretários de estado e afins, houve recuo, porque o governo, cativo da sua incapacidade de inovar e enredado nas teias da sua própria propaganda, não foi capaz de dar o salto para uma mudança de paradigma, que poderia constituir-se como um projecto embrionário da nova Escola que, inevitavelmente, teremos que saber inventar, construir e manter.
Passou-se ao lado, desperdiçando uma rara oportunidade de usar um dos piores defeitos da ministra, que, para o caso, se revelaria uma qualidade inestimável - a sua obstinada surdez a tudo aquilo que não está no seu horizonte de decisão. Talvez porque, com coragem e visão, esta poderia ter sido uma boa decisão, fosse o governo capaz de a reconhecer e tomar.
Sócrates, ao que parece influenciado pela figura presidencial, terá sido o Sansão que cortou os cabelos à sua Dalila. Inverteram-se os papéis, mas, segurando a sua ministra, enfraqueceram ambos.

Wednesday, September 12, 2007

Abertura do ano lectivo

Começou hoje, com pompa e circunstância (leia-se ministros e computadores), mais um ano lectivo. Se não importa saber se começou para muitos, ou poucos alunos, porque até segunda-feira todos os estabelecimentos de ensino terão que ter começado as aulas, já não deixa de ter interesse demorarmo-nos, um pouco, na agenda do governo, para a rentrée escolar. E o que se nota, desde logo, é que se trata de uma agenda mediática, com a presença do Primeiro-ministro numa escola de Oeiras (só pode ser um karma do Marquês, pois mudam-se os governos, mas todos eles acabam a prestar vassalagem naquele estabelecimento de ensino), da ministra da tutela em Guimarães, e de vários ministros, em diferentes pontos do país. A abrilhantar cada uma das ilustres presenças, a distribuição de computadores portáteis a professores e alunos, pondo, assim, em marcha os projectos e-Professores e e-Escola, projectos que nos remetem, de imediato, para uma imagem de Escola de excelência, servida pelas mais modernas tecnologias, e propiciadora dos melhores resultados. Não satisfeita com este apetitoso “bolo”, aproveitou a ministra para nele vir hoje colocar a “cereja” de prometida escolaridade obrigatória de 12 anos, a ser uma realidade já em 2009, a tal mézinha que, nas palavras da excelsa senhora, irá «criar condições para que, dentro de dois anos, todos os jovens permaneçam na escola até aos 18 anos».
Postos os factos do dia, apagados os holofotes dos telejornais, e descartado qualquer comentário a propósito da propaganda, de tão habituados que já estamos a ela, vamos ao que interessa. E se o que interessa, mais do que os pontos de partida, são os resultados, estes, apesar do ruído do governo e da maneira habilidosa como este baralha os números, continuam a ser tão maus, que nos restam poucas esperanças de levar a bom porto esta barcaça da educação.
Fosse o ME uma empresa privada, num país a sério, e os resultados que apresenta, face ao investimento que faz, já teriam tido como consequência a demissão da “CEO” em funções. Subservientes, há por aí uns líricos que dizem que Roma e Pavia não se fizeram num dia, que está em curso uma revolução silenciosa (hum? tiraram o som à televisão?), que este governo está a mudar o panorama da educação em Portugal, blablabla… Os que assim pensam, ou são umas santas almas, ou o fado corre-lhes nas veias, ou não resistem a pregar um bom embuste ao povinho. Acham que é má-língua minha? Ora, perguntemo-nos: são computadores às dúzias que, por si sós, resolvem o problema de currículos inapropriados, desajustados e sem coerência horizontal e vertical? ou que conseguem suprir a falta de condições básicas, em recursos humanos e materiais, de muitos estabelecimentos de ensino? ou compensar o excesso de alunos por turma? ou resolver lacunas importantes na formação inicial e contínua de professores? ou acabar com os problemas da violência nas escolas? Não, não é distribuindo computadores às pilhas, gastando dinheiro em quadros interactivos, que quase ninguém sabe utilizar, ou multiplicando as salas TIC, que vão fenecendo por falta de manutenção, que estes problemas se resolvem. Sou, por pensar assim, contra o facto de se equiparem os estabelecimentos de ensino com material tecnologicamente avançado, ou de se facilitarem condições para que alunos e professores se tornem melhores utilizadores das novas tecnologias? De modo nenhum, mas é do senso comum que antes de passar ao baile se alimente o corpo com a boa mesa, e o que se assiste com este desgoverno é que tem sido descurado o mais básico, porque não atrai o primetime televisivo, e, em manobras de novo-rico, se gastam milhões em equipamentos, que em muitos países ricos são considerados um luxo. É inquestionável que as medidas do governo na gestão e organização escolar, na política de contratação de docentes e técnicos, na reorganização da carreira docente e na gestão do parque escolar têm sido poucas, mas podiam ter sido, por isso mesmo, boas. Ora, não são, e, quando analisadas desapaixonadamente, facilmente se lhes descobre o pendor fortemente economicista, cego e com preferência pelo acessório, a falta de visão estratégica, a ausência de inovação e uma orientação global mais condizente com a vontade de aligeirar responsabilidades à administração, do que de criar verdadeiros redutos de autonomia e de excelência no universo escolar.
Iniciámos mais um ano lectivo, neste faz-de-conta morno, que se vai tornando habitual, e que é tão verdadeiro como a afirmação da ministra de que com uma escolaridade obrigatória de 12 anos criamos condições para que «todos os jovens permaneçam na escola até aos 18 anos». Esquece ela, oportunamente, que não é por termos uma escolaridade obrigatória de 9 anos que vem diminuindo o abandono escolar, em jovens do 2º e 3º ciclos, mas nem vale a pena lembrar-lho, que a senhora desmente os números, por mais insuspeitos que sejam os organismos internacionais que os produzem. É preferível fazermos todos de conta que acreditamos na propaganda oficial, e, cantando e rindo, como no tempo do outro senhor, batermos palmas quando a caravana ministerial chega.

Thursday, September 06, 2007

Professores titulares, mas pouco

No discurso oficial, e na letra da lei, o ME considera incompatível a categoria de professor titular com qualquer forma de mobilidade, nomeadamente requisição para desempenho de funções nos organismos do ministério da 5 de Outubro, mas... Este pequeno "incómodo", que uma lei pensada para poupar dinheiro e vender uma imagem de rigor, exigência e eficiência não acautelou, em tempo, num ministério carregado de professores requisitados, foi rápida e ladinamente resolvido pela intelligentsia que Maria de Lurdes Rodrigues comanda: em segredo, os professores titulares mantêm-se em funções no ME, já não como requisitados, mas de empréstimo, a tempo parcial. No segredo das alcatifas dos gabinetes ficam as horas que estes professores de topo darão ao ME e à escola, o estatuto que terão, como titulares emprestados e, mais importante, que mais-valia representam eles para as escolas a que foram obrigados a regressar, quais fantasmas paraquedistas. É esta a seriedade do ME e deste governo.

Números...

Uma das armas da governação assente na propaganda é a sua capacidade para “vender” os números como melhor lhe convém. As estatísticas? Bah! as nacionais “trabalham-se”, as internacionais lêem-se com lentes de aumentar, quando interessa, ou desvalorizam-se, por incompetência técnica de quem as produz, quando o sol é tanto que a peneira não o consegue tapar!
Três exemplos, engraçados, que nos caíram em cima, a reboque da actualidade, que parece teimar em querer desmentir os números, ou em sequência de relatórios pouco cómodos, para este acto da opereta que protagonizamos.
Uma vaga de assaltos a bancos, ourivesarias, correios, bombas de gasolina, residências e outros locais de interesse, na perspectiva da gatunagem, tem alarmado cá o burgo, que a governação quer sonâmbulo e domesticado. Vai daí, surgem os números (que, tal como o algodão do mordomo, não mentem!): “A criminalidade violenta participada à PSP e à GNR diminuiu 16,2 por cento no primeiro semestre de 2007 relativamente a igual período do ano anterior, segundo dados que o ministro da Administração Interna leva hoje ao Parlamento.”
Não conhecendo os dados do ministro, e acreditando que a notícia relevou o essencial, não deixo de reparar que o aumento da criminalidade registado em 2007 se situa nos crimes contra o património :" os crimes de extorsão (mais 38, 9 por cento), os roubos a tesourarias e estações dos correios (mais 33, 3 por cento), a motoristas de transportes públicos (mais 5,3 por cento), a coacção sobre funcionários (mais 5,2 por cento) e os assaltos a postos de combustível (mais 3,9 por cento)", pelo que a ligeira descida verificada na globalidade da actividade criminosa não me parece de embandeirar em arco. Em vez de um ministro todo contentinho com estes números, seria melhor saber que o governo faz a leitura crua e dura para que esta criminalidade remete, e actua em conformidade, prevenindo. Não é só cumprir o défice, reduzir despesa à custa de acabar com serviços e lançar pessoas para o desemprego, ignorar os custos sociais das medidas pouco sensatas e nada criteriosas de um governo que só sabe poupar à custa do essencial. Os resultados desta política cega começam a aparecer, e isto é só o princípio.
Outro exemplo, os incêndios. No ataque à devastação das chamas, o governo quer mostrar obra, o que não se leva a mal, embora eu preferisse que tivesse obra feita para mostrar, o que é bem diferente. Em plena época de fogos, terminada que parece estar a fase fria deste Verão do nosso descontentamento, com os fogos a surgirem às primeiras temperaturas de 30º, o governo apressa-se a vir informar-nos que: “Este ano registaram-se 7081 incêndios e fogachos, o que representa 38,6 por cento da média de 18.361 no período 2002-2006.” Hum! À primeira leitura respiramos de alívio, mas, depois, lembramo-nos que este Verão foi o menos quente dos últimos 20 anos e, já com a pulga atrás da orelha, passamos a desconfiar do porquê da comparação dos números deste ano com a média do período de 2002/2006. O relatório, visto a correr, não parece responder a isto, mas… Entretanto, e a parecer dar razão às nossas dúvidas, somos surpreendidos com a “eficiência” da prevenção aos incêndios com a informação de que “O sistema de televigilância do Parque Natural da Arrábida (Ciclope), criado em 2003 para prevenir os incêndios e garantir a manutenção da área protegida, está desactivado desde Maio devido a avarias em nove das dez câmaras de vídeo.” Ups! Lá se vai a propaganda por água abaixo!
Finalmente: a insuspeita OCDE veio dizer que o abandono escolar em Portugal não só não diminuiu, como subiu em 2006/07, situando-se muito perto dos 40%. Vai daí, a senhora ministra, que, convém não esquecer, além de irrascível, é uma especialista em malabarismos com números, apressou-se a vir desmentir o organismo internacional, dizendo que “a taxa de abandono escolar precoce diminuiu três por cento em relação ao ano passado, situando-se em 36,3%” e “manifestando-se confiante que essa percentagem chegue aos 30 por cento ou abaixo até 2010.” De onde tirou ela os números? é uma incógnita, mas acredito que seja uma “fezada” da senhora, tal como aquela que a inspira a apontar para uma redução da taxa até 2010, uma vez que não há, que se saiba, uma avaliação externa e independente, que permita retirar conclusões do aumento da oferta de cursos profissionais e de educação/formação, nomeadamente em termos de atracção de alunos e da sua manutenção no sistema. Se a fé é que nos salva, pois tenhamos fé nas “fezadas” desta ministra, já que números é com ela!

Friday, July 06, 2007

Desumanidade

Com esta intervenção junto do ME, logo haverá quem pense que o CDS quererá cavalgar a onda da indignação generalizada com a morte dos professores doentes terminais, obrigados a regressar ao serviço. De facto, quando lemos isto e, constrangidos que nos sentimos a uma objectividade militante, a que inevitavelmente nos conduz a permanente desresponsabilização do governo, com facilidade acusamos o partido de Portas, quando não o próprio Portas, de estar a fazer aproveitamento político de uma situação que puxa à lágrima fácil e à indignação popular. Admito que o CDS de Portas possa justificar ceder à tentação de lhe atribuir tais intenções, e também eu não deixo de ler esta notícia com uma certa reserva. Pode ser que Portas esteja apenas a encontrar a sua janela de oportunidade para aparecer, mostrando serviço, que lhe renderá uns votos, no momento oportuno. Não sei se é o caso, nem me interessa, mas a morte dos dois docentes, que, em tão pouco tempo, saltou para a comunicação social, deve levar-nos a pensar no que, efectivamente, e em nome de um défice de humanidade, levou o CDS a pedir explicações ao ME.
Primeira questão: Porquê ao ME, e não ao MF, de quem dependem as juntas médicas da CGA? Até parece que o CDS estará a assestar baterias para o alvo errado, quando nos limitamos ao desprezo com que a ministra descartou responsabilidades no primeiro dos casos, ou a soberana displicência com que o seu assessor de imprensa remete qualquer explicação, sobre o segundo, para outras entidades, que não o ME. Acontece que, mesmo que formalmente, a responsabilidade caiba a outra entidade, impõe-se que o ME informe o que sabe sobre estas e outras situações (que as há, infelizmente, aguardando desfecho trágico), se as tem identificadas, e qual a política que segue para a sua resolução e enquadramento. Porque ao ME compete ter essa política e aplicá-la, com transparência e isenção. Por outras palavras, deve o ME aos profissionais que tutela, e à opinião pública, uma explicação quanto à política que segue para casos como estes, quais as ordens que transmite às escolas para lidar com eles, que posição tomou junto do MF e do Primeiro-ministro, relativamente aos dois casos já conhecidos, e se o desenlace brutal de ambos teve como consequência o realinhamento de políticas seguidas nesta matéria. É, portanto, contra o silêncio e o desprezo do ME, que entendo dever ser compreendido o pedido de explicações que, só aparentemente por “erro”, o CDS lhe dirige.
Segunda questão: A desumanidade contra professores, invocada pelo CDS, não estará a ser ridiculamente empolada, uma vez que mais não estamos do que perante a aplicação, pura e simples, dos mecanismos legais e dos procedimentos médicos usuais para situações semelhantes, independentemente da carreira profissional do trabalhador em causa? Numa primeira abordagem, até parecerá que sim, que o empolamento existe, uma vez mais se apenas nos cingirmos à frieza com que o ME ignorou estes dois casos, ambos atingindo profissionais que tutela, que pertencem a uma carreira com características específicas, características essas que o empregador definiu, e que tem o dever de conhecer muito bem. E é também à luz das características da carreira docente, que podemos encontrar o fundamento da desumanidade que o CDS invoca, e que os dois casos até agora conhecidos representam. Perguntam os bonzos do regime, do alto da sua “razão”: se em vez de professores se tratasse de profissionais de qualquer organismo da AP, a questão da desumanidade não se colocaria? Parece-me que é a estas “tábuas” que o ME, e o governo, querem encostar todos aqueles que vêem nestes dois casos uma enorme falta de humanidade. A resposta, para mim, é simples: obrigar um doente terminal, de qualquer carreira, a morrer a trabalhar, é uma violência, e uma desumanidade. Mas, se às circunstâncias quisermos abrir espaço, não para “medir” a desumanidade, mas para a analisar nos níveis de requinte a que pode chegar, não terei dúvidas em dizer que compreendo melhor que uma junta médica veja como possível a continuidade da prestação profissional de um funcionário com cancro na laringe, sem voz, num gabinete de um qualquer organismo, do que remeter um doente destes para uma escola, onde a sua função é ensinar alunos, e o seu primordial instrumento de trabalho é a voz. Ao fazê-lo, a junta médica tem que saber que a decisão sobre o funcionário tem implicações directas sobre os alunos e sobre a escola, tornando nulos os “ganhos” que poderiam advir desta violência praticada sobre um ser humano, na situação extrema de estar a viver o seu próprio fim. Ora, a que outra entidade, que não ao ME, se deve exigir que informe, com rigor, as juntas médicas da CGA, sobre as especificidades da carreira docente? É, portanto, também contra esta falha de actuação do ME , no âmbito da sua responsabilidade no que diz respeito às especificidades da carreira dos profissionais que tutela, que deve ser entendido este pedido de explicações do CDS ao ministério de Maria de Lurdes Rodrigues.
Terceira questão: pretende o CDS, com o pedido de esclarecimentos que apresentou ao ME, que passe para a opinião pública a ideia de que o ministério terá outras “culpas no cartório”, quanto à resolução dada a estes dois casos? Se pretende, ou não, só o CDS poderá responder, mas a forma como resolveu lidar com o assunto leva-nos a, quiçá abusivamente, concluir que sim. E se o faz com essa intenção tem, quanto a mim, toda a legitimidade para isso. Recordemos: a ministra da educação iniciou o seu mandato produzindo as afirmações mais lesivas da imagem dos professores, que alguma vez se tinham ouvido a um governante, contra a classe profissional que tutela. Com essas afirmações, e com as acções que tem vindo a tomar contra os professores, a ministra da educação deixou, junto da população, a imagem dos professores como profissionais irresponsáveis, desmotivados, faltosos, incompetentes, carregados de privilégios, e regiamente pagos, a quem havia que, em nome da qualidade do sistema educativo, meter na ordem. Consequências? Várias, nenhuma delas proveitosa para a qualidade do “sistema”, todas elas prejudicando as escolas, os alunos, os professores, em suma, a educação portuguesa. Uma das consequências poderá ter sido esta, de que vemos agora os resultados – perante professores doentes, as juntas médicas sentem-se perfeitamente caucionadas para fazerem um agrado ao governo, acabando com a “bandalheira”, que a ministra afirma estar profundamente enraizada na classe docente. Vai daí, acham-se no direito de agir com base no pressuposto que o governo lhes deu, de bandeja: ora então, mais um professor a querer ficar em casa? Só porque tem um cancro? Nem pensar, malandro, vai mas é trabalhar!
É, portanto, contra esta caixa de Pandora que a ministra abriu, que tem razão o CDS em vir pedir justificações ao ME, falando de desumanidade sobre docentes forçados a morrer a trabalhar.
Se Portas e o seu partido não pensaram em nenhuma destas razões, mas apenas no que podem lucrar com esta causa, lamento-o, por eles e pelos seus apoiantes. Mas que a causa é uma causa justa, e há mais do que fundamento para a abraçarem, isso há. Aguardemos, para ver o que vai responder a titular da pasta, e o governo, e o que fará o CDS a seguir.

Thursday, June 28, 2007

Exames

A máquina posta a funcionar para os exames nacionais é tremenda, sendo compreensível que surjam falhas pontuais, sem que isso deva justificar uma dramatização excessiva. E, apesar de um erro numa pergunta de um exame, não ser de descartar como se de algo insignificante se tratasse, a anulação da pergunta foi a decisão adequada, embora não seja tão inquestionável a solução encontrada pela ministra para a classificação final da prova, mas a verdade é que teria de ser tomada uma decisão, e esta não me parece tão errada assim.

Wednesday, June 27, 2007

Docentes no desemprego

Recordem-me: quando confrontada com um número de cerca de 20 mil docentes excedentários, a ministra não desmentiu a notícia? Ou estava muito mal informada, ou mentiu! Surpresa? Nem por isso, já estamos habituados ao "rigor" da senhora.

Monday, June 25, 2007

"A REALIDADE VIRTUAL DO MUNDO EDUCATIVO"

«O Ministério da Educação português é um bom exemplo de como um sistema autodeterminado pode disparar em sentidos impenetráveis e incoerentes. A sucessão de repetidas reformas, mesmo que justificadas individualmente, criou um conjunto inconsistente e delirante, que hoje até gasta fortunas em testes a fingir, que avaliam aos bochechos. A coisa só não é pior devido à única inelutável realidade que se impõe na sala de aula: a cara do aluno. Muitos profissionais competentes, sentindo-se responsáveis perante a turma que enfrentam, esforçam-se por ensinar alguma coisa às pobres cobaias das reformas, muitas vezes contra as mesmas reformas. Se não fosse isso, a catástrofe seria definitiva. Mas o Ministério da Educação tem de ser incluído entre os maiores inimigos do desenvolvimento nacional. Uma potência estrangeira que quisesse sabotar o nosso progresso dificilmente faria pior
Totalmente de acordo, mas manda a justiça que se diga que alguns ministros houve que tentaram inverter esta situação, da melhor forma que sabiam, ou conseguiam, sem nunca desistirem desse intento; que outros houve que se limitaram a gerir o monstro, para por ele não serem engolidos; finalmente, que do grupo daqueles que criaram e alimentaram esta criatura monstruosa que é hoje o ME, pior não houve que a actual patroa da 5 de Outubro. A sua gestão desastrosa demorará anos a sanar, e o seu rosto perdurará por décadas, como o rosto do pior inimigo da educação neste país, desde o 25 de Abril.