Wednesday, August 03, 2005

Imaginemos que...

... Cavaco, na sequência do tsunami presidencial de Soares, terá decidido que deveria ter uma conversa com o Presidente; este percebeu que ficava com uma grande embrulhada nas mãos e, vai daí, avisa o PS e Soares; acordam que, nas circunstâncias, o melhor é haver duas audiências; a de Soares é divulgada apressadamente, a de Cavaco só é divulgada posteriormente, com a informação de que o silêncio se mantivera a pedido do professor (?).
Efeito pretendido: Que se pense que Cavaco, quando soube da audiência de Soares, teria corrido a pedir para ser também recebido. Está de acordo com a inteligênciazinha de Sampaio; maltrata a nossa inteligência.

Tuesday, August 02, 2005

Perspectiva de compra de casa e carro atinge mínimo histórico*

«O pessimismo dos agentes económicos em Portugal continua a acentuar-se, com a confiança dos consumidores a deslizar para um mínimo de Setembro de 2003 e o indicador de clima, que mede a confiança dos empresários, a baixar pelo quarto mês seguido, fixando o valor mais baixo desde Fevereiro de 2004.» - Jornal de Negócios
* e viva o PS, ou, como se diz aí mais abaixo, «se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi»
PODE O GOVERNO SFF COLOCAR EM LINHA OS ESTUDOS SOBRE O AEROPORTO DA OTA PARA QUE NA SOCIEDADE PORTUGUESA SE VALORIZE MAIS A “BUSCA DE SOLUÇÕES” EM DETRIMENTO DA “ESPECULAÇÃO”?
"Respeito muito os signatários, mas há sociedades que valorizam mais a especulação e a análise, enquanto outras valorizam mais a busca de soluções."(Manuel Pinho, Diário Económico, 28-07-07)
A desonestidade intelectual do ministro revela-se ao não citar os resultados apresentados na tabela 5 do mesmo estudo de Kamps. Aí pode-se ver que, e de acordo com os resultados do autor para Portugal, o investimento público leva a uma redução do PIB português. Ou seja, o ministro defende a construção do novo aeroporto e do TGV, com base num estudo que conclui que em Portugal os efeitos do investimento público são negativos!
... terá sido Pinho o grande responsável e o grande impulsionador deste projecto? Por outras palavras, será que Pinho tinha e tem a necessária força política no seio do Governo para impor um projecto desta dimensão e cuja sustentação assenta sobretudo em critérios de natureza política?Não me parece. Independentemente do seu entusiasmo pela Ota, Pinho não tem o peso político necessário para fazer vingar no Governo, por si só, um projecto desta dimensão. Pinho teve, seguramente, um ou vários apoios de peso.
Reflexões preguiçosas, em dia de Verão, ao sabor da maré baixa:
Barragem de informação irrelevante; uns peões do Governo para queimar; o foguetório de há semanas com o BES, os negócios da TAP, a «candidatura» de Soares, o amigo angolano, ventos do oriente...
ADENDA: Por falar em ventos do oriente, ler no Bloguítica o post 911.

Monday, August 01, 2005

Tudo bons rapazes

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Novas nomeações na CGD.
Maldonado Gonelha, Cardona e Vara - melhor era impossível.
Macau connection, forever.


ADENDA: A ler, a opinião de António Costa, no DE.

OTA (actualização)

No Blasfémias: «Aparentemente a ESAF é a Espírito Santo Activos Financeiros, pertencente ao grupo do BES, que até Março de 2005 tinha como administrador ... Manuel Pinho

«Os maus resultados a matemática são a parte mais visível dos maus resultados de todo o ensino»

Quem o escreve é Santana Castilho, hoje, no Público. Depois de recordar a «saga» das medidas que cada novo ministro tem ensaiado para resolver o défice crónico de resultados aceitáveis nesta disciplina, o autor alonga-se nos nefastos efeitos do que designa por pedagogia lírica, chamando, e muito bem, a atenção para o programa de matemática do 1º ciclo (origem dos grandes problemas que se detectam numa fase mais adiantada da escolaridade), passando pela formação inicial e contínua dos professores e pela correlação das aprendizagens entre a matemática e as restantes disciplinas. Um artigo a não perder por qualquer ministro da educação, como ele diz porque «a intervenção aqui é urgente e imprescindível, para orientar em vez de desorientar». Infelizmente, como ele também reconhece, «nós dissertamos maçadora e incompreensivelmente sobre objectivos pedagógicos e outras tretas», em lugar de agir.

rankings

Durante a passada semana, o Público publicou um ranking das nossas universidades, elaborado a partir de um estudo sobre a produção científica das universidades portuguesas, efectuado por um anterior vice-reitor da UNL. Com esta publicação, o jornal iniciou um conjunto de artigos, nos quais deu voz às reclamações que acusaram o mesmo estudo de falta de credibilidade técnica e científica e se adiantaram argumentos vários sobre a metodologia que deve ser seguida para medir a performance das universidades. Hoje, o mesmo jornal mantém-se interessado no tema, chamando à primeira página um novo ranking das universidades, desta feita assente num estudo sobre a eficiência relativa das universidades públicas portuguesas.
O que move os interessados e exalta os ânimos são as novas regras de financiamento do ensino superior, que se discutem. O assunto promete aceso debate, mas o ministro Mariano Gago, e os serviços que tutela, permanecem esfíngicos. Porquê?
ADENDA: Sobre este assunto, ler posts e comentários no Canhoto e no Ma-shamba, e apontamentos de João Vasconcelos Costa.

«Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi»*

Num excelente post, na Grande Loja, José levanta a ponta do véu que encobre a verdadeira sede do(e) poder na cena internacional. Há muito que são essas teias conhecidas, mas nunca é de mais relembrá-las, sobretudo numa chamada tão oportuna à realidade portuguesa. Efectivamente, no contexto destes meandros da alta finança, uma análise retrospectiva dos factos políticos é elucidativa de como são de alguma forma despiciendas certas veleidades, de pendor democrático-folclórico, na condução e no desfecho de momentos cruciais da vida colectiva de vários países, nomeadamente o nosso.
Curiosamente, em quem tão bem traz à luz estas cabalísticas teias de poder, surpreende que não se incomode que «os grandes deste mundo se reunam e queiram discutir interesses comuns», mas que, com alguma «ingenuidade», apenas considere que o problema reside no facto de que «os grandes são muito poucos e não estão dispostos a largar o osso...assim de mão beijada». Será mesmo isto que aflige o autor do post? Ou esta sua «ingenuidade» reside no facto de também entender que o pior de tudo «será reduzir o poder mundial ao capitalismo e interesses americanos»?
* Il Gattopardo