Friday, June 03, 2005

Non, rien de rien...

No alargamento a 25 houve mais olhos do que barriga; resultado: o caldo entornou. Agora, começa a gizar-se o que se intuía poder vir a acontecer - um directório de países fundadores, com a Alemanha a tomar as rédeas. Veremos o alinhamento do Reino Unido, para descortinarmos os caminhos possíveis, numa EU gravemente ferida na matriz.
Portugal, pequeno, pobre e periférico, já está a perder com o estado das coisas. Há, portanto, que saber gerir, sabiamente, este difícil período. Antes do Conselho Europeu dos próximos dias 16 e 17, se o voluntarismo referendário de Sampaio/ PS é quase uma bravata, a proposta de adiamento de Cavaco parece só para contrariar... porque ele sabe melhor do que ninguém que o efeito dominó é bem menos poderoso em Portugal, do que o medo da crise e da perda do apoio europeu; em horas de aperto, o português volta-se para a Virgem e, neste caso, a dita chama-se Europa.

Dia nacional da criança por nascer*

É quando tomamos conhecimento de trambolhos destes, que lamentamos que alguns abortos não tenham sido feitos!

*proposta da estrutura directiva do CDS no dia Mundial da Criança

Thursday, June 02, 2005

Crianças, escola e cidade*

Como candidato à CML, ontem Carrilho fez também o circuito das celebrações alusivas ao dia. Resguardado no largo do Rato, que uma ida a uma das «belas» escolas do 1º ciclo da cidade foi sofrimento guardado para mais tarde, caso venha a ser eleito. À conta de, subtilmente, poder lançar a dúvida sobre um boicote da actual presidência santanista, sempre se poupou o elegante e perfumado candidato a uma descida aos infernos de uma das centenas de escolas degradadas da capital, porque pareceria mal ir a um dos muito raros estabelecimentos modernos e exemplares, como é, por exemplo, a escola contígua à Presidência do Conselho de Ministros.
O projecto que Carrilho apresentou teria potencialidades - patronos que financiarão escolas, em troca de factores de majoração nos concursos camarários; reforço da rede dos jardins de infância públicos; serviços de saúde escolar a nível preventivo, de diagnóstico e de intervenção terapêutica; serviços de ocupação de tempos livres para crianças e idosos, numa perspectiva de convívio intergeracional - não fora a situação catastrófica dos dinheiros públicos, em geral, a situação financeira da CML, em particular, e o estado da subnutrição da economia. Assim, não passa de um conjunto de boas intenções, que ficará por isso mesmo, seja ele eleito, ou não!

* nome do projecto apresentado pelo candidato

Eles falam, falam...

Ontem, comentava aqui que não tinha visto acções de movimentos de cidadãos, do governo, ou das forças políticas, dirigidas a uma efectiva protecção de crianças em risco, em ordem a tornar mais seguro o presente e o futuro de muitas crianças portuguesas.
Hoje, lendo o Público, constato que o Ministro da Justiça defendeu ontem, em cerimónia alusiva ao dia, que o Estado deve proteger melhor as crianças. De palpável, deixou a promessa de que «daqui a algum tempo» divulgará o que pode ser feito nesse sentido. Para já, entende que há que «aumentar a responsabilidade do Ministério Público». Sobre a acção deste no triste caso Vanessa, assobiou para o lado.
Por sua vez, o Ministro do Trabalho e da Segurança Social, também em celebração da efeméride, afiança que vai reforçar as CPCJ com mais 120 a 130 novos técnicos permanentes, alegadamente para «colmatar a falta de especialistas capazes de acompanhar os menores em risco».
Tudo isto, mesmo que fosse uma acção determinada e uma efectiva preocupação do Governo, seria POUCO, MUITO POUCO! A ligeireza e a desarticulação das intervenções e, sobretudo, das medidas anunciadas, denuncia a inexistência de um projecto concreto e mais não parece, no primeiro caso, que o habitual ritual de desresponsabilização, e no segundo,uma forma, encapotada, de arranjar lugares para a volumosa clientela PS.
Pelas crianças em risco, espero poder registar aqui, dentro de um tempo, que me enganei. Mas, infelizmente, não tenho muitas esperanças.

PARABÉNS, SLIH!

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Alegria, imaginação, juventude e uma boa dose de irreverência, tudo isso nos deliciou durante este ano. Que venha mais!
Muitos PARABÉNS!
(E a champanhota?)

Wednesday, June 01, 2005

«As crianças acham tudo em nada, os homens não acham nada em tudo»*

Não tenho particular simpatia pelos dias de qualquer coisa. Mas, já que estão instituídos, podemos fazer um esforço para lhes darmos um significado, que vá um pouco mais além do folclore a que o consumo e as esteriotipadas «celebrações» da sociedade nos querem circunscrever.
Hoje, dia em que se celebra a criança, folheiam-se os jornais portugueses, vêem-se os telejornais, e o que nos fica da comemoração deste dia a eles dedicado são as imagens de bandos de meninas e meninos a terem um dia escolar diferente, em alegres grupos que foram à praia, ao teatro, ao jardim zoológico ... Algumas reportagens falam de mães e pais carinhosos, que sairam mais cedo dos empregos e compraram um presente, ou que foram ao parque com as suas crianças, ou que, simplesmente, tiveram mais paciência com elas. Outras reportagens, para serem diferentes, ou porque são mais compassivos os seus autores, falam dos meninos tristes, sós e desamparados, doentes.
Cumpre-se, assim, a efeméride - os meninos felizes continuam a sê-lo, os infelizes também, os pais descansam as paternais consciências, os filhos cansam-se de brincadeiras e surpreendem-se com dose extra de paciência, vendem-se mais brinquedos, mais gelados, mais livros, animam-se circos e eventos vários, tudo como sempre.
Cumprido, uma vez mais, o ritual, amanhã volta tudo a ser igual.
Só que, num país com uma das mais elevadas taxas de maus-tratos a crianças, em que o assassínio brutal de meninas e meninos, frequentemente pelas suas próprias famílias, são uma dolorosa realidade; este ano, em que rostos de crianças inocentes, violentadas e assassinadas com requintes de malvadez, entraram diariamente pelas nossas casas e se gravaram, a fogo, na nossa retina; neste meu país, este ano, hoje, gostaria de ter visto notícias de iniciativas de grupos de cidadãos preocupados com o problema, como gostaria de ter lido sobre iniciativas do parlamento e dos responsáveis políticos a chegarem a acordo sobre a publicação imediata de leis destinadas a proteger, eficazmente, estes seres indefesos, que são responsabilidade de todos nós, de cada um de nós.
Sei que a crise é difícil, que o défice nosso, o não que fala francês, as guerras de muitos e o dinheiro de todos não deixam tempo e espaço para muito mais, mas eu gostava que, pelo menos hoje, se tivesse parado para tratar deste assunto de «pequena» importância. Ainda não foi desta. Quem sabe se para o ano...?
* Giacomo Leopardi

26479 reclamações das listas provisórias do concurso de professores

No seu livro « Educação - Mudar é possível - O que falta? Recursos ou políticas?» Abílio Morgado, ex-Secretário de Estado da Administração Educativa no XV Governo, dedica um capítulo à crise do concurso de 2004/2005. Nele, caracteriza o novo modelo de concurso de docentes aprovado pelo Decreto-Lei nº 35/2003, de 27 de Fevereiro, como «uma importantíssima reforma estrutural da educação, de há muito necessária e reclamada».
Para além da desburocratização e simplificação de procedimentos, da coerência do modelo de colocação de educadores e professores com o princípio da carreira única e da maior transparência, justiça e racionalidade da oferta de emprego, explica o ex-governante terem estado subjacentes ao modelo objectivos de valorização da qualificação profissional, diminuição da dimensão da mobilidade anual de docentes dos quadros e permitir uma verdadeira gestão de recursos humanos docentes.
Com estes pressupostos, conclui:
« O novo modelo de concurso de educadores e professores não pode, pois, ser analisado apenas numa perspectiva estática, na medida em que lhe está subjacente uma opção estratégica, isto é, uma dinâmica, absolutamente fundamental para a reforma do sistema educativo. Esta realidade tem sido completamente esquecida
Tem?

Efeméride

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Às crianças, minhas e dos outros, a atenção, o respeito, a autoridade e o amor, que lhes são devidos.