Thursday, February 03, 2005

Innuendo



Que, no debate, sobre tempo para as políticas.

A ti, a quem a morte chega, vagarosa.



Canta-me cantigas, manso, muito manso...
Tristes, muito tristes, como à noite o mar...
Canta-me cantigas para ver se alcanço
Que a minh'alma tenha paz, descanso,
Quanto a Morte, em breve, me vier buscar!...

Guerra Junqueiro

Wednesday, February 02, 2005

«A paixão é um momento incandescente do amor»*

* Eduardo Lourenço:

«...toda a paixão é a mesma paixão. Se ela se repete, ou se temos a impressão que revivemos uma grande paixão, é porque nenhuma paixão, mesmo a mais alta, em si mesma se esgota. Portanto, tem de ser perdida, reencontrada, reinventada, se não, é uma simples ofuscação»

«As idades da vida»*







* Ler Eduardo Prado Coelho, hoje, no Público.

Impudicícia!


É já um chavão dizer que somos um país adiado. Contudo, não se peca por exagero ao reinsistir. Vejamos: está hoje na comunicação social que a criação de uma nova entidade nacional de vigilância do sangue, imposta por uma directiva europeia, foi adiada para depois das eleições. Os motivos, patéticos, são os de sempre: reacção à invasão do quintalinho dos interesses instalados. Entretanto, sabe-se no mesmo dia que « num total de 149 mil unidades de sangue colhidas em 2003 foram detectados 16 casos de infecções por HIV/sida », segundo informação do «dono» do quintal invadido, o director do Instituto Português do Sangue (IPS).

«A ausência é a causa de todos os males»*


Como o tempo e o espaço dos partidos parece irrecuperavelmente perdido para a inanidade, há quem se sobressalte, civicamente. O movimento (perverso, ou não), vale pelo que tem de iniciativa e de proclamado contributo «para que sejam encontradas soluções para o futuro de Portugal que não estejam condicionadas por preocupações eleitoralistas».
Justifica-se, porque « O discurso directo do Estado não chega à população, chegando a ela apenas por via de interpretação ou da mediação. Ora o Estado é uma criação da comunidade e é nossa responsabilidade assumir a defesa do seu bom nome. São necessárias, em Portugal, lideranças mobilizadoras, capazes de operar as mudanças inadiáveis, o que requer um discurso e uma prática que não se subordinem àquilo que, em cada momento, é considerado como politicamente correcto.»
O documento é recatado no diagnóstico e frugal no receituário. Talvez por os seus autores terem já encontrado o lider mobilizador, a quem reservarão a novidade das ideias e o brilho das palavras.
*La Fontaine

Tuesday, February 01, 2005

Antologia

Meu partido, é um coração partido
E as ilusões, estão todas perdidas
Os meus sonhos, foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito, ah, eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma pra viver
O meu prazer, agora é risco de vida
Meu sex and drugs, não tem nenhum rock'n'roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem sou eu
Ah, saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo
Agora assiste a tudo em cima do muro, em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma pra viver
Ideologia, pra viver
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo
Agora assiste a tudo em cima do muro, em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia, eu quero uma pra viver

Cazuza

«Devemos escrever para nós mesmos, é assim que poderemos chegar aos outros» *






*Eugène Ionescu