Tuesday, January 18, 2005

Sócrates

Alguém tem de avisar o candidato a Primeiro-Ministro de que se deve deixar de jantaradas. Evitará o pouco saudável hábito de ter de vir desdizer-se ao almoço do dia seguinte.

Friday, January 14, 2005

«Though this be madness, yet there is method in 't.»*

Começo a achar que os constantes tiros nos pés com que Santana e a sua equipa nos brindam diariamente não resultam de incapacidade dos próprios, do azar, ou da má-vontade da comunicação social. Estou a convencer-me que são, isso sim, uma eficaz estratégia de camuflagem.
Vejamos dois dos casos mais recentes:
Professores avulso - com o seu absurdo comentário sobre a ida à Assembleia, a Ministra da Educação pôs tudo em polvorosa. O que restou de um assunto tão melindroso como o relatório da IGF sobre os erros que se verificaram no concurso de professores? Infindáveis referências em jornais e televisões sobre a falta de tino da senhora, uma azeda chamada de atenção do Presidente da Assembleia, umas vagas referências a que os responsáveis seriam os funcionários dos serviços e... ficámos por isso mesmo. Exigências quanto à divulgação do texto do relatório da IGF, ou pedidos de esclarecimentos quanto às responsabilidades que nesse relatório não podem deixar de ser atribuídas a esta equipa governativa (não esquecer os elevados custos que as levianas decisões desta ministra irão ter), nickles. Resultado: o povão contentou-se com o circo, quando devia exigir o pão. E esqueceu...
Abismos petrolíferos – um resort de luxo, um falcon fretado, uns mergulhos em tépidas e calmas ondas, e eis o caldinho pronto para deixar uns quantos meninos da comunicação social, com pouco mundo, em absoluto estado de histeria. Surfando a onda da lusitana mesquinhez, vem o Primeiro e manifesta-se incomodado, salta o ministro e diz que não sai mas quis sair, tal o incómodo do outro; para condimentar a africana expedição, juntam-se-lhe umas gotas de petróleo, uma missão negocial secreta, mais um ministro que não sabia de nada, mas que devia saber e...pronto. Mais uma corrida, mais uma vez tudo se baralhou e ninguém pergunta o que deveria sobre o assunto. Continuamos satisfeitos com o fait-divers.
A repetição, em cadência galopante, força-nos a perceber que é tudo demasiadamente grosseiro para ser credível. O melhor é começarmos a ter medo, muito medo, do que se vai descobrir por baixo de todo este make up.

*William Shakespeare

Wednesday, January 12, 2005

(Com o PS) Portugal vai ter um novo rumo

Em direcção às Berlengas, presumo.

Tuesday, January 11, 2005

A propósito

Neste blog (qualquer adjectivação seria menorizá-lo)temos um dos mais conseguidos exemplos de como os comentários podem constituir uma mais-valia.

Vale a pena ler.

«O Terrorismo de Género tornou-se banal para os meios de comunicação e não pela omissão da brutalidade dos assassinatos.»

«To avoid criticism do nothing, say nothing, be nothing.»

A propósito de umas “guerras juvenis” sobre a “democracia” que estará subjacente à possibilidade de se comentar, ou não, nos blogs, recordei esta frase lapidar de Elbert Hubbard.
Efectivamente, depois de algumas acesas discussões com os que são “apenas bloguistas”, com outros “apenas comentaristas” e outros que não são nem uma coisa nem outra, ou são ambas, decidi-me, simplisticamente, sobre o assunto- tudo é aceitável, e “democrático”, e fica bem, desde que faça feliz(es) o(s) seu(s) autor(es).
Viajante de um número significativo dos blogs do meu contentamento, encontro várias modalidades: com, sem, com um (inteligente) meio termo – faz-se uma selecção dos mails recebidos e o autor transcreve o(s) que mais se adequa(m) à “linha editorial” do seu espaço.
À juventude irrequieta, direi que parece ser esta a melhor opção para os muito inseguros, ou para aqueles que têm (ou pretendem vir a ter) nome feito na escrita, na política, em qualquer coisa, atendendo a que nem sempre os comentários são aceitáveis, ou enriquecem o blog, ou espicaçam com pertinência os seus leitores, ou afagam o ego do(s) seu(s) autor(es).
Cá por mim, a quem o espaço de comentários já veio com o “pacote” (ai esta incapacidade tecnológica), a questão não se colocou, nem se evidencia necessidade de se colocar. Pessoalmente, prefiro aqueles blogs que permitem comentários, porque as mais das vezes, sobretudo porque os bons bloguistas se comentam uns aos outros, as picardias e as “bocas” são tão, ou mais, interessantes do que o próprio post. Ao penitenciar-me de um erro - nem sempre resisto a comentar “pesado”, i.e., demasiado longa e seriamente – percebo, contudo, umas das muitas razões por que são tantos os blogs que fecham a porta aos intrusos.
Como em tudo na vida, é também uma questão de inteligência e de aprendizagem – dos que postam e dos que comentam. O tempo, que trará a generalização do uso deste meio, fará o resto.

Santana Lopes e os lobos

Em alguns jornais deste fim-de-semana, semanários incluídos, houve uma curiosa sintonia: chamava-se a atenção, quer para o "azar", quer para a dureza de tratamento a que têm estado sujeitos Santana Lopes e alguns membros do seu governo.
Aos incautos, esses artigos de opinião quase fazem passar esta mensagem: a de um eterno e prometedor (quase messiânico) candidato a líder do PSD que, quando finalmente chega à cadeira do poder, é sacrificado pela cáfila de invejosos e despeitados, a quem a sua poderosa personalidade inspira os mais ultrajantes vexames e as mais vergonhosas traições; invocam-se circunstâncias funestas não imputáveis ao governo e, muito menos, ao político finalmente ao leme, e eis que assim justificam que está a ser criada a conjuntura propícia à eliminação definitiva do Pedro e do Santanismo da vida política nacional.
Claro que nem todos os artigos procuram, genuinamente, passar esta imagem; lidos com atenção, constata-se que, na sua ironia, alguns procuram até o efeito oposto e a evidência do ridículo que é pressupor tal conjuntura. O facto é que, com ironia ou sem ela, a imagem de um Santana qual São Sebastião crivado de setas instala-se, subrepticiamente, e colhe alguma aceitação, tantas e tão frequentes são as situações duvidosas, as trapalhadas absurdas, as contradições ridículas e os abusos impensáveis, de que a comunicação social se teve de fazer eco nestes curtos meses.
E no entanto...
Não vale a pena repetir o exercício de confirmar a existência dos "casos", mesmo só dos conhecidos, um a um, para determinar do azar da personagem. Os "casos" existem, são demasiados aqueles que, infelizmente, lhes sentiram na pele os efeitos. Muito menos se justificaria iniciar uma tese com a análise do tratamento dispensado pela imprensa a Santana, neste seu papel de chefe do executivo.Tem sido branda, ou desatenta, tanto se ficou por escalpelizar e divulgar nos media, como sabe qualquer um medianamente informado.
O que é grave é que se a realidade supera, em muito, o que tem sido divulgado, fica muito aquém da nossa mais vertiginosa imaginação. Há que ter consciência de que temos apenas conhecimento da ponta do iceberg, daquilo que, após muita filtragem, muita peneira, muita pressão indevida, acaba por sair para a opinião pública sobre as actividades dos gabinetes, dos responsáveis governamentais e dos políticos que os acolitam. Sabermos que é assim dá-nos a medida do desastre a que se chegou, entregues que estamos a quem sofre de algo pior do que o amadorismo: uma incompetência total, aliada a uma absoluta ausência de inteligência e a uma despudorada falta de escrúpulos. É por isto que, nem a brincar, se deve admitir a lavagem da acção governativa de Santana Lopes, como parece estar já a ser tentada.

Monday, January 10, 2005

Caldeirada à moda de Coimbra

No seu artigo de hoje, Graça Franco refere-se, com graça e muita oportunidade, ao custo por aluno no ensino público, segundo dados avançados pelo Governo:4200 euros. Ela própria se refere ao montante como surpreendente, e é-o. Primeiro, porque esse valor exacto nunca tinha sido determinado sem margem para dúvidas, nem era do conhecimento dos próprios serviços do Ministério ( para já não falar de que à volta desse desconhecimento circulavam algumas das piadas mais saborosas do ME) ; depois, porque o custo por aluno varia consoante os níveis de ensino, e todos os valores de referência que se conheciam, até há muito pouco tempo, eram significativamente inferiores ao agora revelado.
O que levaria o Governo a avançar tão diligentemente com esta prestimosa e surpreendente informação?
O artigo acaba por dar a resposta.
Com tão relevante informação, podem os colégios com contrato de associação berrar que estão a ser mal pagos e exigir uma actualização do financiamento que estão a receber do Estado; podem os interessados (e são tantos!) defender que o Estado poupa se reconhecer, de uma vez por todas, o direito de aprender e de ensinar, leia-se, se der 4200 euros a cada família e a deixar escolher a escola (privada, claro!) em que quer colocar as suas crianças, libertando uns quantos empresários do ensino privado do pesadelo de assegurar a sobrevivência dos seus estabelecimentos.
Não foi em vão que os interesses das escolas privadas conseguiram instalar-se no Ministério da Educação, com esta equipa governativa. Em pouco tempo conseguiram o que se propunham: fazer os jeitos aos amigos todos. Nem que para isso tivesse sido preciso colocar sete mil professores a mais no sistema!